dezembro 31, 2007

O presépio...

...ocupava todo um canto da sala. Por finais de Novembro, o meu pai afastava móveis e estantes do seu poiso habitual, fazia altura com mesas, cadeiras, arcas e caixotes que depois cobria com mantas e papel de cenário forrado com barro e gesso e assim criava o esqueleto daquela paisagem inventada todos os Natais da minha infância.

Construir o presépio demorava pelo menos umas duas semanas, em que a minha mãe e a criada reviravam os olhos e suspiravam sem entenderem muito bem que gozo nos dava produzir tanto lixo e ter aquela trabalheira toda para uma coisa que se ia desmanchar dali a um mês. O canto da sala aos poucos ia ganhando formas de montanhas escarpadas e vales verdejantes por onde serpenteavam riachos graças a dois alguidares estrategicamente escondidos, um na parte de cima de onde saía a água e outro por baixo dos caixotes, que a recolhia. As montanhas eram pintadas imitando rochedos, os vales cobertos de musgo fresco que íamos apanhar no fim-de-semana e musgo seco do ano anterior que tinha sido guardado dentro de caixas de sapatos embrulhado em folhas de jornal. Quando o musgo não chegava e para aumentar a paleta de cores do presépio, tingíamos serradura com anilinas castanhas e verdes que espalhávamos por colinas e vales. Ainda hoje guardo na memória aquele cheiro de musgo e serradura húmida que perdurava pela casa durante todo o mês de Dezembro.

Quando toda a paisagem estava pronta havia que povoá-la. As figuras básicas do presépio eram as mesmas desde sempre, uma Nossa Senhora ajoelhada vestida de azul, um S. José de barbas negras e cajado na mão, o menino todo nu em cima duma minúscula almofadinha de veludo vermelho, a vaca, o burro e os três reis magos com os seus camelos. A esta gente juntava-se uma imensa população dos tradicionais pastores e ovelhas, que todos os anos se via acrescida de mais alguém que por vezes não tinha nada que ver com esta história, bonecos e figurinhas que se compravam ou que se reciclavam de outras brincadeiras.

Foi assim que o presépio se viu povoado pela Branca de Neve e os sete anões, por uma porca e os seus porquinhos, por gatos, cães, mulheres a lavarem roupa numa poça junto ao ribeiro (um espelhinho com as bordas disfarçadas por baixo do musgo), um D. Quixote e um Sancho Pança, um frade barrigudo, pintos e galinhas, soldadinhos de chumbo, carrinhos, um menino de triciclo, Tom, Jerry, o lobo mau e o Capuchinho Vermelho.

Uma igreja de torre e cruz construída em cartão encimava uma colina e casinhas de cartolina da colecção “arquitectura tradicional portuguesa” que eu comprava na papelaria do Sr. José e ia montando ao longo do ano com paciência, uma tesoura e cola uhu espalhavam-se pela paisagem. Na terra do menino Jesus havia assim um monte alentejano, um moinho do oeste, uma cubata de Angola, uma casa de granito de Trás-os-Montes, uma habitação típica de Timor e tantas outras relembrando-nos a vastidão do império.

O meu pai era agnóstico e anti-fascista mas no presépio nada disso contava. O importante era que fosse grande, um pouco kitsch e nos desse duas semanas de imenso prazer a fazê-lo, outras tantas a contemplá-lo e dois dias a desmontá-lo.

Quando cresci o meu pai deixou-se de presépios e passou a fazer uma árvore de Natal. O cheiro da resina substituiu o do musgo fresco, as luzinhas e bolas coloridas no canto da sala procuravam apagar a lembrança de antigos montes e vales com água a correr. Quando saí de casa dos meus pais nunca mais fiz nenhum presépio. Talvez por descrença, talvez por ter em mim a certeza de que mais valia guardar a memória dos dias de Inverno de então e da infinita ternura do meu pai. Não sei.

dezembro 28, 2007

voz do caraças

quando for grande, também quero cantar assim.



Games, changes and fears
When will they go from here?
When will they stop?
I believe that fate has brought us here
And we should be together babe, but we're not
I play it off but I'm dreaming of you
I'll keep my cool but I'm feinding

I try to say good-bye and I choke
I try to walk away and I stumble
Though I try to hide it, it's clear
My world crumbles when you are not near
Good-bye and I choke
I try to walk away and I stumble
Though I try to hide it, it's clear,
My world crumbles when you are not near

I may appear to be free but I'm just a prisoner of your love
I may seem all right and smile when you leave
But my smiles are just a front
I play it off but I'm dreaming of you
I'll keep my cool but I'm feinding

I try to say good-bye and I choke
I try to walk away and I stumble
Though I try to hide it, it's clear
My world crumbles when you are not near
Good-bye and I choke
I try to walk away and I stumble
Though I try to hide it, it's clear,
My world crumbles when you are not near

Here is my confession
May I be your possession
Boy I need your touch
Your love kisses and such
With all my might I try but this I can't deny

I play it off but I'm dreaming of you
I'll keep my cool but I'm feinding

I try to say good-bye and I choke
I try to walk away and I stumble
Though I try to hide it, it's clear,
My world crumbles when you are not near
Good-bye and I choke
I try to walk away and I stumble
Though I try to hide it, it's clear,
My world crumbles when you are not near

dezembro 27, 2007

curiosidades da net

Utilizo a internet há anos completamente a sentimento. Por isso, quando descubro fenómenos como este, não lhes encontro explicação.

Se entro no meu blogue por aqui http://www.falabarata.blogspot.com/, tenho o cabeçalho tal como o introduzi, assim:

Se, por acaso, o link é só assim, sem os três www, http://falabarata.blogspot.com/ o cabeçalho encolhe:

Há coisas fantásticas não há?

os máiores

Há competições em que era perfeitamente dispensável sermos os primeiros

há coisas fantásticas não há?

Do consultório da minha dentista* veio o mais lindo cartão de boas festas que jamais recebi:


Por mais que me esforce não consigo imaginar imagem mais primorosa...

Adoro a subtileza da mensagem implícita: "podes comer bolo rei mas lava os dentes a seguir". Será que pagaram a alguém para inventar isto ou foi uma coisa home-made?

* consultório onde gosto de toda a gente, atenção!

dezembro 26, 2007

o espírito do natal...

... anda perdido em parte incerta.

Quando eu era pequena o natal servia para irmos à terra dos meus pais e passarmos uns dias com os meus avós e os meus tios e primos.

Trocavam-se presentes, que nunca eram grande coisa pois a família não era muito abonada, mas sobretudo trocavam-se afectos. Fazia frio, mas havia calor naqueles natais. As crianças não recebiam a orgia de brinquedos que recebem hoje e talvez por isso, cada boneca, cada carrinho, cada cachecol tricotado pela avó tinha um sabor especial.

Todos os anos tento escapar ao Natal mas acabo sempre por ser apanhada pela coisa. Ontem lá passei a noite entre bacalhau e rabanadas, tentando não adormecer no sofá enquanto se procedia à lenta distribuição de embrulhos, que têm de ser abertos, visionados e devidamente apreciados por todo o clã, para todos ficarem a saber quem deu o quê a quem. Cada um dos presentes tinha um saquinho junto a si para ir guardando o seu espólio. No final, ganha quem tiver o saco mais cheio.

Não recebi os livros que queria e que não comprei ainda na secreta esperança de que me viessem parar às mãos. Deus afinal não é grande.

A minha mãe, que não costuma ser pessoa de grande imaginação no que toca a prendas de natal, este ano foi iluminada pelos céus. Ofereceu-me um album onde pôs todas as fotografias minhas que encontrou lá em casa de quando eu era catraia. Foi o que me aguentou nas dolorosas duas horas que demorou a troca de presentes, em que me fui vendo em várias versões e tamanhos a preto e branco e a cores e relembrando as ocasiões em que tinham sido tiradas aquelas fotografias.

Obrigada mãe.

máscara

nesta festa cada paradoxal teve direito a uma pintura facial que nos permitiu ser facilmente identificados entre os restantes mortais que tiveram a gentileza de responder à nossa proposta de uma noite diferente (e que foram mais de 500, boa!).

todas diferentes, mas todas em tons de azul, preto e prateado.

deveria ter guardado a minha até hoje para melhor passar despercebida na quadra natalícia.


como sou pouco prevista, tirei-a na mesma noite.

dezembro 20, 2007

aviso à navegação

Confesso que acho mesmo que este blogue anda uma merda.

Pouco tempo, pouca inspiração e uma tentativa desesperada de fugir à minha DPN do costume não me têm deixado espaço para escrever aqui o que gostaria.

Lamento. Espero que a crise passe depressa. Lá para depois do coiso, do N...L, isto volta ao que era ou, pelo menos ao que eu queria que fosse. Prometo.

e a melhor festa da christmas season vai ser...

...TUDO MENOS UMA FESTA DE NATAL!

Promovida pelo Coral Paradoxal onde orgulhosamente desafino, patrocinada por estes senhores de Braço de Prata (no site do coro pode ser consultado o programa detalhado), onde o meu filho e a sua banda vão fazer a sua primeira apresentação em público, abrindo o concerto duns rapazes já mais batidos nestas andanças será, sem dúvida, o evento do ano, graças ao maravilhoso elenco, artistas residentes e convidados e aos DJ's que vão animar a noite num fantástico baile (adoro esta palavra - baile) pós-espectáculos.


