
solilóquios
sem sequência
solitários
sem sumo
sem substância
soluçando segredos
sussurrando silêncios
semeando solidões
sombras suaves
sempre
(ah pois... imagem roubada algures na net)
Novembro 01, 2009
poeminha em s
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poeminhas de letras
Outubro 16, 2009
poeminha em a

anda amor
avança
alcança agora
afoito atinge
abraço aperto
arrepio aberto
abranda agora
amacia amando
alivia
adormece
(imagem roubada algures na net)
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poeminhas de letras
acordares
A casa a acordar devagar e eu a recusar o dia.
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feelings
Outubro 15, 2009
rotos copia
Eu passei um serão a imprimir e dois a digitalizar, que sou muito boa mãe e isto tinha de estar pronto na sexta-feira, dia em que também há exame de código. O nome dele aparecia no messenger com um "animation makes eye-pain", pois desenhar por cima dos fotogramas sobre uma mesa de luz, dá cabo dos olhos, acredito. Depois coloriu com aguarelas. O filme tinha de ter cerca de 5 segundos, foram 64 frames.
Ficámos rotos. E o filme ficou giro. Digo eu, que sou a mãe.
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asas
depois do depois disso
isto apenas
o meu nome
na tua boca
sussurro
perto
tão perto
arrepio
sopro breve
abraço macio
asa leve
breve já
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a pensar em ti,
coisas que me saem,
fotos tcl
Outubro 08, 2009
ainda do debate dos candidatos à cml
Claro que, obviamente, tudo isto não tem a menor importância.
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penso eu de que
pesadelo
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penso eu de que
Outubro 07, 2009
do debate dos candidatos à CML
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penso eu de que
Setembro 29, 2009
piss on shower
"ONG incentiva chichi no duche para poupar água. A SOS Mata Atlântica, uma organização não-governamental (ONG) brasileira, lançou uma campanha publicitária a incentivar as pessoas a fazerem chichi durante o duche para economizar água."
Primeira pergunta: mas há alguém que não faça? Pronto, não digo no balneário do ginásio, mas no conforto do duche do lar, há alguém que não faça?
Depois, no corpo do e-mail às tantas dizia-se:
"Só em São Paulo, exemplificam, poder-se-ia economizar mais de 1.500 litros de água por segundo."
Não sei como raio fazem estas contas... ora deixa cá ver, vamos lá pensar. Admitamos que uma descarga de autoclismo tem 10 litros. Agora pensemos que os Paulistas substituem um xixi na sanita por um xixi no banho por dia. A wikipédia diz que a região metropolitana de S. Paulo tem 19.223.897 habitantes. Se todos fizerem um xixi no banho diariamente, poupam 192.238.970 litros de água por dia em decargas de autoclismo. Como um dia tem 86.400 segundos, isto daria 2.225 litros por segundo de poupança. Bom, não está muito longe dos 1.500 se pensarmos que nem todos tomam banho diariamente.
Agora, se levarmos a coisa à letra e, de cada vez que quisermos fazer um xixi, tomarmos um duche? Para além de não ser prático, gasta-se muito mais água, não é? Ainda por cima, toda a gente já faz xixi no duche, acho eu. Contas feitas, continuarei a fazer o meu xixi no duche, mas não é por aí que me sentirei a contribuir para salvar o planeta.
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sei lá
Setembro 27, 2009
descubra as diferenças
Voz de ordem dos meninos do PSD - "é jota é dê, é jota ésse dê".
Isto, apesar de não querer dizer rigorosamente nada, apregoa o mesmíssimo nada.
O futuro adivinha-se tão cinzento ou mais ainda do que o presente.
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penso eu de que
Setembro 26, 2009
a minha cruz
Quando recebi a tira ainda estava sem saber em quem votar. Como não ir às urnas está fora dos meus princípios e votar em branco me deixaria com a sensação de deixar para os outros uma decisão que acho dever também ser minha, se bem que o voto em branco me livrasse de futuros sentimentos de culpa, lá decidi em que quadradinho vou deixar a minha cruz (gosto deste duplo sentido de "a minha cruz").
Mesmo achando que o meu candidato não vai ganhar, isso não impede, porém, que me continue a sentir exactamente como o pai da Liberdade.
