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julho 16, 2008

para não cair

Pergunto-me se existes quando não te vejo tal como me perguntaste se na floresta uma árvore cai realmente se não estiver lá ninguém para ouvir o quebrar dos ramos e do tronco, o gemido ao tombar no solo.

Agora que não estás aqui, interrogo-me se és onde estás, se a suavidade da tua pele na minha só é quando me aqueces enlaçado a mim, a leve aspereza das tuas mãos apenas quando me tocas, muda a tua voz se não me chegam palavras nem silêncios, cegos os teus olhos se não os vejo nos meus.

Como esta areia que agora piso e da qual sinto a quentura, como o compasso das ondas deste mar onde mergulho, como todas as estrelas que pintam constelações no céu e que não sei se aqui ficam quando me for no barco que rasgará a lisura líquida da ria. Tudo ficará atrás de mim ou talvez não, quem sabe tudo isto apenas nos meus sonhos e, se assim for, para trás deixarei somente o vazio do espaço que os sonhos já não preenchem, quem sabe também eu apenas nos sonhos de alguém que de outro alguém igualmente é sonho e nada mais.

Pergunto-me de novo se existes quando não te vejo, de ti guardo palavras e silêncios, a lembrança de uma mão que me afaga e de uns lábios que roçam ao de leve os meus, a memória de um cheiro.

Deito-me então de costas a olhar o céu que não sei se existe e, como tu, agarro-me às ervas para não cair.

fevereiro 15, 2007

Andorra outra vez

Lá vou eu outra vez e não gosto. Não gosto do frio, de ficar molhada, de insistir em tentar esquiar e acabar por nunca sair destas pistas aqui de cima, cada dia com as pernas a tremer mais de cansaço e de medo de vir por ali a baixo desgovernada a gritar "CUIDADO!" e acabar por me atirar para o chão para não matar ninguém.
Não gosto de cair, feita parva, nos saca-rabos, de arrastar-me penosamente para o lado para não levar em cima com o que vem a seguir, de ter de tirar os skis de cada vez que caio, pois sou incapaz de me por em pé com aquilo preso às botas.


Não gosto quando os dias estão como este aqui, em que não se vê nada a 10 metros de distância e o vento nos faz bater a neve na cara.

Gosto de grandes espaços, de desertos, de deixar o meu olhar perder-se bem longe e estas montanhas a toda a volta oprimem-me, angustiam-me e assustam-me.

Então porque vou?

Porque ando há dois anos a recusar este prazer ao meu filho e este ano não fui capaz de dizer não outra vez.

Porque quando está sol e consigo esquiar um bocadinho, na descida mais suave, bom, talvez na outra a seguir, sem cair e a fazer tudo bem, sinto-me a maior.

Porque gosto de passar umas horas nas águas quentes da caldeia e vir cá fora ao frio em fato de banho a deitar vapor por todo o lado.

E depois porque posso tirar fotografias como estas aqui em baixo. Toda a cor em preto e branco.



março 26, 2008

palavras com sabor

Quando era miúda lia muito. Se calhar lia mais do que agora. Sem internet, sem televisão durante a tarde, quando não tinha programa de brincadeira com as outras crianças da rua, lia.

Depois dos Nodis (sim, o Nodi é um boneco com umas boas dezenas de anos) e das Anitas, passei, como todos os miúdos da minha geração, para as colecções de aventuras da Enid Blyton, daí para os clássicos juvenis de Charles Dickens e para toda a colecção da "biblioteca dos rapazes" do meu irmão, onde aprendi bastante sobre a conquista do oeste americano e a história da América do sec XIX.

Comecei os autores brasileiros como toda a gente, com "o meu pé de laranja lima" do José Mauro de Vasconcelos e tomei-lhe o gosto. Fui lendo o que deste autor havia lá em casa e, esgotadas as prateleiras dos livros que os meus pais achavam adequados à minha idade, pedi ao meu pai para me deixar ler livros de pessoas crescidas, em particular de Jorge Amado de quem o ouvia tecer os maiores elogios. O meu pai hesitou, perguntou-me se eu já tinha lido isto e aquilo, e eu já e, depois de alguma insistência lá me deu para as mãos "capitães da areia". Daí em diante, li tudo o que havia de Jorge Amado nas prateleiras do meu pai.