A não faltar, até porque a malta quer ir ao Europa Cantat 2009 na Holanda e as receitas da festa são para ajudar a financiar tão nobre causa.

Não me falhem, queridíssimos leitores, sabem que vos amo a todos, certo?

E pode ser que haja brindes, prémios e assim (esta se calhar não pega...) . Mas há comes e bebes, isso há.

dezembro 18, 2007

gente daqui

Entra-me gabinete dentro já ao fim do dia a Rosarinho, prima desta menina e também desta, embrulhinho debaixo do braço e eu a adivinhar a coisa mas sem querer dar o ar, e se não fosse?, que vergonha, não é verdade?

Pois a Rosarinho com alguns rodeios em vez de ir directa ao assunto como é seu hábito, então não foste no sábado ao lançamento do livro da Ana, as primas ficaram com pena de não te conhecer e eu pois foi, o frio, o trabalho, a preguiça, não fui, e nada de tirar o embrulhinho debaixo do braço, mais conversa de circunstância, trabalho, Natal e blablabla, quando finalmente lá se decide, agarra no pacotinho e diz toma, é para ti.

Lá dentro o meu primeiro presente de Natal vindo de um amigo. Isto:


Na página de título o autógrafo da autora:

Para a Teresa, coleguinha de "blog" e amiga em breve, espero! beijos Ana.

O prefácio, escrito por outro amigo comum, e meu de longa data traz a sua assinatura "ti Jaquim".

Ah Rosarinho, minha querida, caganda prenda! É sempre diferente ler um livro quando conhecemos o autor, mesmo que o conhecimento seja por enquanto apenas virtual.

E para a Ana, os meus parabéns! Como ainda não li o livro, para já só posso dizer que a fotografia da capa é bonita, o papel de boa qualidade e a lombada ondulada. Espero poder fazer dentro em breve uma apreciação um nadinha mais profunda.

dezembro 17, 2007

água suja

Ontem, na reunião de organização da festa do coro (a anunciar brevemente neste blog), enquanto cada um dizia o que podia levar, R, ligado ao comércio da restauração, disse:

- eu levo 500 garrafas de água.

Mais tarde, ao perceber que o leque de bebidas não era muito variado, perguntei eu:

- Ó R, e se trouxesses antes 250 garrafas de água e 250 de coca-cola?

Resposta:

- Recuso-me a comercializar a água suja do imperialismo.

A coca-cola dava jeito na festa. Mas gostei da resposta.

Ainda perguntei:

- Então e se for pepsi ou canada dry (ainda existe?)?

Nariz torcido. Fiquei a pensar se a recusa seria mesmo por causa do imperialismo...

3.300 metros quadrados...

...de livraria fizeram-me pensar que ia lá encontrar este mundo e o outro.

A nova Byblos nas Amoreiras é bem agradável. Espaçosa, poltronas por todo o lado, cafetaria/bar, auditório, wc, terminais informatizados para busca e montes de livros, mas...

Pesquisei a existência de algumas raridades, nada...

Gostei:

Do ambiente luminoso, da música de fundo, da forma como os livros estão arrumados, da existência de uma boa colecção de livros de bolso a preços mais acessíveis.

Faltou-me:

Um bom stock de banda desenhada; uma boa colecção de livros sobre música; uma secção de revistas mais variada; mais cd's e vídeos; mais livros de autores lusófonos não portugueses - África resume-se a Mia Couto, Pepetela e pouco mais, Brasil a Jorge Amado, Erico Veríssimo, Machado de Assis, imenso Paulo Coelho :-P e quase mais nada...

Encontrei:

para mim, The Kill Bill Diary de David Carradine



para o rebento, o 2 em 1 de Sacha Baron Cohen, mais conhecido por Borat:



Espero:

Que tenham aberto a livraria à pressa para o Natal e ainda tenham o armazém cheio de livros para arrumar.

dezembro 16, 2007

entomofobia

Pois caríssimo(a) leitor(a), nada mais simples.

A primeira coisa a fazer será, sem dúvida, visitar o Falabarata.

Seguidamente há que fazer este teste simples:

1 - Imagine que abre a sua cama para se deitar e o lençol fervilha em preto e castanho de baratas e centopeias. Você:

a) diz para os bichos: cheguem-se para lá e dêem-me um espacinho que tenho sono;
b) mata tudo à vassourada, muda o lençol e dorme tranquilamente;
c) desata aos gritos, arregaça as calças, sobe para a cadeira mais próxima e só volta a pôr o pé no chão quando alguém vem tratar do assunto. No dia seguinte contrata uma empresa de desinfestação e vai dormir para o hotel até a crise passar.

Se a sua resposta for a), b) ou c) você não sofre de entomofobia.

2 - Imagine que abre o açucareiro e uma formiga se passeia tranquilamente sobre o açúcar. Você:

a) desmaia.

Se a sua resposta for a) você sofre, sem qualquer dúvida, de entomofobia.

dezembro 11, 2007

aprendi a nadar...

...numa piscina em Braga o que deve ser invulgar para uma miúda alfacinha de 10 anos.

Nessa altura, havia todos os anos no Verão uma feira ligada à agricultura, a AGRO-XX em que XX representava os últimos dois dígitos do ano. O meu pai ia para essa feira em representação da Direcção Geral das Florestas e por dois ou três anos fui com ele. Como eu devia importuná-lo sempre por ali a cirandar, pôs-me numas aulas de natação na piscina (municipal?) e assim aprendi a não ir ao fundo.

Íamos uns dias antes para preparar o stand e ficávamos lá durante a feira. O stand do meu pai cheirava muito bem, a resina, a eucalipto, a madeira cortada. Havia secções de troncos de madeira para contar os aneis de crescimento e assim saber a idade da árvore e as vicissitudes pelas quais tinha passado, havia pinhas, havia cenas montadas com resineiros, havia bloquinhos de todos os tipos de madeiras, havia colmeias, havia cubos de pez de várias cores, havia coisas feitas de cortiça e havia o Sr. Silvano.

O Sr. Silvano era um regente agrícola que trabalhava também na DGF mas sediado no Porto e que dava apoio ao meu pai em tudo aquilo. Um dos maiores apoios que o Sr. Silvano deu foi tomar conta de mim. Devia-me achar graça o Sr. Silvano. Era um homem grande, moreno, de cabelo ondulado e bigode farfalhudo, com pinta de cigano. Passeava comigo pela feira, insistia para eu comer tudo (eu era um pisco que não gostava de nada) e fazíamos intermináveis torneios de batalha naval que depois se prolongavam em postalinhos trocados durante o resto do ano: "Querido Sr. Silvano: a sua última jogada foi água! aqui vai a minha 2h2i2j".

O Sr. Silvano ganhou o hábito de comentar cada frase minha com um "bonitas palavras prantou a menina Teresinha!" pois da primeira vez que aquilo lhe saiu toda a gente achou graça. Ao ponto de o meu pai já não aguentar e lhe cortar sempre a frase com um "oh homem, cale-se com isso, pá... já não o posso ouvir!"

Bom homem o Sr. Silvano, paciência para me aturar a mim, ao meu pai e à parva da mulher que foi com ele uma vez e me olhou com um ar enciumado que não escapou à ingenuidade dos meus 11 anos... Muito ele devia comentar lá em casa as bonitas palavras da menina Teresinha para a cara metade chegar a tal insensatez. Eu era miúda pequena mas aquilo tocou-me ao ponto de nunca mais ter querido ir com o meu pai para as AGROS.

Soube aqui há tempos que tinha morrido o Sr. Silvano. Hoje, não sei porquê, lembrei-me dele.

dezembro 10, 2007

legs challenge - prémios

Ora bem, já que me meti nisto, agora tenho de acabar não é verdade?

Em primeiro lugar, a resposta: a pernoca da tcl é, efectivamente, a 3ª no sentido em que a bichinha pirilau se desloca, ou seja, a contar da esquerda.

Há 4 prémios a distribuir e os nomeados são: Mad, Zé SC, Anónimo, Barata(s) e Centopeia.

O 1º prémio ou prémio ele há horas de sorte vai para a Mad que, sem nunca me ter posto a vista em cima, acertou em cheio. Intuição feminina, com certeza... Deve ter pensado: uma gaja que escreve assim, só pode ter aquela perna.

Clap, clap, clap, clap!

O 2º prémio ou prémio morde aqui a ver se eu deixo vai ex-aequo para Barata(s) e Centopeia, porque me parece que são uma e a mesma pessoa que atirou aquela do "eu sei de quem são as pernas todas", mas não sabe nada. Parabéns pela tentativa e pela sorte no arremesso.

Clap, clap, clap, clap!

O 3º prémio ou prémio caganda lata vai para o Anónimo, porque tenho quase a certeza que me conhece bem demais.

Clap, clap, clap, clap!

