março 07, 2009

a quinta frase

E, num relance, o Pedro propõe-me o seguinte:

1 - Agarrar o livro mais próximo
2 - Abrir na pág. 161
3 - Procurar a quinta frase completa
4 - Colocar a frase no blog
5 - Indicar 5 pessoas para continuar a tarefa

Ora os livros que leio de momento estão lá na mesa de cabeceira. Não são os mais próximos. Esses estão aqui na estante atrás de mim. Pezinhos no chão e faço rodar a cadeira até chegar à estante. Estico o braço e tiro um às cegas.

Humm... "Diários de Viagem - desenhos do quotidiano" de Eduardo Salavisa. Com sorte, talvez a pág. 161 seja de texto. Pois,


não é.

Tentemos de novo: "Cem Poemas Portugueses do Adeus e da Saudade", selecção, organização e introdução de José Fanha e José Jorge Letria. Pág. 161, 5ª frase completa. Para mim, mulher de ciências, em poesia é bem mais complicado separar frases. Aliás, nem vejo o interesse. Mas foi o que saíu. Julgo que esta estrofe é apenas uma frase (serão duas?) e sendo uma, parece-me ser a 5ª (podia ter-me saído um romance, não era?). Então é assim:

"Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti."

Lindo. De Alexandre O'Neill "Um adeus português"

E os cinco a quem encomendo a mesma tarefa:

Ana
Maria V
Huck
Pedro
PKB

março 06, 2009

lingerie


Recebi um e-mail com esta foto que dizia "eu quero ir aos saldos da Rua de Santo António". Isto é no Porto, certo?

À velocidade a que as coisas se espalham na net, mesmo que apanhe o Alfa Pendular, chego lá e deve haver uma fila enorme, não?

março 04, 2009

andamos a brincar?

Será normal um miúdo começar as aulas do 2º semestre do seu 1º ano de faculdade sem saber as notas que teve no 1º semestre?

Será normal um miúdo começar as aulas do 2º semestre do seu 1º ano de faculdade sem saber as notas que teve no 1º semestre e chegar à escola e constatar que os horários que andou diariamente a verificar online durante as férias continuam com 3 aulas de 3 cadeiras diferentes à mesma hora?

Será normal um miúdo começar as aulas do 2º semestre do seu 1º ano de faculdade sem saber as notas que teve no 1º semestre, chegar à escola e constatar que os horários que andou diariamente a verificar online continuam com 3 aulas de 3 cadeiras diferentes à mesma hora e não conseguir mais do que um comentário de um professor: "ah pois, esta escola é a que tem o melhor equipamento da península ibérica mas só conta com uma pessoa para fazer os horários do curso todo e depois acontecem estas coisas"?

Será normal um miúdo começar as aulas do 2º semestre do seu 1º ano de faculdade sem saber as notas que teve no 1º semestre, chegar à escola e constatar que os horários que andou diariamente a verificar online continuam com 3 aulas de 3 cadeiras diferentes à mesma hora, não conseguir mais do que um comentário de um professor: "ah pois, esta escola é a que tem o melhor equipamento da península ibérica mas só conta com uma pessoa para fazer os horários do curso todo e depois acontecem estas coisas" e os pais desse miúdo estarem a pagar uma pipa de massa de mensalidade e terem pago outra pipa de massa de propinas?

Pois eu não acho normal e, sem saber, quase que arriscaria a jurar que isto não se passa nas universidades públicas. Ou será que se passa?

Começo a perceber porque é que chamam àquilo chulófona.

dos lábios desejo

Ai lábios de beijo
de tanto desejo
carnudos morangos
de sumo a escorrer
macias cerejas
doces de mel

teus lábios de anjo
minha maldição
sonhos inquietos
de olhos abertos
ai perdição

nu


bifurcações
angulosidades
rectas
agudas
obtusas
por vezes rasas
nunca completas

rugoso de velho
forte é o tronco
quase aprumado
quase

fuste de embuste
que me diverges
em mil linhas
rendilhando céus

março 02, 2009

teaching little fingers to play

Com muita pena minha, nunca aprendi a tocar piano mais do que o que seria possível num ano de tardes de sábado quando ainda andava na escola primária. Tinha aulas de piano e solfejo com mais uns quantos miúdos e o tempo livre de instrumento para cada um era escasso.

As aulas foram decorrendo até chegar o dia em que a professora me disse que eu tinha de praticar em casa, quando não, não era possível fazer grandes progressos. Os meus pais eram funcionários públicos o que, naquele tempo, significava viver com os tostões contados sem grandes hipóteses de extras, de forma que quando pedi um piano não tive sorte nenhuma... A professora ainda insistiu um pouco, primeiro comigo, depois com a minha mãe e, quando viu que dali não vinha piano nenhum deixou de me dar a mesma atenção. É curioso como só agora que penso nisso, me apercebo como a coisa foi deliberadamente feita para que eu, e os outros nas minhas condições, acabássemos por desistir. Lembro-me de me sentir mal nas aulas porque não avançava como os outros miúdos que tinham possibilidade de tocar em casa e de passar a pertencer ao grupo dos atrasados. Havia aulas em que já só fazíamos o solfejo e não havia tempo de piano para nós.