Hoje percebo claramente que os livros de Jorge Amado, lidos na puberdade e na adolescência, influenciaram sobremaneira a minha forma de ver as relações entre as pessoas, o sexo, o amor.

Mas do que eu queria falar mesmo, era da línguagem, das palavras mágicas do Brasil que me chegaram pela pena do Jorge Amado e que não se utilizam cá. Não sei se por isso, se por serem mesmo palavras especiais, ficaram para sempre na minha memória como pérolas de um colar que vou desenrolando, e saboreando conforme as ligo a determinados livros, a determinadas situações, às coisas que agora me sugerem ou que me fazem lembrar.

Uma das coisas que gosto no português falado e escrito por brasileiros é o facto de muitas palavras se aproximarem tanto daquilo que representam: bunda, por exemplo. Não há palavra mais redonda para o traseiro do que bunda. Para dizer bunda, a boca desenrola cá para fora a palavra que a enchia e, quando esta sai, imaginamos logo um belo rabiosque, bem alçado, bem redondo e fornecido de carnes rijas. É como cachoeira. Diz-se cachoeira e ouve-se o canto da água a cair. Nesta onda estão palavras como cangote, xoxota e xibiu, forró, xodó, moqueca, roça, beiju, cabrocha, moleque, siri, perereca, cachaça, capivara, jagunço e sei lá que mais.

Outra coisa de que gosto é o uso do gerúndio. Dizer estou voltando, estou chegando, estou fazendo tem uma música que estou a voltar, a chegar ou a fazer, não têm. Gosto de diminutivos feitos duma forma diferente da nossa: devagarzinho, radinho de pilha, sambinha.

Gosto das negações ao contrário: sei não, vem não, faz isso não.

Gosto de todas as palavras ligadas ao candomblê e aos seus terreiros: orixá, oxum, exu, iemanjá, xangô, oxalá.

Gosto dos nomes dos instrumentos musicais: agogô, reco-reco, atabaque, caxixi, berimbau e gosto de nomes ligados ao folclore como bumba-meu-boi.

E lembrei-me de tudo isto porque hoje me visitaram de um sítio chamado Blumenau. Nome fantástico, blumenau. Só podia ser no Brasil mesmo.

Nunca fui ao Brasil. Tenho de ir em breve.



Município de Blumenau no estado de santa catarina. Bem no Sul.

agosto 27, 2007

voando por aí

A propósito de um comentário que este rapaz me deixou aqui, lembrei-me de dois episódios que fizeram com que hoje em dia já não me suem as mãos quando tenho de andar de avião.

O primeiro foi já há uns anos valentes, no Egipto. Não sei se as coisas ainda são assim, mas quando eu fui, quem chegava a Assuão e queria ir visitar Abu Simbel, que fica aí a uns bons 300 km, tinha de ir num avião que funcionava mais ou menos como um autocarro de parque de diversões, ou seja, estava lá paradinho na pista, até encher. Quando a lotação estava esgotada, ala para Abu Simbel. Lá chegado, largava os turistas, enchia com os que já tinham visitado o sítio e voltava para trás.

Até aqui tudo bem. O pior é que assim que aquilo levantou, as portas dos compartimentos das bagagens abriram-se logo, deixando à mostra os forros da fuselagem rotos, com esponja a sair e tudo com ar de que já não via nem uma barrela nem uma chave de parafusos há algum tempo. Deram-nos um suminho de lata para distrair e eu resolvi que, se tinha de morrer naquele dia, mais valia apreciar a paisagem que, diga-se de passagem é fantástica - deserto e a albufeira de Assuão - de cair para o lado!