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bd,
penso eu de que
Agosto 28, 2009
irra!!!!!!!!!!!!!!!
Há necessidade de, num cartão que tem as dimensõs de um vulgar cartão de crédito usar letrinhas tamanho meio milímetro e deixar mooooooooooooonntes de espaço sem nada? É que nem com a $#$&@€£ dos óculos no nariz consigo ler sem margem para dúvidas o meu número de contribuinte, caraças!
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socorro,
tirem-me daqui
Agosto 27, 2009
divines
Ontem reencontrei Fanny Ardant. Vinha para casa no carro, a Europa Lisboa a passar o "à quoi sert de vivre libre" e eu a lembrar-me de "huit femmes" e de como me tinha esquecido desta canção e de todas as outras do filme menos de "t'es plus dans le coup papa". Curiosa a memória musical.
Fanny Ardant deu-me vontade de Catherine Deneuve e
Catherine Deneuve de Isabelle Huppert, de forma que cheguei a casa e procurei os vídeos no tubo.
.
Divinas, todas elas, mas sobretudo estas três. Adoro este filme.
Já deixei o link da canção de Ludvine Sagnier lá em cima, os outros aqui: "mon amour, mon ami" por Virginie Ledoyen, "pour ne pas vivre seul" por Firmine Richard, pile ou face" por Emmanuelle Béart e "Il n'y a pas d'amour heureux" por Danielle Darrieux.
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Agosto 24, 2009
japspam
E espero que me passe esta neura que me leva a vaguear em mim, apenas.
E agora que olho com mais atenção para os caracteres lá em cima, parece-me mais chinês, aliás os comentárias vinham de Taiwan. Bom, whatever, para o caso pouco interessa...
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o meu blog
Agosto 20, 2009
banho de lua
Em conversas de luas e luares, aconteceu-me ontem recordar este banho de lua de Celly Campello que estava perdido lá nos confins da memória da minha infância.
Esta música estava no top bem no início dos anos 60 e fazia parte da reduzida discografia do meu irmão, uma ou duas dúzias de discos de vinil dos pequenos, com duas músicas cada um, de forma que ele os ouvia vezes sem conta no pick-up lá de casa.
Anos mais tarde, quando eu própria comecei a interessar-me por música e a coscuvilhar os pertences do mano, encontrei o "banho de lua / estúpido cupido" de capa já gasta e coberta com o pó que ganham as coisas onde não se mexe por muito tempo.
Curiosa foi a reacção da minha mãe que, quando eu coloquei a agulha sobre o disco e a Celly Campello começou a tomar o seu banho de lua na sala de estar, teve um ataque de nervos e mandou-me parar com aquilo imediatamente. Obedeci, sem perceber o que tinha a minha mãe contra os primórdios do rock brasileiro, que a fazia ficar tão irritada.
E a razão era simples. Tal como algumas grávidas desenvolvem súbitos desejos de cerejas em pleno inverno, ou não suportam o cheiro das margaridas, outras, caso da minha mãe, ganham repulsa a músicas. Não conheço mais casos, mas a minha mãe é uma pessoa original. Ao que contam, o mano, então com 10 ou 11 anos, tomava banho de lua com a Celly umas dezenas de vezes por dia enquanto a minha mãe docemente me gerava no seu ventre, até ao ponto de a pobre senhora, outros 10 ou 11 anos passados, continuar a não suportar estes banhos.
Enfim, em mim não produziu o mesmo efeito e, quando alguma imposição maternal ia contra as minhas vontades, punha o banho de lua bem alto e fugia.
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Agosto 19, 2009
hoje ao jantar...
Às vezes pareço um homem... tenho as coisas à frente dos olhos e não as vejo!
Será que à medida que avançamos na idade vamos ficando mais masculinas?
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palavras ditas
Agosto 17, 2009
hot hot hot
Não gosto deste calor de ananases (vá-se lá saber por que se diz calor de ananases e não de bananas que são bem mais quentes, digo eu) que me faz a pele pegajosa, humidades e suores misturados com pós e coisas que andam pelo ar, a menos que possa estar como vim ao mundo espojada num lençol branco, lavado e bem esticado, com um pano molhado pendurado no vão da janela aberta e que a brisa liberte de frescura.