Tive muita, muita pena mas nunca devo ter deixado transparecer isso, pois quando aqui há tempos conversava com a minha mãe sobre as coisas boas e más que recordava da minha infância e referi a história do piano, ela ficou admiradíssima e ainda me disse que, se ela e o meu pai tivessem percebido, teriam feito o esforço de comprar um. Devia ter feito um berreiro... Não devia nada, coitados dos meus pais.

Bom, uns valentes anos mais tarde, quando já andava na faculdade e namorava o pai do meu filho, a irmã dele que terminara o curso há pouco e tinha começado a trabalhar, resolveu alugar um piano vertical a meias com um amigo e retomar as aulas que também tinha largado em miúda. Claro está que, nessa altura, nós os dois também quisemos usufruir do dito. O piano foi colocado no quarto de costura e engomados e, para desespero dos meus sogros, passávamos os quatro serões intermináveis à volta do piano, primeiro matraqueando musiquinhas infantis e, mais tarde, os dois irmãos, ela com aulas e ele com talento, arriscando passagens de ragtime que tiravam de ouvido dos discos do Scott Joplin.

Por falta de aulas, de tempo ou de talento, nem eu nem o amigo que pagava metade do aluguer passámos da edição da altura, deste livrinho:


Mas um dia destes ainda arranjo um piano e volto a tentar que, nestas coisas, não deve haver duas sem três.

março 01, 2009

sherlock holmes

Li aqui há dias no jornal uma reportagem sobre o negócio dos detectives privados e aquilo para que são mais chamados.

Casos de adultério - óbvio. Adultério é coisa tão velha como o casamento, pelo menos, e a dor de corno não passa com aspirinas. Para os amantes de vinganças, para os defensores do seu património e para os que querem sacar o do cônjuge, os serviços de um detective privado serão sempre bem vindos.

Reforçar as polícias públicas - Em épocas de crise dá sempre jeito uma mãozinha extra e as polícias recorrem por vezes a serviços de privados.

Vigiar os filhos - esta foi para mim uma enorme surpresa. Imagine-se que há pais por aí que contratam detectives privados para seguir os filhos. Para saber onde vão à noite. Para saber se bebem ou se consomem drogas. Para saber quem são os amigos. A vigilância é feita através de câmaras escondidas nos quartos, por perseguição, por garotos contratados que se infiltram nos grupos e relatam o que se passa à agência de detectives, por software inserido nos computadores e nos telemóveis que permite aos pais ler mensagens, correio e conversas no messenger.

Não sei se isto é legal nem tão pouco me interessa. O que me espanta e entristece é verificar a que ponto chegou a falta de comunicação entre pais e filhos. A total incompreensão. A falta de vergonha de recorrer a estes meios, de devassar a intimidade dos miúdos, simplesmente por incompetência de chegar a eles da forma mais óbvia: conversando, perguntando, conhecendo, sendo amigo e cúmplice.

Como dizia uma professora de francês que tive no liceu, quando a turma saía dos eixos: eu pasmo, pasmo, pasmo.

fevereiro 19, 2009

distância focal

Numa loja de material fotográfico entra este meu amigo, precisamente quando o vendedor, um rapaz simpático e bem falante, enumerava as caraterísisticas de uma câmara a um cliente americano.

Utilizando o seu melhor inglês, aquele que se fala como se se tivesse uma batata quente dentro da boca, dizia o o rapaz:

- you have here a very nice camera, sir, light and compact...
- ......?
- this sir? this is the shutting button
-..........?
- here sir? here you can fix the aperture
- .......?
- ten megapixels, sir
- ........?
- this sir? this is where you can adjust the fucking distance.

O americano olhou para o meu amigo, "the fucking distance...?!" e partiu-se a rir.
O meu amigo olhou para o americano, "the fucking distance!" e partiu-se a rir.
O empregado ficou com cara de parvo a olhar para os dois, que já limpavam as lágrimas e apertavam as barrigas.

E eu parti-me a rir quando ouvi esta história.

fevereiro 18, 2009

rima

gosto tanto
do mar do rio

que

gostava que águas
não rimasse com mágoas

tempo


Vais e vens como um barco de rota incerta, sem hora ou tempo de atracar ao cais.

Já deixei de olhar o horizonte das águas em busca da tua silhueta esguia no contraluz da tarde, já deixei.

Sei que à entrada do porto algo tão leve e efémero como um bater de asas ou um laivo de espuma te fará virar o leme noutra rota de destino que nem tu vislumbras.

Como um menino de calções perseguindo uma bola de sabão, como um gato ziguezagueando uma borboleta.