Finalmente uma menção honrosa, o prémio tu estás é a precisar de mudar de óculos, vai para o Zé SC que não se dignou a olhar para a minha perna com a devida atenção das vezes que fui piscinar lá a casa.

Clap, clap, clap, clap!

E pronto. FIM deste primeiro concurso parvo.

chegadinhas de paris...


... aguardam ali em cima da mesa que eu acabe o que estou a ler para começá-las.



Com elas veio un fromage de chèvre, un tiers de quatre-quarts (mais conhecido por "bolo das tias") e une belle veste en laine noire et grise (eu tinha pedido uma blusita, mas pronto).

Não fossem estas visitinhas do meu vizinho à terra e lá teria de comprar as bd's na Amazon...

Quem, como eu, gosta de banda desenhada diferente da habitual, moderna, alternativa, está lixado neste país. Nem na FNAC, nem em lado nenhum. Vamos ver se nesses 3.300 m2 de livraria que estão quase quase a abrir nas Amoreiras a coisa muda.

dezembro 09, 2007

assim a modos que uma cartinha ao JRS

Isto já começa a parecer uma perseguição, mas juro que não é. As coisas passam-me à frente e, que querem, não posso deixar de as ver...

A propósito do êxito das suas produções literárias, José Rodrigues do Santos disse numa entrevista: "Não gosto de ler romances que não tenham uma história". Não sei se a frase era exactamente assim, mas era isto.

Oh Zé, francamente... O que é um romance? hum?

Não? Nem mais ou menos, assim um bocadinho?

Ok, eu dou uma ajudinha; vejamos então uma definição simples daquelas que vêm no wikcionário: "Romance - Narrativa em prosa onde são relatados factos imaginários embora possam ter sido inspirados em histórias reais".

Já está quase? Ainda não? Nem espremendo os 3 neurónios sobresselentes?

Façamos um zoom. Wikipédia: "O Romance é o género mais conhecido da literatura. Herdeiro da epopeia, é tipicamente um género do modo narrativo, assim como a novela e o conto." ou ainda: "Romance – é um texto completo, com tempo, espaço e personagens bem definidos de caráter verossímil."

Nem assim? É preciso fazer um desenho? Olha Zezito para a próxima dizes assim: "não gosto de ler ensaios, nem poesia, nem o rótulo do desodorizante" ou "não gosto de ler livros que não contem uma história". Dizes aquilo que queres sem mostrar a tua ignorância, topas?


e lá foi ele

Este rapaz aqui há tempos teve a ideia de fazer um blogue para oferecer. Quem o recebe, põe um post e passa-o a outro blogger. O resultado é uma simpática salganhada.


Como me veio parar às mãos, lá cumpri o meu papel.

Boa viagem, blogue... e votos de óptima continuação por essa blogosfera fora!

dezembro 07, 2007

camping 2

Afinal Kadhafi acabou por ficar acampado no forte de S. Julião da Barra. Para quem está habituado às areias do deserto, digamos que será pelo menos uma experiência diferente.

Não sei é como é que conseguiram enfiar naquele sítio as 200 ou 300 pessoas que fazem parte da comitiva.

Às tantas têm tendas duplex.

segurança

Li hoje no jornal que, para garantir a segurança de presidentes, ministros e acompanhantes na cimeira Europa / União Africana, as polícias de todo o País disponibilizaram centenas de efectivos para virem para Lisboa.

Boa oportunidade para os meliantes da província trabalharem mais à vontade.

dezembro 06, 2007

la linea e mozart

Vi hoje por aí que fazia 216 anos que Mozart morreu.

Ainda bem que dei por isso, senão não deixaria aqui esta referência ao Wolfgang, sei lá estas coisas de datas... Sempre que penso neste homem, lamento que tenha morrido tão novo. Imaginam o que teríamos hoje para nos deliciar os ouvidos se ele tivesse vivido mais uns 40 anos? Vá lá, nem que fossem 20. Ou mesmo 10 ou 5, ao ritmo a que ele produzia... Que pena!

Mesmo assim deixou-nos IMENSO.

Em especial para quem é menos dado a música erudita deixo aqui uma peça com La Linea, que também adoro. Assim, se quiserem ver a animação até ao fim, têm de levar com o piano de Amadeus.

dezembro 04, 2007

loucos de lisboa

Venho para aqui todas as noites

Ele está lá todas as noites que por ali passo

com o meu sobretudo preto e o saco de plástico branco na mão-esquerda. Se calha ser Verão, não trago o sobretudo por causa do calor mas nunca me esqueço do saco.

sempre com um saco de plástico branco na mão, vestido de preto e de cabeleira branca,

Ponho-me junto a este semáforo no Saldanha ou um pouco mais abaixo na Av. Fontes Pereira de Melo,

umas vezes no Saldanha, outras um pouco mais abaixo

sempre ao pé de uma passadeira que não atravesso. Limito-me a ficar parado aqui onde quase todos dão por mim, a ver os carros que passam e a acenar às pessoas que vão lá dentro.

e diz adeus a quem passa, num doce balanço que acompanha o carro enquanto abre um sorriso desdentado por detrás dos óculos de lentes grossas.

Algumas, muitas, já me conhecem e respondem-me: abrem as janelas, deitam os braços de fora, por vezes as cabeças, e dizem-me adeus enquanto se riem. Outras, limitam o cumprimento a um discreto pi-pii!.

Se vou a guiar dou-lhe uma leve buzinadela, se vou ao lado abro a janela, rio-me para ele e aceno-lhe.

Eu, inclino-me para a frente, faço um sorriso que me faz subir os óculos de aros de massa preta que uso desde sempre, abano a mão direita num gesto de adeus e deixo o meu tronco acompanhar os carros que passam da esquerda para a direita.

Não sei porque faz isto, mas sinto que gosta que lhe respondam. Já o vi ao fim da tarde no Restelo

Não sei porque faço isto, mas gosto. Saio todos os dias da minha casa em Belém, subo ao Restelo, apanho o autocarro e venho para aqui dizer adeus e sorrir. Regresso a casa no último autocarro.

caminhando com o seu saco de plástico na mão. Nessas alturas não sorri, nem diz adeus a quem passa.

legs challenge


Falabarata inicia hoje uma nova rubrica denominada "concursos parvos".

Veremos se a inspiração não me falha para lhe dar continuidade. Também se falhar, não é grave.

Pois a ideia para o primeiro concurso surgiu agora mesmo a partir de uma fotografia das férias (bem elucidativa das actividades balneares) que uma amiga acabou de me enviar e que eu, sabiamente, cortei.



Consiste tão simplesmente em adivinhar quais são as pernocas da tcl.

Simples, e com grandes hipóteses de acertar dado que temos apenas 7 pernas (as que estão em segundo plano não contam).

Se houver concorrentes, logo penso no prémio.

mania das grandezas

E se, quando no Sábado o meu cabeleireiro me perguntou:

- Então quanto é que vamos cortar?

eu tivesse repondido "dois dedos" em vez de me abalançar para "uma mão travessa", os meus espelhos e eu estaríamos todos mais contentes.

Raio de ideia mais tonta, caraças...

dezembro 03, 2007

what ?!?!


Bolas... Anda uma pessoa aqui a esforçar-se (às vezes) para escrever coisas minimamente interessantes e depois encontram-na com buscas destas...

Não tarda, desisto.

novembro 30, 2007

olhar para mamas boas...

...dá saúde aos homens, segundo a opinião de Júlio Machado Vaz, pessoa por quem nutro grande apreço.


Fico porém com duas dúvidas:

1 - Se as mamas forem más (mal-feitas, penduradas, velhas) os efeitos são os mesmos?

2 - E as mulheres? Para onde devem olhar para poderem usufruir do mesmo benefício para a sua saúde? Para os peitorais musculados qb e pouco peludos de um homem ou para um rabiosque jeitoso? Será que já se fez um estudo equivalente para mulheres? Eu não me importo de participar nas condições atrás referidas.

cirque du soleil...

...quase às escuras.



Ontem, Pavilhão Atlântico, grande excitação, grande expectativa. Nunca tinha assistido a nenhum espectáculo desta companhia de que toda a gente me tinha dito o melhor possível. Lembrei-me do Cirque Plume que vi há alguns anos na mesma sala e que adorei e estava à espera de algo semelhante.

Pronto, eu sabia que o Cirque du Soleil tem vários espectáculos em cena simultaneamente pelos quatro cantos do mundo e que este em particular, "Delirium" de seu nome, era diferente do habitual, mais musical, mais multimédia, mais côr, mais dança e movimento e menos acrobacia. Até aqui tudo bem e parece que até corresponde àquilo a que se propõe com bastante qualidade.

E digo "parece" porque, e é com este "parece" que estou absolutamente LIXADA, devo ter visto aí 1/3 do que era suposto ver, já que os outros dois terços do meu campo de visão estavam ocupados por ombros e cabeças. Vai uma pessoa para a plateia convencida de que paga mais um tiquinho mas vê melhor e mais confortavelmente e, na volta, fica sentada em cadeiras duras numa plateia plana virada para um palco com altura incompatível com a dita plateia.