Não gosto deste calor a não ser à noite, se me passeio à beira-rio, escapando-me de todos os outros que se passeiam de noite à beira-rio porque não gostam deste calor e por ali sempre têm a ilusão de vagas brisas, mais largas ainda assim que as dos aparelhos de ar condicionado que se regulam para 18ºC e não fazem o termómetro baixar dos 24.
Não gosto deste calor que aquece como uma estufa o meu apartamento de último andar, apesar das vistas da varanda e das larguezas que lhe gabo.
Não gosto deste calor, a menos que o tenha num qualquer destino onde a vontade me leve e ele avive os cheiros a terra ventre parindo naturezas e cores e sabores que até aí me eram estranhos.
Não gosto deste calor, ainda que a minha alma me leve sempre para Sul os passos.
Não gosto deste calor aqui.
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tirem-me daqui
Agosto 09, 2009
tv night
Hoje vimos "ponyo on the cliff by the sea" sentadinhos no sofá da sala. Chamem-me ignorante, se quiserem, mas a animação japonesa para mim era sempre o dragon ball que chupei até à medula quando o meu filho era pequeno. Por isso não vi "a viagem de chihiro" nem o "castelo andante", mesmo com toda a gente a dizer-me que eram bons.
Este ano, na praia, voltei a ouvir os meus amigos a gabarem Miyazaki e lá trouxe o ponyo gravado na pen, versão japonesa já com legendas em português e tudo, ripado de um sítio com o fantástico nome de "piratatuga" (nunca tirei filmes da net, nem músicas, mais fácil pedir a quem já o fez, por isso não conheço estes nomes deliciosos).
E pronto, gostei do Miyazaki. Alguém tem por aí os outros? Hum?
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Agosto 08, 2009
gato
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Agosto 07, 2009
encontros e despedidas

Há um espaço que não cabe no tempo, onde nos encontramos. Onde não há o que foi, nem o que será, nem o que nos rodeia quando não estamos ali. Apenas eu e tu e o instante. Apenas aqui e agora, por vezes palavras, por vezes silêncios entre duas chávenas de chá e quadradinhos de chocolate preto. Apenas olhos que se penetram talvez pelo prazer do olhar, talvez a tentar adivinhar o que está para lá das negras pupilas.
Que te dizem os meus olhos? Eu olho, penso que nada e pergunto-me como será possível estar um olhar tão cheio de nada. Um nada cheio de tudo o que não me dizes e que me faz ter medo de que um dia se abra e o nada saia todo cá para fora e me soterre.
Música, palavras, silêncios, sossegos, a noite que entra livre pelas janelas e que chega para nos iluminar o instante, os corpos e as palavras. Resvalam os olhos dos olhos para a pele, as mãos, o corpo a pedir o encosto de outro corpo que no momento o complete. Carícias, afagos, beijos, dedos no arrepio da pele, corpos enrolados, risos, sorrisos, gritos e suspiros, subitamente o olhar que deixa escapar algo para além do nada que o enche.
Nunca sei se te volto a ver e no entanto… Eu também não sei. …e no entanto gosto tanto. Eu também. Palavras, silêncios, música, a noite a entrar livre pelas janelas, uma bolha parada no tempo e nós lá dentro no tempo em que nos encontramos. A bolha prestes a rebentar e por isso até breve, antes que o que foi e o que será se lembrem de vir preencher silêncios e sossegos, tomem conta de nós e nos façam perder o momento, o instante em que nos abrimos, em que nos fechámos, actores de nós próprios ou talvez não.
E partimos sós, cada um para o seu tempo e o seu espaço com aquele até breve que nos enche o corpo, as mãos e os sentidos. E se um leve sabor amargo me ameaça os lábios, passo por eles a língua até recuperar o doce.
Ficam bolhas que flutuam no espaço sem tempo e lá dentro imagens de nós presos em momentos.
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Agosto 05, 2009
operações de câmara
A realização do exercício coincidiu com uns dias que ele e os colegas de grupo passaram comigo nas férias, no Algarve. Depois de andarem a moer o juízo a meia praia, a transformarem-me a mim e aos meus amigos em actores de ocasião, regressaram a Lisboa 24 horas antes do prazo de entrega do trabalho, completamente descontentes com as cenas que tinham filmado. Numa noite e numa manhã, mudaram o argumento, voltaram a filmar e fizeram isto:
Eu acho que ficou mesmo bem!