Num fim de tarde tão improvável como qualquer outro, lá estarás de novo qual barco atracado ao cais sem rota certa ou hora ou tempo, a dizer-me olá como se nada fosse naquela capacidade apenas tua de comprimir as luas num só dia.

palavras ao acaso

se assim fosse o que sou
sem o que tenho
e estivesse onde estou
sem estar aqui
se ousasse ouvir
o rasgar da manhã
no fechar da noite

quanto assim seria
tanto e quanto
como o que não via
ou sentia

(saem as palavras soltas do bico da caneta
dou-lhes forma sem lhes pensar o conteúdo
na mão o instrumento de algo que não sai de mim
mas através de mim passa
numa vontade lassa de sorrir o dia)

fevereiro 15, 2009

o caminho para casa

Ele aproximou-se dela motivado por um sentimento protector que jamais experimentara antes. Nunca as mulheres o tinham verdadeiramente interessado, exceptuando a mãe com quem sempre vivera. Levava uma vida pacata, de dias iguais como grãos de areia, as novidades no jornal da manhã com o café tomado no sítio de sempre, o autocarro para a repartição, o almoço na cantina, o regresso para o jantar maternal e o sofá onde cabeceava frente ao televisor, antes de recolher ao aconchego dos lençóis. Uma vez por mês atendia às necessidades que a sua masculinidade lhe impunha com uma rapariga que parava pelo Conde Redondo.

Os dias corriam assim sem sobressaltos nem outras precisões até que ela se sentou na secretária do fundo, defronte da máquina de escrever já gasta, num ângulo que colidia com o seu olhar sempre que o levantava dos papeis em que preenchia longas colunas de números.

Ela era pequena e leve e tão branca que se podia ver o sangue a percorrer as veias que levantavam a pele translúcida que o invariável preto dos vestidos realçava. Aos seus olhos ela não andava como toda a gente, mas deslizava suavemente a curta distância do chão como que movida pela simples aragem do virar das páginas dos livros de contabilidade. Diria ele que ela se quebraria ao menor toque e ficaria reduzida a um monte de cacos de fino vidro no chão de linóleo, que ele depois teria de varrer por entre lágrimas do remorso de não a ter segurado a tempo.

Assim se chegou a ela, primeiro seguindo-a à distância certa de uma passada e um braço, depois pondo-se ao lado dela e acompanhando-a onde quer que fosse. Ela aceitou aquela presença com a naturalidade de quem, como ela, passava pela vida sem deixar marcas.

E assim se passaram anos, sem que entre os dois se tivesse trocado uma palavra, um toque ou um olhar, ela cada vez mais leve e transparente, ele segurando-a pelo vestido para que não voasse pois reparara que os seus pés, que dantes mal tocavam o chão, agora deslizavam a uns bons 15 cm de altura.

Num dia em que o vento soprava mais forte e ele a acompanhava a casa, uma rajada súbita e a ponta do vestido que ele segurava delicadamente soltou-se-lhe da mão, deixando-o sozinho no passeio enquanto ela evitava as copas das árvores e começava já a ultrapassar os telhados dos prédios.

Nesse momento em que a viu subindo, de vestido preto ondulando suavemente, percebeu que, se não a seguisse, ficaria como ela, cada vez mais leve e vazio até desaparecer de vez. Esqueceu todas as leis da física, que de qualquer modo nunca tinha aprendido como deve ser, e levantou voo a tempo de a ver passar atrás da torre 3 das Amoreiras em direcção a Sul.

Voaram assim, ela à frente e ele seguindo-a, deixando a cidade para trás, primeiro ao longo do rio, depois por cima de campos verdes e amarelos. Quando já não havia casas, nem animais nem pessoas, ela começou a subir mais em direcção ao céu. Ao longe, bem no alto, ele viu uma porta entreaberta. Sentiu-se em paz. Chegava finalmente a casa.

Texto escrito em resposta ao desafio da Ana, do Porta do Vento.

fevereiro 01, 2009

grito

se quiseres
soltar palavras
que já não falas
de tão gastas
que já não ouves
de tão surdas
grita-as molhadas
ao vento e à chuva
e vê como se dissolvem
na liquidez do dia

hoje está...

...bom para--------------------------->>> let's do it!!!!!!!!!!!!



O vídeo, é o menos mau que encontrei no tubo para esta música, mas enfim, o melhor é mesmo a letra do Chico Buarque e a voz rouca de Elza Soares.

janeiro 31, 2009

não tenho título para esta entrada...



...nem palavras. Só palmas.

janeiro 30, 2009

caetano. chico também. mas, caetano

Encontrei este vídeo na vieira do mar e não resisti a colocá-lo aqui.

Adoro o Caetano. Agora também, mas mais ainda quando era assim novinho e hippie como neste filme. Estas duas músicas estão para mim bem mais ligadas à Maria Bethânia, às versões que ela canta no Drama - 3º ato, disco que ouvi até à exaustão quando tinha uns 16 anos e que recuperei mais recentemente em mp3, um must, com textos e poemas declamados pela baiana na sua voz quente e doce.

Mas gosto destas também. E gosto sobretudo do sorriso do Caetano (adoro sorrisos) e encantam-me os trinados que tem na voz de quando em vez.



Fica a letra de Tatuagem, do Chico, para quem quiser relembrar enquanto ouve.