Ao princípio ainda me estiquei, dobrei uma perna debaixo do rabo, espreitei para a direita, para a esquerda, até me doer o pescoço e o vizinho de trás me dizer: "a senhora estabilize, que eu assim não sei por qual lado hei-de espreitar"; "espreitar, queria eu", respondi-lhe. Tentei pois estabilizar, até porque os meus esforços se traduziam em pouca ou nenhuma melhoria. Às tantas desisti e quase adormeci no escuro rodeada de cabeças.

Inadmissível que se vendam bilhetes para um espectáculo destes nestas condições.

novembro 27, 2007

portas


Tenho este sonho que se repete em noites mal dormidas: uma porta que fecho e que fica sempre aberta. Empurro-a bem, ouço o clique da lingueta na fechadura, viro costas e aquele friozinho nas pernas como quem diz

Vês, está aberta de novo.

Volto para trás, constato a porta entreaberta, verifico o trinco, empurro de novo, clique sem qualquer dúvida nos meus ouvidos, afasto-me à socapa com pezinhos de lã a ver se a apanho distraída e outra vez a corrente de ar que me lambe os pés, parece-me ouvir um risinho trocista e lá está ela a abanar, pouco mais que encostada, como se esperasse alguém.

Passo a noite a fechar uma porta que teima em manter-se aberta, só assim uma nesgazinha a ver se não dou por ela, e nunca consigo.

Quando acordo, a porta está sempre fechada.

foto de JFD

novembro 26, 2007

des bombons dans ma BAL


Hoje na minha caixa do correio, na minha Boite Aux Lettres, a relembrar outros tempos, um monte de bombons à solta, daqueles les pyrénéens que não há cá, que eu ADORO e que me encheram o bolso de felicidade antecipada ao prazer de os derreter lentamente e bem gelados na minha boca.

A acompanhar um postal que dizia: je pensais t'en donner au cinéma, pas possible alors j'ai recouru à une vieille méthode que tu connais

J'ai toujours aimé cette méthode à toi.

novembro 24, 2007

eu prometo...


... que não vou passar a vida nisto. Blogue que se preze, deve ter coisas mais interessantes para dizer e ser menos, digamos, autofágico.

Mas não resisti a esta. Perdoem-me os brasileiros que me lêem, mas as buscas mais incríveis vêem muitas vezes dos brasis. Algumas, como esta, incompreensíveis...

Seria o quê exactamente que procurava este cibernauta? Uma anorética enfiada num petit-four para fazer sucesso numa festarola?

novembro 22, 2007

e aqui temos ...

... mais um pequeno filme do... grande, incrível, fantástico JP!



gente, isto é o meu filho.

camping




Parece que "Kadhafi recusa-se a ficar num dos 11 hotéis já reservados para as 127 delegações que vão estar presentes na capital. O número 1 do Estado líbio quer ficar instalado na tenda que irá trazer, havendo, por isso, que encontrar um espaço na cidade onde a instalar."

Já não nos faltavam cá os malucos nacionais, ainda temos de aturar os malucos dos outros. Esta mania do sr. coronel ou general ou lá o que é, de querer acampar em tudo quanto é país aonde se desloca, vai-nos custar cara à conta da segurança e trapalhadas inerentes à coisa.

Para já estão indecisos quanto ao sítio onde o homem vai montar a tenda, pensando-se em Belém (ali mesmo em frente à torre, ficava fixe, hein?), no Parque das Nações, no Parque da Bela Vista... Já agora, porque não no Jardim da Estrela? Com jeitinho arranjava-se lá um canteirito para o gajo, aquilo tem facilidades sanitárias e é vedado.

pois também...

... gostaria de saber mas não sei. Lamento não poder ajudar.

Terá vindo ao engano... Espero que tenha gostado do resto.

novembro 21, 2007

e, quando ele perguntou...

... :

- Há mais alguma coisa que queiras fazer comigo que nunca tenhamos feito?

Ela respondeu docemente:

- Não, acho que já fizemos tudo.

Ele sentiu-se tranquilo. Tinha-a levado a passear e ao cinema, tinha-lhe comprado um vestido de chita, um anel com uma pedra azul e um ramo de flores, tinha-lhe mostrado a praia onde ia de camioneta com os padrinhos nos fins-de-semana de Verão. Ultimamente, não havia Domingo à tarde em que não a levasse a ver as lojas do Centro Comercial. Caminhavam de mão dada, comentavam as mudanças que a nova estação trouxera às montras, os preços dos artigos e, no final, sentavam-se para beber uma imperial acompanhada dum pratinho de tremoços.

Não reparou na sombra fugaz nos olhos dela.

Tanta coisa que não fizemos e nunca vamos fazer...

novembro 19, 2007

meninas na Índia


Goa, 2005

Hoje depois do jantar, contrariamente ao que é habitual, deixei-me ficar a remanchar no sofá em frente da televisão. No zapping dei com uma reportagem que passava na Sic N sobre as meninas indesejadas na Índia. Já todos conhecemos esta história: uma sociedade em que os casamentos são arranjados pela família, em que é um estigma social não casar os filhos, em que as filhas têm de ir acompanhadas de chorudos dotes que arruinam as famílias.

Isto significa que ter um filho é encarado como uma riqueza que vai um dia entrar na família, ter uma filha equivale a ruína daí por uns anos.

A reportagem acompanhava uma mulher que gere um asilo para crianças abandonadas, nos seus esforços para mudar as mentalidades das pessoas: convencer as mulheres a não abortarem quando sabem que a criança que geram é do sexo feminino ou a não abandonarem as meninas recém-nascidas; tentar, na internet (!), arranjar para as suas protegidas maridos pertencentes a famílias que não exijam o dote; construir um abrigo do lado de fora do asilo para as mulheres deixarem as suas meninas protegidas do tempo, em vez de largadas no chão.

Os abortos de bebés do sexo feminino dão-se, curiosamente, tanto em famílias pobres, como em famílias da classe média/alta, onde a questão do dote parece, à primeira vista, não acarretar problemas. Nas aldeias festeja-se o nascimento de um rapaz durante 7 dias e ignora-se o nascimento das raparigas. As grávidas medicam-se e seguem a gravidez com cuidado se sabem que vão ter um rapaz e descuidam-se com a sua própria saúde se esperam uma menina. Faz impressão ver uma mulher dizer que um filho traz alegria e uma filha só traz tristeza, quando ela própria é uma mulher.

Com tudo isto, há regiões da Índia em que a quantidade de mulheres é já 20% inferior à dos homens que correm assim o risco de não arranjar mulher senão a centenas de km de distância. E mesmo assim as coisas não mudam.

Na minha cabeça de ocidental nada disto faz sentido. Pareceria lógico, se pensarmos puramente em termos de mercado, que, sendo a mulher um bem escasso, teria maior procura e aumentaria o seu valor. Mas não. As tradições continuam a ter um peso que se sobrepõe à lógica.

Admirei a coragem e a abertura de espírito daquela mulher, que senti sozinha a lutar contra um infindável exército sem outra arma que não a sua boa vontade.

novembro 18, 2007

frio...

Há uma semana que o gato não me chega e, consequentemente, durmo com o aquecimento do quarto ligado.

Hoje ao jantar tive de ligar o da sala.

Mau... já que parece que o Inverno chegou, ao menos que chova.

Não é que eu goste de chuva, a bem dizer detesto-a, mas a terra está a ficar seca que nem um bacalhau velho, por isso se é para ter Inverno então que o tenhamos como deve ser, não é?

Só neste país, caraças... É sempre tudo pela metade...

novembro 15, 2007

mind the dog

Não, não, o cãozinho não estava à venda.

Era mesmo só para guardar os carimbos.

kunming, 2005

flores na rua


Sim, sim, podem dizer que vão ali dois polícias, mas mesmo que não fossem.

Ninguém mexe. Se fosse cá os vasinhos não passavam da primeira noite e no dia seguinte estavam à venda às portas do Alto de S. João ou, na melhor das hipóteses, a florir janelas por aí.

Outras culturas...

kunming, 2005

tcl

Quando fui à China, dei com isto por todo o lado.

kunming, 2005

Não me sabia tão popular, nem esperava tal recepção.

Fiquei muito sensibilizada.

me gustas tu

Manu Chao saiu com um disco novo. Ainda não ouvi.

Entretanto, relembro as músicas antigas de que mais gosto

(...)
Me gusta el viento, me gustas tu.
Me gusta soñar, me gustas tu.
Me gusta la mar, me gustas tu.
(...)

Que voy a hacer, je ne sais pas
Que voy a hacer, je ne sais plus
Que voy a hacer, je suis perdu
Que horas son, mi corazón

novembro 14, 2007

scones

Por enquanto os filhos vêem sem manual de instruções; no futuro... já não digo nada.

Bem podemos conversar sobre pedagogia com outras pessoas, relembrar a nossa própria infância e a nossa juventude, ler livros especializados, mas o facto é que entramos nesta aventura de ser pais sem qualquer experiência, sem rede, sem nenhum plano que possa ser cumprido à risca, quanto mais não seja porque os miúdos são pessoas únicas no mundo e quando menos damos por isso trocam-nos as voltas e seguem o caminho que muito bem lhes apetece.