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Agosto 04, 2009
brilhos sorrisos
Ah... como gosto
de brilhos nos olhos
e nos sorrisos
aos molhos
os brilhos
em risos sorrisos
fazem sorrir
e brilhar meus olhos
inspirado aqui
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inspirado aqui
Julho 20, 2009
palavras ouvidas na praia #2
Gonçalo (13 anos) - Hoje passei-me com as miúdas, estavam sempre a pôr-me areia na toalha.
João Afonso (18 anos) - Vais ver que na vida terás sempre mulheres a pôr-te areia na toalha.
Gostei da metáfora.
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Julho 11, 2009
palavras ouvidas na praia
a qualquer momento pode explodir.
Alice, 6 anos, a propósito de uma pequena colina nas dunas, que está menor que no ano passado.
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Julho 10, 2009
o regresso aos mutantes
E sempre que volto é doce, mas tão forte como se uma primeira vez fora, este reencontro com o areal que se estende vazio e impoluto nos passeios solitários de fins de tarde e manhãs de sol rasante, em que mais não ouço do que o vento nas dunas, o rebentar macio das ondas, os pios das gaivotas e andorinhas do mar.
O mesmo areal que desliza suave sob os meus passos, as mesmas conchas e algas e peixes e pedrinhas, os mesmos golpes fininhos nos pés que, entre caranguejos pretos e caranguejos laranja, se afundam no lodo negro da ria quando teimo em ir descalça pela maré vaza ver os progressos das ostras da Clara, as mesmas bebidas ao pôr-do-sol generosamente servidas no bar da Vera, os amigos que são os amigos daqui e que estranho se o acaso nos cruza depois em roupas de Lisboa, os avanços das crianças que orgulhosamente exibem dentes novos e mais 10 cm que no ano anterior, a lua cheia que se reflecte num caminho dourado sobre o mar chão, as conversas à noite num qualquer terraço de uma qualquer casa sobre a praia à luz das velas e dos candeeiros a gás.
É assim regressar à ilha. Reencontrar o que parece que não muda mas muda, pois que as conchas e pedras e algas são no todo as mesmas, mas são outras enquanto unas, tal como as gaivotas, os peixes e as andorinhas do mar, ou a escultura que reune todos os lixos que o mar traz e que vai crescendo ao sabor de quem passa e lhe acrescenta mais uma garrafa, mais uma bota, mais uma troço de rede de pesca, mais uma cana.
E é isto que faz com que o repetido retorno tenha o sabor da tranquilidade de uma rotina, mas também o espanto da descoberta das coisas mutantes.
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Junho 30, 2009
dos dervixes em istambul
roda o dervixe
de saia rodada
roda a saia
redonda roda
brancas as voltas
da saia que roda
nas voltas do corpo
que roda (n)a saia
na dança redonda
de braços no ar
às voltas na dança
a rodopiar
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Junho 29, 2009
já só penso...
Sexta feira deixei 90 mails por ver. Ontem, Domingo, em duas horas de trabalho não remunerado, dei conta de 50 e deixei 40 para hoje. Quando cheguei hoje de manhã, tinha a caixa assim:

Não tarda grito.
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desenhando no zoo
E de um sábado a desenhar no zoo sairam algumas coisas. Aqui.
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de uma janela em Istambul
A Mesquita Azul entrava-me pela janela do quarto adentro sem qualquer cerimónia, de manhã em contra-luz, à tarde iluminada pelo pôr-do-sol e à noite abraçada por dezenas de gaivotas brilhantes que não lhe largavam os minaretes em eternos volteios e gritos.
À hora das rezas a Mesquita Azul entrava em diálogo com outra mesquita mais pequena que fica mesmo ali ao lado, junto a Santa Sofia, num dueto mágico de cânticos em vozes que dos altifalantes dos minaretes conduziam a oração dos fieis. Sei que deste dueto saiam versos do Corão, mas permiti-me imaginar que a conversa era outra, como se as duas mesquitas falassem sobre os afazeres do dia ou as agruras da vida.
Difícil esquecer duas mesquitas que conversam em Istambul.
mãe babada
Finalmente vou ter alguém que me ensine a fotografar.
O meu filhíssimo teve 20 num teste de fotografia na faculdade e 17 na cadeira.