Quero ficar no teu corpo
Feito tatuagem
Que é prá te dar coragem
Prá seguir viagem
Quando a noite vem...

E também prá me perpetuar
Em tua escrava
Que você pega, esfrega
Nega, mas não lava...

Quero brincar no teu corpo
Feito bailarina
Que logo se alucina
Salta e te ilumina
Quando a noite vem...

E nos músculos exaustos
Do teu braço
Repousar frouxa, murcha
Farta, morta de cansaço...

Quero pesar feito cruz
Nas tuas costas
Que te retalha em postas
Mas no fundo gostas
Quando a noite vem...

Quero ser a cicatriz
Risonha e corrosiva
Marcada a frio
A ferro e fogo
Em carne viva...

Corações de mãe, arpões
Sereias e serpentes
Que te rabiscam
O corpo todo
Mas não sentes...



janeiro 29, 2009

snba update #4 - desenho em 3d

Na última aula, na passada 6ª feira, tivemos uma experiência interessante, decorrente do desafio proposto: desenhe a 3 dimensões. Modelo: o pobre R, sentadinho numa cadeira sobre uma placa giratória que o professor ia rodando para apanharmos os vários ângulos. Material: mãos e plastilina, uma coisa mais rija e plástica que a plasticina, também mais rija que o barro, produtora de bolhas nos dedos de tanto tentar moldá-la. Vantagem - tal como a plasticina não seca. Altura da peça -cerca de 30 cm.




snba update #3 - da cabeça

No 2º ano dedicámos algumas sessões ao estudo de cabeças. Aqui, o mais simples é mesmo desenhar o colega do lado que, para o efeito, passa a estar em frente. O exercício é um tanto ou quanto perturbador porque nos obriga a olhar o outro com uma atenção algo invasiva e desenhá-lo enquanto nos sentimos observados ao milímetro. Mas tem a sua graça e permite-nos lançar alguns piropos supostamente inocentes quando o colega é do sexo oposto. Fazem-se estudos a lápis, a óleo, a pastel e, finalmente, à escolha do freguês. Reparem na tendência estranha que tenho para fazer olhos enormes e esbugalhados... Tenho de treinar mais isto dos olhos.

março/2008 - grafite sobre papel

março/2008 - óleo sobre papel craft - cor natural


abril/2008 - pastel seco sobre papel craft - desafio: solte um pouco a sua imaginação


abril/2008 - pastel seco sobre papel craft - desafio: faça o que lhe passar pela cabeça!


março/2008 - cera e aguada sobre papel craft - pose de 5 minutos - modelo: busto em gesso com pano


junho/2008 - esferográfica sobre papel - modelo: busto em gesso com pano e objectos

snba update #2 - do óleo e não só

No 2º período do 2º ano pegamos pela primeira vez em óleos e respectivos pincéis. As primeiras abordagens são feitas com desenho do modelo completo, primeiro com preto e branco, depois com branco e uma cor e, finalmente, com cor real. Como sempre, o tempo é escasso. As poses são de 40 a 50 minutos, não mais.

janeiro/2008 - óleo sobre papel craft - branco e preto




janeiro/2008 - óleo sobre papel craft - branco e terra de siena queimada


janeiro/2008 - óleo sobre papel craft - branco e vermelho


fevereiro/2008 - óleo sobre papel craft - cor real (vá lá, não se riam, eu sei que este ficou péssimo mas só tenho mais um que ainda está pior)

No exercício seguinte a proposta já era com maior grau de liberdade - cores à escolha, pastéis secos
abril/2008 - pastéis secos sobre craft

janeiro 28, 2009

snba update #1 do movimento

Ando há uns bons...deixa cá ver... sete meses sete, para continuar esta série de posts. Primeiro porque não tinha tirado as fotografias, depois porque fui de férias, mais tarde porque tirei as fotografias mas ficaram manhosas, depois porque não tinha paciência para escolhê-las... às vezes sinto grande o cansaço de ter que me aturar todos os dias...

Entretanto começou e acabou o 1º período do 3º ano, não tarda acaba o 2º pois o que diz o povo a propósito das asas que o tempo tem é bem verdade e pronto, não passa de hoje. E, como não estou com grande pachorra para descrições de métodos e materiais, deixo os bonecos com algumas notas. Eventuais interessados, não hesitais em deixar vossas perguntas que responderei na volta do correio.

Esta primeira entrada é sobre desenho de movimento, uma coisa que nos acompanha desde a primeira aula do primeiro ano e que nos acompanhará sempre. Essencial para soltar a mão e limpar a cabeça no início da sessão. Pormenores e explicações aqui e aqui.




fev/2008 - pastel sobre papel craft, poses de 5 minutos



março/2008 - cera e aguadas sobre papel craft, poses de 5 minutos





dezembro/2008 - ceras aguareláveis sobre papel branco - poses de 3 minutos

Bizkit au cinéma

Acabo de descobrir a razão das ausências prolongadas do meu cão no e-mail que recebi agorinha do meu vizinho:

Ce n'est sans doute pas un très bon film mais dans toutes les stations de métro de Paris, je voyais la tête de Belmondo et la tête de Bizkit. Peut-être qu'il est passé à coté d'une belle carrière ? Peut-être que Joao pourrait lui donner une chance ?