O outro voo digno de nota foi quando fiz esta viagem. Larguei o transiberiano em Irkutzk para apanhar o avião para Ulan Bator. Aqui a coisa tinha um ar sério. Aeroporto, formalidades de embarque para outro país, check-in, despachar as malas, tudo normalíssimo. Quando cheguei à pista, a pé pois então, deparo-me com uma coisa igual a esta


das Linhas Aéreas da Mongólia: o fantástico Antonov AN26-100, máquina voadora a hélices, com 42 lugares apertadinhos (2 lugarinhos, uma coxia estreitinha, dois lugarinhos). Está visto que a minha vontade foi dizer, ok então divirtam-se que eu fico aqui por Irkutsk. Mas lá fui, né? O mais engraçado é que depois de ter despachado as malas, descobri que afinal o tapete rolante só atravessava a parede do edifício, que a pista era logo ali, o avião também e, quando subi os 5 ou 6 degraus do escadote para entrar no avião e lá dentro olhei para a direita (para o rabo do dito) o que é que eu vejo? Pois vejo as malitas dos 42 inconscientes que se meteram naquela coisa, todas postas de qualquer maneira umas em cima das outras, sem cinto de segurança nem rede. Só pensava quando é que o avião ia apanhar um poço de ar e as malas vinham todas parar cá à frente, porque entre os passageiros e as bagagens só havia uma cortininha. À parte este receio, perfeitamente (in)justificável e o barulho insuportável das hélices, a coisa nem correu mal de todo. O comissário de bordo até nos serviu uma sandosca sobre um belo guardanapo de algodão branco para pôr sobre os joelhos.

Quais tabuleiros, quais mesinhas! Guardanapo no colo e tá a andar!

fevereiro 18, 2008

doce de tangerina


Ela entrou-me lá no gabinete a comer tangerinas e com umas quantas na mão:

- Tome lá a ver se arrebita. Trouxe-as da terra.
- Mas eu estou arrebitada...
- Não está nada. Está para aí com a cara toda virada do avesso. Coma que são doces e têm vitaminas.

Peguei nas tangerinas, fui-as descascando, saboreando cada gomo e cuspindo os caroços, enquanto me vinha aquela nostalgia da terra que nunca tive. Só terras emprestadas onde às vezes vou e que me deixam colher os frutos que os seus ventres geram: feijão-verde, uvas, alfaces, laranjas, marmelos, tomates, figos. Eu, que gosto de pegar num cesto vazio e enchê-lo de coisas assim tiradas directamente da terra, mãos sujas de sumo, peganhentas e gostosas de lamber, estou reduzida à triste dimensão de embalagens de supermercados, frutas calibradas e sem interesse. É o destino de quem nasce numa família urbana, isto de não ter terra.

- São boas, são. Quando for outra vez à terra bem me podia trazer umas quantas para eu fazer doce. Tenho uma receita de doce de tangerina que é de cair para o lado. Depois dava-lhe um frasquinho.
- Combinado. Para a semana já lhe trago.

Voltei aos meus papeis e nunca mais me lembrei das tangerinas. Esta semana que passou, entra-me ela de novo no gabinete:

- Cá estão as tangerinas. A minha mãe pede a receita do doce em troca.

Na mão um saco enorme, cheio.

- Eh pá, você é maluca... Olha só para isto... Não vou fazer mais nada nos próximos dias se me ponho a transformar isso tudo em doce. Obrigada!
- De nada, o que há lá mais é disso. Não se esqueça da receita.
- Trago a receita e um frasquinho!

Dei metade das tangerinas e quando cheguei a casa e pesei o que sobrara, ainda tinha 3 quilos. Dá para 5 kg de doce...

Ainda não tive tempo de o fazer; há que espremer o sumo, separar caroços e peles, tirar as partes brancas, cortar as cascas em tiras muito fininhas. Dá trabalho, mas vale a pena. É um doce supimpa!

Por enquanto estão ali na cozinha, perfumando o ar, colorindo o espaço de cor-de-laranja e verde e a lembrarem-me da terra que não tenho.

maio 13, 2007

quem sai aos seus, não é de genebra*

Há duas ou três noites atrás, naquela meia horita antes do jantar em que dormito no sofá em frente da televisão:

-mãe...
-humm..?

entreabro um olho

- tens umas luvas de plástico?
- para quê?
- nem te vou dizer...

entreabro o outro olho

- havendo, é daquelas de usar e deitar fora. no armário por baixo do lava-louça

fecho os olhos dois minutos

- mãe, não há. se quiseres, podes vir ajudar-me

abro, definitivamente, os dois olhos

- desculpa? se eu quiser, posso ir ajudar-te? que raio de conversa é esta? nem me disseste para que querias as luvas. e agora, dás-me a honra de eu te ajudar, ó marquês? não estás a ver bem, tu.

fecho novamente os olhos, passo pelas brasas mais dez minutos e esqueço o incidente. ao jantar, no meio do arroz de peixe:

- foi preciso estar contigo nove anos para ter de andar a mexer na caca do teu filho
- o quê ?!
- o teu menino deixou cair a caneta na sanita no meio do cócó e, como não havia luvas e ele foi incapaz de pôr a mão lá dentro, tive de ser eu
- ah, então era para isso que eu te podia ajudar, se quisesse, era?
- oh mãe, a caneta estava por baixo e aquilo por cima, um nojo.
- pois, mas houve quem lá fosse, não houve? Francamente, vê se cresces... lavavas as mãos a seguir...