Esta fase de final de adolescência, às portas de entrar no mundo dos adultos, é para muitos pais um verdadeiro drama. É nesta altura que muitos meninos até então "bem comportados" viram completamente para o lado errado. E essa viragem pouco tem que ver com o que os pais possam ter feito no que à educação diz respeito. Sem querer ser fatalista, o que verifico é que estamos perante uma roleta russa. Acontece com uns, com outros não, por apetência, pelas companhias, pouco importa.

No entretanto vamos fazendo o melhor que o bom senso e o instinto nos indicam, cruzando os dedos e vendo o que se passa.

Hoje quando cheguei a casa mais morta que viva depois de um dia maluco de trabalho, dei com o meu filho a preparar-se para ir pôr a namorada a casa. Antes de sair, disse-me:

- Aproveito e levo o cão a passear. Vamos jantar fora ou queres que traga alguma coisa?
- Estou esbodegada e sem energia para sair. Por favor passa pelo talho e traz meio quilo de carne picada.
- Ok. Ah... fizemos scones para o lanche. Deixámos dois para ti. Ainda estão mornos.

Na mesa da sala, um pratinho com dois scones envolvidos num guardanapo para não arrefecerem esperam por mim. Estão deliciosos, leves, melhores do que os que eu faço. Na cozinha, as chávenas de chá e outra louça suja convenientemente empilhada no lava-louças.

Não sei o que nos trará o futuro. Mas, por enquanto, parece-me que as coisas não estão a correr mal.

novembro 12, 2007

diálogos de fim de dia

- Posso?
- Claro, entra. Acabaste aquilo que te pedi?
- Sim, mas não consegui enviar o ficheiro por e-mail. Está aqui na pen.
- Este servidor anda cada vez pior. Dá cá a pen então.
- ...
- ...
- Que tal ires a "o meu computador"?
- Sim, sim... estava a pensar noutra coisa, desculpa.
- frummm, frummm, frummm.
- E se parasses de sorver o ranho enquanto estás aí atrás de mim?
- Não é ranho pá, é alergia, oh: frummm, frummm, vês, não tenho cá nada.
- Está bem, mas enoja-me à mesma.
- E eu quero lá saber...! Estou farto disto. Tenho obras em casa e fico assim por causa do pó.
- E eu ralada com o teu pó...! Por mim podes ter o pó todo do mundo, a ver se isso me incomoda.
- frummm, frummm, frummm, frummm, frummm, frummm.
- Ok, estás cansado e eu também, vamos mas é embora.
- Isso.
- ...
- E se me desses o coisinho?
- Ah, a pen! Estava a ver se te esquecias... Fixe, esta pen.

Conversa altamente improvável, ainda por cima em tom de chacota de lado a lado, quando o meu pai era chefe.

Os tempos mudam... Felizmente para melhor!

novembro 11, 2007

truques para falar em público



O comentário que RV (que devia ter um blog e não tem) me deixou aqui fez-me lembrar as doutas recomendações que foram dadas aos alunos por um querido e já desaparecido professor que tive na faculdade, em vésperas de apresentação pública de um trabalho que tínhamos feito, já em tempo de estágio.

A coisa ia passar-se num auditório que a minha fraca memória não me permite já localizar, mas recordo-me bem que a assistência era composta sobretudo por professores universitários doutras faculdades, alunos e outros académicos.

Nós íamos apresentar um trabalho de grupo, com exposição oral, apresentação de slides, enfim, uma coisa de alguma responsabilidade e, pouco habituados àquelas lides, estávamos todos em pánico profundo.

Foi aí que o nosso mestre nos explicou o truque que, dizia ele, usava desde sempre com resultados garantidos:

- Não há nada mais simples: vocês sobem ao palco e imaginam que toda aquela assistência engravatada está sentada não em poltronas mas sim em sanitas, com as calças convenientemente puxadas para baixo. Isso deixa-vos desde logo em posição de infinita superioridade pois vocês estão em pé e vestidos. Experimentem; vão ver que darão muito menos importância a quem vos está a ouvir e vai tudo correr bem.

A ideia pareceu-me boa. Quando chegou a minha vez de falar, levantei-me, caminhei até ao microfone sobre as pernas gelatinosas e com o coração aos saltos e olhei para a assembleia. Semicerrei os olhos e imaginei toda aquela gente de calcinhas para baixo ou de saias arregaçadas sentada em sanitas de várias cores. A imagem que se me formou na cabeça era de tal forma cómica que me deu uma louca vontade de rir. Acho que o esforço que tive de fazer para controlar as gargalhadas foi maior do que o que teria feito para que não me tremesse a voz, mas lá consegui ultrapassar a prova menos mal.

Ainda hoje detesto falar em público e, felizmente, raras vezes tive de o fazer. Mas, se a tal sou obrigada, não deixo de pensar nas sanitas e nas calças para baixo e o facto é que me consigo sentir numa posição de vantagem que me diminui a nervoseira.

novembro 09, 2007

os esposos não falecem

A propósito duma conversa que tive há dias com uma blogamiga e dumas coisas que li hoje por aí (não, não digo onde), vamos lá ver se nos entendemos:

- A forma correcta de dizer "O esposo da Maria faleceu" é: "O marido da Maria morreu". Querendo, pode-se utilizar uma linguagem mais vulgar como "O gajo da Maria atou as botas". Idem, para o Manel: "Morreu a mulher do Manel" e não "Faleceu a esposa do Manel". Ahrgggg!

E escusam de me chamar snob.

Sempre dei dois beijos quando as tias davam só um e, mesmo agora que elas dizem que se deve dar dois porque o povo todo já só dá um, eu continuo com os meus dois, três para os amigos do peito.

Também só me refiro à minha mãe como "a mãe" quando falo com o meu irmão, que é a única pessoa do mundo que partilha esta mãe comigo.

Agora, "esposo/a" e "falecer", por favor...

sustentar a adolescência

- Não deixes comida no prato. Se não querias isso tudo, tivesses tirado menos.
- Eu sei, desculpa, mas não me apetece mais.
- Tens de comer tudo. Há gente a morrer de fome por esse mundo fora.
- De qualquer forma não iam comer isto que está no meu prato.
- Pois não, mas é uma questão de princípio. Não se deita comida fora quando há pessoas com fome.
- Nunca percebi esse argumento. Os que têm fome têem-na à mesma quer eu coma isto quer o deite no lixo.
- Bolas, se não percebes, come e cala-te. É uma forma de estar no mundo: não desperdiçar.
- Não, não percebo.
- É como reciclar, não gastar água à toa, nem electricidade, é a mesma coisa. Os recursos são escassos e cada vez mais.
- Está bem, mas os outros não iam comer o meu arroz.
- Não iam eles, ias tu. Amanhã, ok? E já não ia para o lixo.
- Pronto, pronto, mas não me apetece mesmo mais.

Irra, como é que eu enfio os princípios do desenvolvimento sustentável na cabeça do rapaz se nem consigo convencê-lo a terminar o prato?

novembro 07, 2007

vacas magras

"Visto, Arquive-se"

"Concordo, é de autorizar"

"Concordo, é de indeferir"

"Sr. Arqto. X, para prosseguimento"

"Sra. Engª Y, para analisar e informar"

"Secretaria, oficiar o requerente em conformidade"

"Ao Departamento XPTO, julgo que este assunto é da V. competência tendo, por lapso, dado entrada nos nossos serviços"

"Secretaria, informar o requerente que de momento, por constrangimentos financeiros, não nos é possível proceder à reparação solicitada"

"Solicita-se parecer do Núcleo Jurídico"


Foi para isto que andei a queimar pestanas durante 5 anos? Montes e montes de papeis em que escrevo tretas como estas todos os dias...

Já não há pachorra, nem saco, nem cu que aguente.

Se ao menos acabassem os "constrangimentos financeiros"...

Alguém que me leve de regresso ao tempo das vacas gordas por favor.

novembro 06, 2007

não há dúvida...

não sei pôr isto tudo bonitinho (alguém que me ensine, por favor) mas realmente as buscas que vão parar ao meu blogue são muito mais decentes do que as desta miúda aqui.

Referring URL http://www.google.co...pwst=1&start=20&sa=N
Search Engine google.com.br
Search Words boas maneiras no namoro
Visit Entry Page http://falabarata.bl...ranjar-parceiro.html
Visit Exit Page http://falabarata.bl...ranjar-parceiro.html

"boas maneiras no namoro"...classe...

novembro 05, 2007

roupas, cabeças, simplificação


Passou-se todo o Verão e foi necessário recomeçar as aulas na SNBA para, finalmente, fazer este post que estava à espera na gaveta desde Junho quando terminaram as aulas do 3º período.

Aqui e aqui contei o que fizemos nos dois primeiros. No início do 3º, conforme previsto, os modelos vestiram-se (oh...!) e toca a treinar nas roupinhas o que tínhamos aprendido nas aulas de panejamento. A bem dizer não se vestiram muito, uma camisolita de manga curta, um panito pelas pernas, já que havia que desenhá-los primeiro tal como o Senhor os deitou ao mundo e depois, sobre um papel de esquisso

isto fez-me lembrar um dos inúmeros e improváveis slogans que inventámos há uns anos, numa noite de insónia e risos, para uma empresa que forneceria serviços de desenho para apoio a gabinetes de arquitectura: "esqueça o esquisso, nós tratamos disso"...

colocado sobre o primeiro desenho, vesti-los. Assim:



Depois desta fase, passámos ao estudo detalhado da cabeça (por fora, obviamente, se não a coisa teria sido ainda mais complicada).