É isso. O cão enveredou pela carreira artística e anda nos ensaios. E eu aqui a pensar em copos e mulheres...

acho...

...que o meu cão tem uma gaja. Que outro motivo pode levar um animal com 50X40X20cm a demorar-se duas horas e meia na rua numa noite de chuva miudinha e chegar a casa com um apetite avassalador?

janeiro 26, 2009

quebrando regras

Eu não sou do clube dos prémios. Nem sou do clube dos desafios (salvo algumas excepções que achei que valiam a pena), nem das correntes, tirando as correntes de ouro que dão sempre jeito e também apago num click todos os e-mails que me mandam reencaminhá-los a 40.000 pessoas sob pena de cairem sobre mim todas as pragas do universo.

Mas como as regras por vezes são para quebrar quero agradecer à Ana ter-me referido no seu digníssimo blogue. Obrigada Ana! A sério.

Agora tenho de cumprir umas regrazitas. Ora bem, como é?

1 . Tenho de deixar um link para o blog que me deu o prémio. Já está no parágrafo de cima.

2 - Tenho de colar o selo do prémio. Pimba, colado.


3 - Tenho de dizer o que vale este prémio. Deixa-me cá ir ver à Ana... É uma coisa de mulheres, um reconhecimento de códigos, de ambientes e de sensibilidades. Bom, ok. Tudo bem.

4 - Tenho de nomear mais premiadas. Isso agora é que fia mais fino e perdoa-me lá ó Aninhas, mas a esta não obedeço. Deixo a malta sossegada, até porque a blogosfera é uma aldeia e os blogues das minhas amigas são todos de ouro.

Pronto. Já está. Afinal não custou assim tanto. Mas chega, ok?

cais

o tempo trouxe vento
o vento deu ondas ao rio
as ondas, águas
e as águas, pedras
que abriram vazios no cais

sequência lógica de causa efeito
simplicidade das coisas materiais

pudera eu assim explicar
a minha alma rendilhada
de vazios de mais

luz

e se quem semeia ventos
colhe tempestades
colherá amores
quem semeia amizades?
e de aldeias colherá cidades
e de ideias vaidades?

perde-se no infinito
quem de estrelas
semeia claridades

doce

scastanhosgostodeolharosteusolhoscastanho
sgostodeolharosteusolhoscastanhosgostod
eolharosteusolhoscastanhosgostodeolha
rosteusolhoscastanhosgostodeolharos
teusolhoscastanhosgostodeolharost
eusolhoscastanhosgostodeolharos
teusolhoscastanhosgostodeolha
rosteusolhoscastanhosgotode
olharosteusolhoscastanhos
gostodeolharosteusolhos
castanhosgostodeolhar
osteusolhoscastanho
sgostodeolharoste
usolhoscastanho
sgostodeolhar
osteusolhos
castanhos

de doçuras tamanhos

perco-me no fundo do fundo do teu olhar

gotas

gotas no vidro da
janela
e o vidro ganha
corpo
nos pingos que escorrem
unindo caminhos
translúcidos
que me isolam no
tempo
que me encerram em
mim

janeiro 25, 2009

estava a ver...


... que nunca mais aqui chegava. E repararem que há 1 online... isto assim, às pinguinhas, não é para qualquer um, hein? Demora o seu tempo, pois então.

janeiro 24, 2009

bom, este blogue...

... não é nada democrático, embora se tenha dado ares durante uns dias. Aqui o que impera é a oligarquia e mainada. Portanto, após consenso familiar, apresento-vos o Calvin (de brilhante pelagem negra) e o Hobbes (aparentado com o original).




Agradeço porém a vossa colaboração, as vossas sugestões, os vossos votos, comentários e blablabla. Em particular agradeço ao Insano que, logo da primeira e talvez única vez que aqui aterrou, foi o primeiríssimo a lembrar-se desta dupla, da qual ainda por cima sou fã e que me tinha escapado.

O Insano, que não tenho o prazer de conhecer, acabou pois de ser promovido a Padrinho dos meus gatos. Claro que padrinho tem obrigações, não é verdade?

short dick man

Quando estou para aqui a trabalhar ponho frequentemente o wmp em random. É prático e leva-me por vezes a faixas que já não ouvia há bastante tempo. Bom para recordar, as faixas e o que se relaciona com elas, o que fiz e vivi ao som de.

Hoje, eu nos afazeres do costume e de repente começo a ouvir isto:



Não faço a menor ideia de como aqui veio parar. Mistérios do meu notebook...

janeiro 22, 2009

do rio num dia cinzento

Aproxima-se do carro em passinhos miúdos, tão perto que lhe posso ver o amarelo do olho encerrando uma pupila negra e uma mancha vermelha na ponta do bico.