Ainda bem que me deixei ficar pelo sofá. É que eu falo, falo, mas quem não punha lá a mão também, era eu.

*variante popular do ditado

março 06, 2008

anúncio

A notícia do dia que me fez vibrar foi a de que os funcionários públicos em topo de carreira vão ser substancialmente aumentados, sobretudo técnicos superiores e funcionários administrativos, a fim de fomentar um maior apego à coisa pública.

Claro que é preciso ter boas classificações de serviço e tal, mas eu reúno para já, 3 das condições base para fazer parte dos poucos eleitos.

Embora haja muita gente que tem a pior opinião sobre os funcionários públicos (eu também tenho, bem que se podia pôr metade na rua) a verdade é que há muitas pessoas a trabalhar imenso e a ganhar pouco, muitas vezes por pura carolice, outras por não terem alternativa e por não ser do seu feitio andarem a arrastar o rabo pelas cadeiras.

Mas onde eu queria chegar, é que este prometido "substancial" aumento me vai deixar na condição de "excelente partido" e não me vão faltar com certeza imensas propostas para juntar os trapos.

Não sei quando a coisa se concretizará nem quando é que os aérios me vão começar a cair dos bolsos, mas para ir poupando tempo aceito desde já candidaturas, as quais deverão vir acompanhadas de curriculum vitae detalhado e fotografia de corpo inteiro de frente e de perfil.

As propostas mais interessantes terão direito a publicação neste blog.

março 01, 2008

o drama da prega

Os amantes - René Magritte

Sofro do sindroma da prega. Eu até gosto de pregas, sendo naturais e de bom cair. Passo-lhes as mãos, aprecio a suavidade e delicadeza ao tacto, o peso do tecido. Um tecido muito leve, já se sabe, não dá uma boa prega. Por isso, a razão deste meu mal, não tem que ver com a prega em si, mas com a dificuldade em desenhá-la, agora que nas aulas de desenho o temos de fazer a óleo.

Enquanto as pregas foram desenhadas a lápis, meus amigos, não havia prega que me falhasse. Mais direita, mais torcida, mais larga, mais estreita, eu lá ia dando conta delas sem grande problema e até com bastante agrado.

Agora que o lápis é interdito e só podemos usar pinceis e óleos a coisa complicou-se. Eu até consigo dar os sombreados esbatidos para dar forma e volume aos objectos, eu até consigo fazer um tom de pele aceitável (há que misturar três cores a sentimento), eu até consigo (malzinho) lançar o desenho a pincel e óleo branco muito leve. Mas quando chega à parte das pregas, senhores, a coisa dá para o torto, muito torto.

Não há meio de atinar com a técnica da prega a óleo ou seja, a prega oleada. Aquilo passa por dar uma finíssima pincelada de tom claro e outra mais ou menos paralela de tom escuro por cima da base ainda fresca e por um sábio trabalho de esbatimento. Sai-me sempre mal... Este fim-de-semana trouxe a caixa dos materiais para casa, vou pendurar panos por aí e dedicar-me furiosamente à prega até à próxima sexta-feira.

Farta de ser enxovalhada, como se a inépcia pregal não me bastasse já, pelos colegas que dominam a prega.

dezembro 16, 2006

Abrir o coração

Abri o coração e deixei-te entrar. De início a porta não queria ceder, dobradiças perras da falta de uso, mas vinhas com aquele óleo infalível feito de palavras doces, de olhares de desejo, de sorrisos cúmplices e então ela abriu-se de mansinho sem um ruído e tu entraste.