Como lá na SNBA gostam muito do desenho de contorno cego

já expliquei: basicamente olha-se para o modelo e não para o papel; enquanto os olhos seguem o contorno do modelo, o lápis tenta reproduzir o mesmo no papel, a sentimento e com muita concentração

tivemos de fazer uns quantos ensaios de contorno tridimensional. Com algum treino e uma ligeira batota (rabinho do olho de esguelha) o melhor que consegui foi isto:


Na fase seguinte e depois de supostamente nos termos apercebido bem do relevo da cabeça (mais uma vez falo do objecto) lá nos puseram uns bustos de gesso no centro da sala e toca a desenhar, primeiro em contorno, depois tentando dar volume com claros e escuros a cera. Bom, destes últimos prefiro não mostrar nada... Os resultados não foram famosos, sobretudo quando se tratou de desenhar o colega em frente. Ia havendo pancadaria naquelas aulas... então quando alguém achava que tinha feito um bom trabalho e dizia: olha aqui! vê lá se não ficaste parecida... os sorrisos amarelos não chegavam para esconder as faíscas que deitavam os olhos...

O que posso mostrar é só isto para dar uma pálida ideia do que se pretendia (atenção: SÃO TUDO BUSTOS EM GESSO, OK? NENHUM COLEGA, CERTO?):




Quando já não podíamos ver uma cabecinha que fosse à nossa frente e já só grunhíamos uns com os outros, eis que chega a parte final do 1º ano: sejamos artistas, inventemos simplificando. Na realidade o grau de liberdade não era muito... Depois de termos uma ou duas sessões de desenhos com volume em poses de 5, 10 minutos com as malfadadas ceras (material avesso a ser dominado) em que saiam coisas deste género,



tivemos de, com linhas rectas apostas a linhas curvas, claros e escuros onde nos desse na gana, tentar produzir as nossas obras de arte, sempre duramente criticadas pelos mestres: então, tem duas linhas curvas seguidas... isto aqui parece uma fiada de chouriços... recta/ curva /recta /curva. Bom, dos 7 ou 8 que fiz, o meu filho escolheu estes dois:



E é assim. O resultado não será o que eu queria, mas deu-me imenso gozo e acho que, mesmo assim, fiz alguns progressos. Daí que, queixo-me, queixo-me, mas este ano lá estou eu caída de novo, para o 2º ano do curso, desta feita uma vez por semana em sessões de 4 horas (trabalhos mais demorados assim o exigem)... é que isto agora promete a avaliar pela lista de materiais: pinceis, óleos, acrílicos, pasteis, bata, trapos...

uau! estou em êxtase profundo!

novembro 04, 2007

manual de instruções


os novos suportes que comprei para pôr as bicicletas no tejadilho do carro vinham, e bem, com manual de instruções.

ainda bem que não se esqueceram de incluir este aviso. é que estava mesmo preparada para ir à lavagem automática fazer um dois em um...

novembro 02, 2007

o batata e o xuruca

quem quiser saber o que se passa com eles, pode ir aqui e dar uma ajuda à Mad.

um ano de conversa fiada


Sou tão atenta, que estava convencida que tinha começado este blogue em Novembro passado.

Afinal foi em Outubro e ainda vamos a tempo de assinalar a data com uma nova cara.

Olhando para trás e pensando em tudo o que já aqui escrevi, continuo sem saber muito bem o que cá faço.

Bom, continuemos e logo se vê o que vai saindo, mantendo a ideia inicial das "crónicas, desabafos e o que houver" e constatando que isto tem sido, sobretudo, o couvert.

novembro 01, 2007

cansaço...

Há anos que tenho o meu emprego certinho, que já me deu pica e que agora, graças ao estado das finanças públicas, só me dá tédio e maçadas.

Há anos que, para além do emprego certinho, trabalho à noite em casa para equilibrar o orçamento ao nível a que me habituei.

É assim desde que acabei o curso e comecei a trabalhar. E se ao princípio a coisa era leve e engraçada e fazia noitadas a esgalhar sem qualquer problema, agora só faço noitadas sem problema se for para curtir.

Agora, cada hora de trabalho em casa é tirada a saca-rolhas sendo que, como o instrumento de trabalho é este mesmo em que agora escrevo e onde a net está sempre ligada, cada hora de trabalho significa realmente que estive umas 5 horas no pc, intervalando trabalho com netsurfing...

O pior é quando, nos dias assim bonitos como o de hoje em que só apetece é ir para a praia ou pedalar à beira-rio, decido ficar em casa muito certinha para trabalhar e, feitas as contas ao fim do dia, com o tempo bem arrumadinho bem podia ter ido apanhar sol.

Ou me organizo ou arranjo um emprego que me pague os dois que tenho agora.

Há dias em que me sinto completamente farta de mim e de ser assim como sou.

madeleine peyroux

Para quem, como eu, gosta desta Madalena e para quem não a conhece.
Uma das brancas de voz mais negra que conheço.



Drink up, baby
Stay up all night
Things you could do
You won't but you might

The potential you'll be
You'll never see
Promises you'll only make
Drink up with me now
And forget all about
Pressure of days
Do what I say
And I'll make you okay
And drive them away
Images stuck in your head

People you've been before
That you don't want around anymore
That push and shove and won't bend to your will
I'll keep them still

Drink up, baby
Look at the stars.
And I'll kiss you again
Between the bars
Where I'm seeing you there
With your hands in the air
Waiting to finally be caught

Drink up one more time
And I'll make you mine
And keep you apart
Deep in my heart
Separate from the rest
Where I like you the best
Keep the things you forgot

The people you've been before
That you don't want around anymore
That push and shove and won't bend to your will
I'll keep them still

outubro 29, 2007

coisas que se dizem...

... de manhã, ao acordar:

- então? dormiste bem ou estranhaste a cama?
- dormi bem, dormi bem. mas um bocado naquela do acordo, discordo, acordo, discordo.
- hahahaha!
- estás a rir de quê?
- ....
- Ah! Hahahaha!

fall


Do Outono gosto das cores das folhas secas, do barulho que fazem quando as pisamos, dos dias que nos trazem uma surpresa de Sol, de castanhas assadas e pouco mais.

Não gosto dos dias mais curtos, dos casacos de malha, de ter frio nos pés se tiro as meias, da chuva misturada com vento, do carro embaciado de manhã.

Não gosto sobretudo quando muda a hora e de repente às cinco e meia já é lusco-fusco e chego a casa noite feita com tantas horas ainda pela frente até acabar o dia. Não gosto é pouco. Odeio e entro em contagem decrescente para os dias que faltam até voltar o horário de Verão.

Detesto isto.

por menor...

... que seja a qualidade do ensino cá na terra e por mais que estejamos acomodados a isso há coisas que mesmo assim ultrapassam o limite do razoável.

contava-me uma amiga que dá aulas num curso de arquitectura numa dessas universidades privadas, que quando se preparava para apagar o que o colega anterior tinha deixado escrito no quadro se deparou com a palavra "mudulação" e com a expressão "plano de premenor", entre muitas outras alarvidades.

e há malta que PAGA para ter os filhos nestas escolas...

outubro 28, 2007

mais coisas* a não fazer


1 - poupar um ou dois euros na compra de uma mochilinha com depósito de água própria para andar de bicicleta (também pode ser utilizada noutras situações em que se tenham ambas as mãos ocupadas, como comer camarões cozidos, mas nesse caso será melhor enchê-la com bejeca) e escolher uma sem válvula na ponta do tubo por onde se bebe. Quando nos baixamos para verificar a pressão dos pneus, por exemplo, e devido àquele princípio básico dos vasos comunicantes, a água faz um belo repuxo sem avisar.



2 - pedalar na estrada e tentar subir o passeio de forma a que a roda da frente faça um ângulo francamente obtuso com o lancil (mesmo que venha um carro a apitar atrás de nós). Dependendo da velocidade a que se vai, a única coisa que varia é termos uma queda em slow motion ou em fast motion. Eu ia devagarinho. Fantásticas as novas luvinhas almofadadas nas palmas. Fantásticas também as negras nos joelhos sendo uma acompanhada por esfoladela. (está visto que tenho de procurar umas joelheiras almofadadas).

* outros conselhos aqui

outubro 27, 2007

Afectos no trabalho

Dizia-me hoje uma colega de trabalho que acha que é muito mais complicado gerir um grupo de pessoas quando há afectos envolvidos. Compreendo o que ela quer dizer mas não concordo.

Obviamente que há situações que chegam a tal desgoverno que precisam mesmo de alguém com mão de ferro para as endireitar e, nesse caso, é tudo mais fácil quando nem se conhecem as pessoas com quem vamos trabalhar. Mas, uma vez a casa arrumada, se não se criarem afectos entre as pessoas, a única coisa que se consegue é ser-se odiado pelos outros. E, atendendo a que hoje em dia acabamos por passar mais tempo com os colegas do que com a família, parece-me que os afectos compensam, mesmo com as dificuldades que possam acarretar quando somos obrigados a impôr a nossa autoridade.