Prende-lhe a atenção um pedaço de papel pardo, molhado no molhado do chão. Debica-o, talvez na esperança de um resto de hamburguer, o vento a levantar-lhe as penas do dorso. Uma rabanada mais forte e o papel dois metros ali à frente. Fica parada medindo os passos até lá, hesitando na validade do esforço, e opta por mais uns passinhos e umas quantas bicadas. Não vá alguém estar a olhar e dá-la por parva, faz valer o trajecto com uns golinhos na poça de água onde o papel se ficou e afasta-se de novo até à beira do cais, como se, pensando bem, aquele papel engordurado não tivesse a menor importância.

Fica assim, virada para o vento, abanando ligeiramente ao seu sabor sobre as linhas direitas das patas e as folhas dos pés, olhos amarelos curiosos ora no cais ora no rio. Chega um carro e levanta voo. Vida de gaivota.

Fico por ali mais um tempinho de pensamentos mergulhados na água indecisa entre o verde e o cinzento, mas seguramente fria, arrepiada de espuma branca e molhada.

Viro a chave para o ronronar do motor, manobro a saída e vejo de novo a minha gaivota. Tenho a certeza de que é ela, o mesmo peito branco, os mesmos olhos amarelos de pupila negra curiosa, os mesmos passinhos curtos sobre as linhas direitas das patas, a mancha vermelha na ponta do bico, as penas castanhas na cabeça que misturadas com as brancas lhe dão um tom grisalho de frente para o vento. Sorrio para dentro, imbecilmente feliz por a minha gaivota ter regressado para o pé de mim.

Uns metros mais à frente vejo outra, procuro diferenças e constato que afinal é igualzinha à minha. Olho de novo para trás e não há dúvida: a minha gaivota parada no mesmo sítio, a gémea aqui. Nada me garante agora que a minha gaivota seja de facto a minha gaivota e, no entanto, fosse eu gaivota e não me escapariam decerto pormenores que fazem de cada gaivota uma gaivota única. Fosse eu gaivota e não distinguiria uma pessoa no cais de outra pessoa no cais. Fosse eu gaivota e decerto iria pousar perto da minha pessoa, sem perceber que afinal, a minha pessoa era outra pessoa qualquer.

cidade branca

Quando, como hoje, a cidade acorda branca, só a vejo em primeiro plano da minha varanda. E é como se não existisse mais nada para lá das cozinhas e da roupa nos estendais do outro lado do interior de quarteirão, que ganham assim a importância que nunca lhes dou. Nem telhados, nem torres de igrejas, nem ponte, nem Cristo Rei. Apenas os lençois e camisas dos vizinhos, as mesas entrevistas onde tomam pequenos almoços de leite com café e torradas. Some-se Cacilhas e o estuário, o braço de rio que leva ao Montijo e some-se a Arrábida e todo o espaço daqui até lá. Podem afundar-se os barcos no rio que não os vejo e das gaivotas só tenho pios perdidos acima da espessura da névoa.

É também nestes dias que o rio me chama para que o veja como um imenso mar. Não há outra margem e a ponte pendura-se na bruma num mistério de passagem para lado nenhum.

janeiro 21, 2009

is

não sei que mal fiz
para ter uma borbulha na aba do nariz.

doi-me um bocado, não me deixa feliz,
traz-me lamúrias um pouco infantis
(diria mesmo imbecis)
pensamentos pueris
e altera-me os perfis
de formas pouco subtis.

pois é o que se diz.

the scent of love

E a única coisa que me alivia um pouco depois de ter passado duas horas a tentar limpar a caixa de correio electrónico lá do sítio onde eu trabalho que, desde que isto aconteceu, fica todos os dias a abarrotar, e de não ter feito aquilo que me apetecia fazer, para além de não ter conseguido limpar a dita caixa, é que aqui o random do meu WMP teve a gentileza de me fazer acabar a noite com esta música.



Boa noite e até amanhã.

janeiro 20, 2009

coisas sem importância

Volto para casa já depois das oito com frio e chuva a escorrer no pára-brisas, pensando no conforto da sala e em qualquer coisa quente. Antecipo o prazer da casa em sossego, dos livros que me apetece ler devagarinho, da música que vou ouvir depois do jantar enquanto deambulo por aqui ou me sento em frente de papeis em branco que esperam ser preenchidos com palavras ou com cores.

Ouço na RFI a reportagem da tomada de posse de Barak Obama e da despedida de Bush com canções de byebye e penso que já não vou a tempo das notícias da 1, mas que poderei ver as da 2. O noticiário da RFI passa para outro tema e pergunto-me porque só os franceses francesam todos os anglicismos e dizem profil bas quando toda a gente em todo o lado diz low profile. Lembro-me de outra reportagen que ouvi há meses e nos minutos que demorei a perceber que Pitarregábrièle era Peter Gabriel.

E assim entre pensamentos sem interesse que se vão interligando e vindo e indo e passando acabo por chegar ao parque de estacionamento, sair do carro, sentir no corpo os 5ºC que o termómetro do carro marcava e encaminhar-me lentamente para a porta do meu prédio, mesmo com chuva gelada na cabeça não me apetece apressar o passo, vá-se lá saber porquê.