Para que te sentisses bem, limpei o pó, as teias de aranha, tirei os lençóis de cima dos sofás, abri as janelas, deixei entrar o sol e o calor, pus flores frescas nas jarras com água limpa. Ficou como novo o coração, cheio de luz, confortável e acolhedor. Viste as caixas onde guardo os amores, os carinhos e ternuras, as alegrias e tristezas, mexeste em todo o lado com um ar curioso, passeaste pelas aurículas e ventrículos, espreitaste pela aorta, avançaste um bocadinho pela veia cava superior mas não te interessaste muito pela inferior, talvez com medo de cair. Achei a tua presença agradável, deixei-te ficar e tu instalaste-te com o pouco que tinhas trazido contigo e uma cópia da chave que te dei.

Passados uns dias, perguntaste se podias dar um saltinho à cabeça. Hesitei, pois parecia-me que estavas bem no coração, mas acabei por te mostrar o caminho. Não era difícil e, mesmo sem mapa, chegaste lá num instantinho e sem te enganares uma só vez. Achei graça, pois tinhas-me dito que o teu sentido de orientação não era grande coisa. Percorreste as circunvoluções, paraste nalgumas memórias, interessaste-te pelos raciocínios lógicos e pelas abstracções, questionaste alguns pensamentos e razões e, sem que eu desse por isso, foste tirando as coisas do lugar, deixando-as espalhadas por aqui e por ali. Não me preocupei, pois estava a gostar de observar a tua curiosidade e pensei que depois, quando tivesse tempo, logo arrumaria tudo.

Embora nem sempre te veja, sinto o rasto da tua presença, o teu cheiro, o teu calor, vejo as tuas pegadas, a tua sombra a dobrar uma esquina e, por mais que arrume, encontro sempre alguma coisa fora do lugar, por isso sei que continuas a andar por aqui.

Por enquanto, não mudo a fechadura. Gosto de te ter por cá. São estas marcas da tua presença que me fazem manter as janelas abertas, mudar as flores da jarra, limpar o pó, impedir que se formem de novo teias de aranha e olear as dobradiças da porta.

É bom abrir o coração e deixar alguém entrar e desarrumar um pouco a nossa vida. É isso que nos faz estar VIVOS.

E tu? Quando foi a última vez que abriste o coração?

outubro 10, 2007

five thousand

Irra, que há pessoas determinadas e com sorte...

Esta menina*, quando eu escrevi isto, desde logo se candidatou a um vago prémio que eu, na euforia do momento, disse que ia talvez pensar em dar ao visitante 5.000.

Isto foi há 3 meses e meio. Não é que a pescoçuda acabou mesmo por cair aqui no nº 5.000? E agora vem reclamar o prémio...

Bem girafita, de acordo com a troca de comentários à data tens direito a escolher entre 3 hipóteses:

- 2 beijos repenicados (só podem ser meus que não mando nos beijos dos outros)

- Uma lambidela da margot

- Um chocolate regina (aconselho-te esta: é a mais garantida - basta enviares a tua morada para o "FALA(r.para.a)BARATA" aqui ao lado e receberás o teu prémio tranquilamente em casa ou no emprego)

* Para os desprevenidos que cliquem aqui, um conselho: desliguem o som...

agosto 15, 2007

video killed...?

Aqui há dias falei do bom que é passar este mês em Lisboa, da facilidade de ir ao cinema e tal.

De qualquer forma não deixa de ser triste ir ao Quarteto e, distraída na conversa com a minha amiga, enganar-me na sala e cair em plena sessão de algo parecido com a IURD mas em tamanho XS. Um brasileiro lá à frente a falar das maravilhas da vida com Jésuis para uma vintena de fieis de pé.

Lá subimos as escadas na risota e acertámos na sala já às escuras. Quando acabou o filme, vi que estávamos 5 pessoas na sala.

Cá fora no átrio, ninguém, bar e bilheteira fechados, e tínhamos ido a uma sessão das 10...

Que saudades tive do Quarteto de outros tempos, cheio de fumo e de gente pelas cadeiras a ler os jornais e a beber um copo, das sessões da meia-noite ou daqueles ciclos temáticos que se prolongavam em sessões contínuas pela noite fora.

Já não ia lá há uns meses, espero que seja das férias embora aquela cena da "missa" não augure nada de bom...

Pelo menos, não havia pipocas.