O que se passa é que se a amizade for mesmo a sério, se aqueles que dirigimos e que nos dirigem forem também pessoas com quem podemos beber uns copos, soltar umas boas gargalhadas ou chorar no ombro, quando chega a hora da verdade, a malta até pode refilar, não concordar e tal, mas faz. E faz com empenho e bem, porque é amiga.

No meu caso, se os infindáveis e-mails de trabalho não começassem com "L....inha", "M....inho", "T....inha", e não acabassem com "beijos", acho que teria muito mais dificuldade em receber e dar respostas em tempo útil.

Por outro lado, o manancial de afectos que fui construindo, também me permite chegar ao pé de um(a) dos gajos(as) e dizer:

"ouve lá, que é esta merda? queres levar com o chicote ou quê? dá mas é corda aos sapatos e entrega-me o que te pedi há dois dias ou o namoro acaba já aqui!"

E ficamos amigos à mesma.

outubro 25, 2007

ainda o putin

Hoje tive de ir a Oeiras a seguir ao almoço e, contrariamente ao habitual, utilizei a A5. Gosto mais da marginal nestes dias bonitos, para ver o mar, mas sabia que o Putin andava por Belém àquela hora e que o trânsito ia estar cortado.

No regresso constatei que a segurança é tal que a saída da AE para Belém/Algés estava cortada com barreiras. Da AE até à casa do Presidente ainda é um bom pedaço, mas eles lá sabem.

A questão nem é essa. É que os homens da segurança, imagino que seriam solípedes, mas também poderiam ser binómios, quem sabe, em vez de porem a barreira logo junto da AE, não, puseram-na mesmo no finalzinho da via de saída. Espertos, hein? Não sei como é que os desgraçados que entupiram aqueles 100 metros fizeram para sair dali...

put in

Dos vários meios destacados para a segurança de Putin na sua visita a Lisboa, constam, de entre veículos, centenas de agentes e etc, 159 solípedes, 10 binómios e duas bicicletas.

Assim de binómios importantes só conhecia o binómio de Newton.

Quanto a ***pedes, constavam do meu vocabulário os quadrúpedes e os bípedes , mas confesso que solípedes nunca me tinham passado pelos olhos e ouvidos, que me lembre.

Aprendemos sempre imenso quando nos cruzamos com o léxico próprio de determinados grupos profissionais, embora, neste caso em particular, me mantenha na santa ignorância quanto aos binómios. Serão pares de solípedes, correspondendo portanto a 4 solas e respectivos pés?

De qualquer forma, o que mais me espantou nesta notícia foi a presença das duas bicicletas, curiosamente correspondendo exactamente ao número de helicópteros, também 2. Talvez trabalhem em grupo. O helicóptero vai lá em cima, vê qualquer actividade suspeita e contacta rápidamente com a bicicleta que lhe foi atribuída a qual, por sua vez, se deslocará na bisga para o local em apreço.

Mesmo com 1300 agentes, 99 viaturas, 83 motociclos, mais os binómios e os solípedes, parece-me que a segurança de Putin não ficaria completa nem seria eficaz sem as duas biclas.

outubro 24, 2007

amor com amor se paga

Estou estarrecida. Então não é que este menino, com quem tenho o hábito (recente diga-se) de trocar alguns insultos e provocações (para os mais curiosos, vejam-se os comentários deste post e deste e deste) elegeu este meu cantinho como um dos favoritos lá da chafarica dele? É pá, isto para mim é uma grande mais valia, pois o homem tem visitas a dar com um pau e, pela certa vou ter um acréscimo substancial no número dos meus leitores!

Diga-se que este Alf (não, não é o ET em quem estão a pensar mas quase) é um tipo assim um bocado com a mania que é bom (imaginem que se acha parecido com o George Clooney quando, vai-se a ver e afinal é a cara chapada do Malato) mas o blogue até tem graça, apesar de algumas referências de gosto duvidoso à Teresa Guilherme e à Floribela e de alguns posts pseudo-machistas, mas aquilo é só para chamar a atenção.

Bom, visitem lá o gajo que ele ADORA, deixem-lhe comentários, que ADORA também e responde sempre (tipo bem educado, boas famílias com certeza e tal) e a visita não será em vão.

E eu pronto, lá tenho de deixar aqui também o link para o sítio dele, que remédio.

É um tal de "Bom Jardim" para os lados do Porto.

Thanks Alf

outubro 23, 2007

Independência canina


Adoptei o Biskit há 5 anos no Algarve. Tinha sido apanhado na rua e salvo de uma morte certa ou de uma desgraçada vida de cão pela família que me alugava a casa e que, por já ter feito o mesmo a uns quantos cães e gatos, me implorou que o trouxesse.

Contra a vontade do agora meu vizinho, mas rendida àquele olhar de bambi, lá o trouxe, miserável, fraco de pernas, completamente carente de afectos e cheio de medos.

O meu filho baptizou-o em homenagem a uma banda de música duvidosa chamada Limp Biskit, vencendo o meu vizinho que lhe queria chamar Napoleon, só pelo ridículo da coisa. Em casa tem os diminutivos de Biscas e Biscoito e na vizinhança chamam-lhe várias coisas entre Whiskas, Whisky, Biscuit e sei lá que mais.

A única condição que lhe pus no processo de adopção foi a seguinte:

meu caro amigo, salvei-te de uma existência mais do que manhosa, por isso tens de fazer pela vida. se queres cama, mesa e roupa lavada, não me percas de vista que eu não estou para andar atrás de ti nem contigo na ponta de uma trela.

Acho que ele percebeu pois nos primeiros tempos não se afastava de mim mais do que 10 cm. Eu andava às voltas, fazia oitos, corria, parava, avançava, recuava e o cão sempre colado às minhas pernas.

À medida que cresceu foi-se tornando cada vez mais independente a este ponto:

- no ano passado, quando cheguei à ilha nas férias, partiu à desfilada para a casa de uns amigos para onde eu costumava ir em vez de me seguir para a casa nova que ele não conhecia. Como demorei um bocado a aparecer deve ter pensado que eu me tinha ido embora sem ele. Acabei por ter de ir buscá-lo a terra onde me esperava pacientemente no cais, depois de ter feito 3 viagens para lá e para cá sem pagar, conforme me contou depois o marinheiro de serviço.

- nas férias deste ano, um dia desapareceu por volta das 8 da noite e só regressou às 2 da manhã. podia ter dormido na rua, não é? Pois ladrou até me acordar, porque queria vir para dentro de casa.

- De manhã quando vou tomar o pequeno almoço ao café, ele vai à vida dele. Sabe perfeitamente que eu fico lá cerca de 15 minutos. pois já por várias vezes tive de ficar à espera de sua excelência mais de meia hora e hoje, quando saí para jantar, estava a ver que tinha de deixar a chave na porteira, pois demorou-se quase uma hora na rua.

Sim, porque com esta esperteza toda, ainda não aprendeu a entrar pela porta de serviço que está quase sempre aberta durante o dia, a subir as escadas e a sentar-se no tapete à espera que eu chegue.

Põe-se a ladrar feito parvo lá em baixo, até que eu o ouça e lhe vá abrir a porta para o subir no elevador.

Não sei se lhe dê as chaves de casa ou se lhe compre um escadote para ele chegar à campainha da porta e ao botão do elevador.

outubro 22, 2007

laughing time!

Uma amiga acabou de me enviar este vídeo.

Não resisto a partilhá-lo convosco. Have fun!

apocalipse? não!

JRS, por quem nutro um especial ódio de estimação em termos literários que me ficou depois de ter lido "A Fórmula de Deus", acaba de vomitar outras 500 ou 600 páginas do que estou certa ser mais uma variante da receita que aprendeu a cozinhar (mal) mas que lhe vem aumentando substancialmente a mesada. Este chama-se "O Sétimo Selo". Só o título já promete e é bastante revelador.

Sei bem que a minha opinião pouco ou nada conta, mas faz-me pena que escritores realmente interessantes andem a comer o pão que o diabo amassou e depois vem este bugs bunny (sempre o achei parecido com o coelho) e faz best sellers com histórias patetas e ainda por cima escritas de forma sofrível.

Bom, é melhor que as pessoas leiam alguma coisa do que nada e, a avaliar pelas tiragens dos livros de JRS, neste país lê-se ou, pelo menos, compram-se livros.

Mas se é ler por ler, também há, sei lá, a lista telefónica, as bulas dos medicamentos e as embalagens de gel de banho. Sempre são grátis e fazem mais ou menos o mesmo efeito.

outubro 17, 2007

A fotografia é a preto e branco...

...mas tem o tom sépia do tempo.

Tu pequenino montado num cavalinho de pau, ao lado uma menina de pé apoia a mão no teu ombro como se te protegesse.

Por trás, touros, campinos, um maioral a cavalo, a lezíria que se estende em pinceladas toscas que se adivinham de cores esbatidas na tela ondulada.