Pego o elevador e saio no patamar, ansiosa pelo meu sofá e por um prato de sopa igual à que comi ontem. A casa não está às escuras nem fechada à chave, na sala uma câmara de video montada num tripé, o meu filho e outro miúdo a olhar para os apontamentos das cenas e à mesa um casal desconhecido de arroz e salsichas no prato, frios de tanta espera e tanto take. Era suposto ter sido ontem e por isso fui ao cinema. Ontem. E agora não tenho sala, nem quartos, tudo transformado em cenário. Resta-me ficar por aqui. Nem leituras, nem pinturas. Não se pode confiar em adolescentes.

será da ração?

Agora que vou conhecendo melhor a personalidade de cada um dos meus gatos, acho que vou chamar Bufas a um e Surdas a outro...

Porr@.....!

janeiro 19, 2009

why me?

Hoje levantei-me como todos os dias, talvez um pouco mais cedo e com um pouco mais de pressa. Tomei banho, vesti-me, pus os cremes do costume no rosto, comida e água nos gatos, saí com o cão e dirigi-me ao café de de sempre para tomar o pequeno-almoço. Despi o casaco, sentei-me, passei os olhos pelo jornal durante o galão e o pão com manteiga, levantei-me, vesti o casaco, paguei a conta, fui pôr o cão em casa, dirigi-me para o carro, apanhei trânsito pelo caminho e cheguei 10 minutos atrasada à reunião que tinha às 9h30m.

Corri até à porta do edifício, subi no elevador, percorri o corredor até à porta do fundo, cumprimentei a secretária e entrei no gabinete onde já estavam os outros quatro. Despi o casaco que pendurei na cadeira, sentei-me, abri a carteira para tirar o livrinho de apontamentos, os óculos, o telemóvel e uma esferográfica. A meio da reunião, deu-me a dor de barriga matinal e levantei-me para ir até ao wc, percorrendo o corredor em sentido contrário e de novo para trás.

Quando a reunião acabou pus as minhas coisas dentro da carteira, levantei-me, vesti o casaco, despedi-me dos outros, palmilhei de novo o corredor, dispensei o elevador e desci pelas escadas. À porta de saída, na rua, cruzei-me com um colega a quem tinha pedido umas coisas aqui há uns dias e aproveitei para lhe perguntar: então aquilo e tal? ao que ele me respondeu que tinha tudo lá em cima no seu gabinete e que se eu subisse me podia dar já. Subi as escadas até ao primeiro andar conversando com ele, passámos uma porta, novo corredor, entrámos no gabinete do secretariado para pegar parte das coisas, voltámos atrás a outro gabinete para buscar mais umas quantas e saímos de novo para o corredor.

E foi aí. No chão de mosaico branco e imaculado, a renda preta em forma de cuequinhas a olhar para nós e o meu colega: então mas agora alguém anda aqui a largar cuecas? enquanto se baixava para apanhar as ditas. Olhou para mim de cuequinhas rendadas na mão com um ar espantado. Eu tirei os meus olhos dos dele e mirei as cuecas pretas, um nadinha sexy. Numa fracção de segundo percebi que são minhas e relativamente novas e boas e que fazem conjunto com um soutien e que não me apetecia de todo ficar sem elas mesmo com o embaraço de não fazer a menor ideia de como sairam da minha casa e se materializaram ali, primeiro no chão e depois na mão do meu colega. Em 3 tempos peguei nelas, gaguejei que eram minhas, que deviam ter vindo agarradas à minha roupa e caído ali e enfiei-as rapidamente na carteira enquanto me desfazia em desculpas. O meu colega, simpático, diz-me deixa lá, isso acontece a qualquer um.

Acontece? Duvido mesmo. Onde estaria aquela porcaria pendurada durante todas as voltas que dei antes de ter caído?

janeiro 17, 2009

eh pá, desculpem lá e tal...

... mas à conta deste menino, alterei a enquete (esta palavra existe mesmo ou é invenção do blogger?) aqui ao lado e então quem já votou, olhem... votem lá outra vez, ó fáxavor!

janeiro 14, 2009

rei morto rei(s) posto(s)

Uma mulher habitua-se a viver com um gato e depois não sabe viver doutra maneira...

Pois é a falta da cabeça do gato a roçar as bordas das páginas do livro que lê à noite na cama.

Pois é a ausência daquele susto quando está quase a adormecer no sofá e o gato salta silenciosamente para o colo.

Pois são as unhas que já não verificam a solidez da perna antes do enroscanço.

Pois é não ter de abrir os armários e gavetas para procurar o gato que lá se escondeu enquanto a D. Antónia virou costas e vê-lo a sair espreguiçando-se depois de um dia de sonos entre camisolas de lã.

Pois é não ter aquele pelo todo onde enfiar os dedos distraidamente enquanto conversa com os prórpios botões.