Confesso que não seguro a baba. :-)
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Junho 23, 2009
é moda agora?
Acho pavoroso. Mas ando sempre tão desatenta às modas, que fiquei sem saber se seria um novo uniforme, uma graçola do acaso que juntou à minha frente três graciosas possuidoras de gosto duvidoso ou, pelo menos, não coincidente com o meu, ou moda mesmo...
Um dia destes olho para as montras com mais atenção.
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Junho 19, 2009
mar de mármora
para ti
o mar
todo o mar
mar de mar
mar amar
mar de mármora
mar de mármore
mar de amar-me
em ti amar
sem tardar
o mar
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Junho 17, 2009
de bizâncio com amor #2
Até um monte de Bósforo. Era fácil afinal. Não me sai do olhar, não me sai de dentro. Um monte de Bósforo.
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Junho 11, 2009
de bizâncio com amor
- uma ou duas camisas de algodão do Egipto sem colarinho
- lokums de rosa
- um livro sobre cerâmica medieval do médio oriente
- um monte de Bósforo
Não sei como me vou arranjar para trazer um monte de Bósforo.
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de costas voltadas

O céu assim tão belamente aguado e tu de costas para mim, indiferente ao meu braço que já te foi esticado, indiferente às gaivotas que nos confundem com mastros de barcos, que verificam afinal a ausência de cheiro a peixe e se afastam de nós.
O céu assim tão fundamente sombra e luz e tu ignorando os meus volteios de bailarino tentando contrapesos e contrapontos de ti, numa dança maluca para cá e para lá na esperança que me sintas e me notes e me ouças os guinchos de metal sobre o piar das gaivotas.
O céu assim tão azulmente cinza e eu a mostrar-te o dorso, a desistir de encontros de braços esticados nos céus, a desistir de ti ostensivamente desatenta sem perceberes que se quisesses, eu podia rebentar uma nuvem só para ti.
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Junho 09, 2009
pastelando a seco
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das euro-eleições
A mim parece-me óbvio que a grande ganhadora destas eleições foi a crise no sentido em que influenciou os votos de forma determinante. Permito-me opinar que, salvo nalguns casos como o da Itália, ganharam as eleições os partidos da oposição, e outra coisa não seria de esperar. Fosse a direita que estivesse maioritariamente nos governos às contas com a crise e era ver a viragem à esquerda.
Mas isto sou eu a pensar, que de política cada vez percebo menos. Ou mais, infelizmente.
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Junho 08, 2009
a primeira vez
Há uma semana e tal a minha mãe, falando das eleições, manifestou o seu contentamento por o neto já poder votar. Contei-lhe a história da ida à Junta de Freguesia e a minha mãe, que nos seus 84 anos é mais atenta que eu e o meu filho, disse-me que tinha quase a certeza de que agora o recenseamento era automático. Eu, parva, achei que a senhora da Junta havia de saber mais de recenseamentos que a minha mãe e liguei pouco à informação. Domingo passado quando fui às compras passei frente a uma vitrine da Junta onde as palavras "RECENSEAMENTO ELEITORAL" em letras gordas me chamaram a atenção. Dizia o edital que o recenseamento era automático a partir do 17º aniversário e que os meninos desde que tivessem 18 anos no dia das eleições, podiam votar sem mais aquela. No edital, o endereço do site onde se pode ir buscar o número de eleitor. Fiquei boquiaberta. Chegada a casa contei ao J o que lera, fomos os dois ao tal site e lá estava o nome dele associado a um número de eleitor e a uma assembleia de voto.
O J passou parte da semana na net a visitar os sites dos vários partidos e movimentos para decidir onde votar (haverá alguém que faça isto depois da primeira vez?). Hoje lá foi estrear-se nas urnas, satisfeito da vida.
Bem sei que sou desatenta e que tinha, e ele também, obrigação de saber destas modernices. Mas não sabia. E disse-lhe para se recensear. E ele foi informar-se. E disseram-lhe tudo ao contrário, mas tão ao contrário que, se não o conhecesse como os dedos da minha mão, acharia que tinha lá ido com os copos.
E agora pergunto: por que raio têm os meus impostos de servir para pagar ordenados a senhoras imbecis que dão informações completamente distorcidas?
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