Tu claro, louro, ela morena de cabelo encaracolado e traços vagamente negróides tal como a tua mãe e a mãe da tua mãe. Na mão seguras com um lencinho branco a vara que te fez campino naquele instante.

vês? puseram-me este lenço na mão porque a vara tinha picos e eu chorava

(Lembro-me das palmas tão macias, pele de seda quando os cabelos já brancos e imagino-lhes a suavidade de bebé.)

Os dois de preto, soquetes brancos, sapatinhos de verniz, olhos tristes, sorrisos ausentes, o fotógrafo

olh’ó passarinho

os avós

meninos vá lá um sorriso

e vocês nada, só aquela tristeza de perda recente. Faltam os pais na fotografia, mas nota-se o peso da sua ausência, ou talvez eu o sinta porque sempre mo transmitiste.

Falavas-me da tua avó

a bênção, minha avó
minha avó já fiz os deveres

seca, ríspida e austera, do teu avô sentado ao fundo do corredor a mirar a poeira que brilhava nos raios de luz, os dois amargurados pela perda dos filhos tão novos, da Ana

a minha Ana

gorda, luzidia, de avental na cozinha à volta das panelas a fazer os petiscos para os seus meninos

tome um pastel Antoninho, que a avozinha agora está lá para dentro e não vê

do gato amarelo que comia tripas de melão, das brincadeiras no jardim e na horta, da tua irmã

minha irmã

sempre a proteger-te as fragilidades como na fotografia

minha avó o Antoninho não fez por mal
vês meu irmão a avó perdoou-te.

Fecho os olhos, apago a fotografia e vejo-te sentado a empatar anzóis em S. Martinho do Porto, a moer o engodo de petinga e eu sentada a bambolear os pés na borda do cais todas as tardes de Agosto à espera que a bóia mexesse e

pai olha a bóia a ir ao fundo, um peixe

e tu

espera pitorrinha, (só tu me chamavas assim) espera que ele pique bem e depois deixo–te tirá-lo

e eu a enrolar o carreto toda orgulhosa a sentir os estremeções do peixe.

Abro os olhos e outra vez a fotografia à minha frente, tu pequenino montado num cavalinho de pau, um lencinho a proteger a mão, a tua irmã, os touros na lezíria atrás.

E mesmo que não haja sorrisos nesta fotografia, mesmo que se adivinhe a tristeza nos fatinhos pretos, nos sapatinhos de verniz, nos olhos distantes, é assim que te queria lembrar, aí ou no cais a empatar anzóis.

Queria apagar da memória o tubo na garganta, as agulhas nas veias, as máquinas com luzes e bip-bips, as visitas com batas e máscaras, os pulsos amarrados à cama para que não arrancasses de ti tudo o que te impedia de morrer em paz, e não consigo.

Um mês e meio naquele inferno até à noite em que o telefone tocou e o meu irmão:

T, o pai já teve 3 paragens cardíacas e 3 vezes o reanimámos. O que é que achas... se o coração parar outra vez?

e eu

tu é que és o médico, mas o pai também é meu. O que eu acho é que se o coração parar outra vez, deixa-o sossegado... por favor.

e ele

é o que eu acho, também.

Vai fazer 7 anos no fim deste mês e não consigo.

outubro 14, 2007

pavlov

ainda hoje não consigo evitar voltar a cabeça meio em sobressalto se alguém perto de mim grita:

- Mãeeeee!

outubro 12, 2007

aiou

prosseguindo a tarefa de divulgação de novos e menos conhecidos músicos (nalguns casos, pronto, não tão novos assim e noutros talvez só menos conhecidos de mim própria), aqui vos deixo a menina Ayo, que me foi apresentada (em formato digital, claro) há cerca de um ano, quando fui visitar o meu amigo A a Paris.

uma voz diferente em músicas a rondar o soul, o folk e o afro, num disco catita chamado joyfull


nhdgd jfgry bsgt

Nas minhas voltas diárias pela blogosfera, volta e meia deparo-me com posts deste género:

nsjutgd bsg bnh dkfphate nmcvkv opgjsd nsdjsu msjdg fdt vc kdhg ma skdfç-kia vqwyetyfb anahdk giobmc anshdj mjahsd jdjff cazqhfop vmdfk! ckdkfnx jaal? sbdfjgoa,*** sndfyuvgb &$% dmfivnx maslhd sygbbc hjd naudhn !!!

sfagh eujncv,... fhsn çakfnvl doanmhq trv? andjfj nh avfg andop ncbdgy badav nhj& /( sjdgs anhs nhsh $ncv,,lo++abdg jaj jikkienc.

É curioso, mas há quem perceba e comente com expressões como: :-P!, haha! ndhfv bchy bafm, fg%$#?, nahfr, lol e mesmo kahjft!!!

Resolvi experimentar a fazer parecido e ver o que acontece.

somos melhores à noite?

Aqui há uns bons anos atrás tive um ódio de estimação por uma colega.

Irritava-me o tom de voz demasiado alto, as mini-saias, os decotes generosos, os saltos de agulha, o cabelo estilo juba, o bamboleio, tudo aquilo me tirava do sério.

Por isso, quando me cruzava com ela, fazia a minha cara número 3 e durante uns meses trabalhámos no mesmo piso trocando breves bons-dias azedos ou mesmo nada. Ela, por seu turno, achava-me convencida e antipática. Sei disto porque mais tarde tivemos de trabalhar juntas e acabámos ficando amigas. Eu percebi que aquilo tudo não era defeito, era feitio mesmo, deixei de fazer a tal cara nº 3 e acabámos várias noites no B-Leza a beber cervejas e a dançar mornas e funanás.

Na fase do mútuo ódio de estimação, aconteceu um dia ela passar ao fim da tarde pela minha sala (que dava acesso à de reuniões) quando já só estava eu. Entrou com um rancho de gente atrás para a sala de reuniões, passando por mim como boi por palácio. Quando me vim embora, já tardote, a reunião decorria ainda e, sendo regra que o último a sair deveria fechar a porta à chave, eu, má, pensei: ah não me viste quando entraste? então eu cá também não te vi. E tranquei-a e mais aos outros lá dentro. Nunca cheguei a saber como fez para sair, nunca falámos sobre isso.

Hoje, seria incapaz de fazer a mesma coisa. Vai-se crescendo, aprendendo a respeitar as diferenças e a dar menos importância a estas coisas.

Não sei bem por que raio de associação de ideias, lembrei-me disto hoje quando vinha do ensaio, a pé como sempre, e cumprimentei com um boa-noite alguns desconhecidos com quem me cruzei pelo caminho, enquanto pensava que numa terra mesmo pequena toda a gente se cumprimenta quando se cruza na rua. Em Lisboa, se fizéssemos isso, seria com certeza mais simpático, mas ao fim de um trajecto de meia-hora teríamos a boca seca. Assim, passamos pelos outros como se não existissem, limitando-nos a um "perdão!" se por acaso nos tocamos de raspão.

No entanto à noite, as coisas são diferentes. Parece que regressamos a desconhecidas origens rurais e perdemos a indiferença da urbanidade. Os outros deixam de ser objectos de quem nos desviamos no caminho, passamos a cruzar olhares e a trocar sorrisos de boa-noite, como se a ausência de luz nos tornasse a todos mais visíveis e palpáveis.

Acho mesmo que a noite nos faz melhores.

outubro 11, 2007

este domingo...

... a não perder: fantástico concerto do meu coro.

Para possíveis interessados, pormenores aqui.

outubro 10, 2007

recebi hoje...

...esta foto por e-mail.



a estupidez não tem limite...

depois, quando for para se irem embora com a carrinha batem com a mão na testa e dizem: daaaaaaaaaaaaa-se!

red nose

Começo a estar farta que me perguntem porque raio ando eu com o nariz vermelho...

Experimentem a ir ao fim-de-semana para a beira-rio fazer 30 km de bicicleta e logo vêm de que côr lhes fica o nariz, ok?

hiroshima, 2006

Dizia-me hoje um amigo a propósito do que escrevi aqui - Isto da fé é simples: ou se tem ou não se tem. Respondi-lhe que não tenho mas que lhe sinto a falta. Por vezes sabia-me bem ter algo a que me agarrar.

hiroshima, 2006

Depois fiquei a pensar nesta conversa. É um facto que não sou crente, talvez por não ter sido educada para tal, antes pelo contrário. Daí que não tenha fé. Mas a tal coisa de não ter onde me agarrar, pensando melhor, não é bem assim.

Sempre que entro num templo, não importa o credo, sinto, como dizia alguém que li, a "conexão com o divino". E este divino, é algo que não sei explicar o que é, mas que me transporta para o meu interior e me dá paz, me dá vontade de ficar ali sentada durante o tempo que me apetecer a ver as pessoas, a saborear os cheiros, os sons, as cores que a luz sempre especial deste sítios dá às coisas.


jianshui, china, 2005


Já entrei em muitos templos enquanto turista ou simplesmente para ter paz e nunca consigo ficar indiferente, sinto sempre a "conexão com o divino". E não sei se isto é a fé de que os crentes falam. Mas faz-me bem.

mongólia, 2004