Pois é. Foi a saudade de todos esses pequenos prazeres da companhia felina que me levou há dois dias à loja de animais aqui do bairro a ver se havia gatinhos para dar. Não havia, mas uma senhora tinha lá deixado o contacto, se aparecesse alguém e blablabla, telefonema, volte amanhã, vê se gosta e escolhe e blablabla, resumindo e concluindo ontem saí da loja com dois gatinhos irmãos, porque assim brincam e não ficam tristes e leve lá os dois e eu sou mole, não é...

De maneira que agora tenho cá estas duas lindezas ainda sem nome (ontem chamavam-se Blake e Mortimer, mas Mortimer é grande de mais e ainda ficava Morty e, bem... não me apetece):




Mas então ajudem-me lá, please

Laurel & Hardy?
Eros & Cupido?
Buda & Krishna?
Batman & Robin?
Aquiles & Heitor?
Créos & Vulcano?
Camembert & Roquefort?
Tom & Jerry?
Duffy & Duck?
Pussy & Cat?
Achille & Talon?
Magritte & Dali?
Berlioz & Toulouse?
Toulouse & Lautrec?
Charles & Darwin?
Kant & Hegel?
Marcel & Proust?
Mia & Miao?
D. Quixote & Sancho Pança?
Fellini & Visconti?
Baltazar & Belchior?
Morris & Goscinny?
Lucky Luke & Jolly Jumper?
R2D2 & 3CPO?
Fritz & Lang?
Simon & Garfunkel?
Cat & Stevens?
Amadeus & Mozart?
Ra & Aton?
César & Calígula?

Helllllllllllllllllllllllllllllllllllp!!!!!!!!!!!!!!!

janeiro 08, 2009

os faxes e o simplex

Lembram-se das redacções da Guidinha? Aqui há dias uma amiga relembrou-mas e então como tenho aqui um tema que se adapta ao estilo, perdoe-me o Sttau Monteiro lá onde esteja, longe de mim pensar em chegar-lhe aos calcanhares, mas é mesmo assim que me apetece contar isto:

OS FAXES E O SIMPLEX

Pois lá no sítio onde eu trabalho resolveram que havia que pôr em prática algumas medidas do simplex o simplex para quem não saiba é uma coisa que embora acabe em lex não tem nada de lei é mais assim como um molho de ideias para tornar a vida mais simples a toda a gente e para poupar tempo e papel e energia a começar pela energia do cidadão e também energia da outra enfim é suposto o simplex ser bom e ecológico e politicamente correcto e moderno e essas coisas todas então lá no sítio onde eu trabalho acharam por bem acabar com os faxes e como nestas coisas se é para fazer o melhor é fazer já nem se pensou duas vezes foi mais ou menos assim numa 2ª feira olha e se a malta acabasse com os faxes? e na 3ª feira estive a pensar que aquilo de acabar com os faxes é capaz de não ser má ideia bora? bora! e na 4ªfeira desliguem-se os faxes que isto de mandar é mesmo bom e na 5ª feira já estava tudo desligado foi uma limpeza um ver se te avias nunca tinha visto tamanha eficiência desde que ali trabalho e já vai para 23 anos não tarda mesmo com a malta a gritar então e sem faxes como é que fazemos para mandar um fax? então e sem faxes como é que a malta faz para nos mandar um fax? e lá os que mandaram desligar os faxes diziam-nos que nós não éramos nada modernos e que o simplex é mesmo assim é para simplificar e que temos que poupar tempo e papel e que hoje tudo se faz por e-mail não há que enganar e aí nós dissémos ah mas o e-mail é fixe para escrever mas para enviar anexos aquilo pesa e os nossos servidores são fracotes e na volta o correio electrónico entope e aqui na nossa secção só há um scanner para 150 pessoas e temos clientes que pronto estão na idade da pedra mas não têm correio electrónico bom foi tamanha a gritaria nossa e dos clientes que queriam enviar faxes e só ouviam pipipi do outro lado que os que mandaram desligar os faxes lá resolveram então criar uns faxes virtuais que é mais ou menos assim como o e-mail mas funciona com números de telefone por isso dá para enviar correio para faxes e também para receber e prometeram que nos haviam de instalar mais uns scanners para se poderem digitalizar os documentos que têm de se enviar pronto sendo assim está bem o que tem de ser tem muita força albarde-se o burro à vontade do dono e pronto estamos todos muito contentes com o simplex porque agora de cada vez que é preciso mandar um fax é tudo muito mais simples como os tais scanners ainda não vieram vai o Sr. Arlindo à secretaria lá do fundo do corredor e põe-se na bicha dos que estão à espera que o Sr. Feliciano liberte um bocadinho o computador para eles poderem usar o scanner e quando conseguem esse bocadinho já com o Sr. Feliciano a espumar e a dizer palavrões desmancha-se a bicha e andam todos à tapona a ver quem consegue enfiar os papeis no scanner em primeiro lugar e passadas duas horas volta o Sr. Arlindo com um olho negro e os papeis rasgados a dizer que é preciso assinar tudo outra vez porque não lhe correu bem aquilo lá no scanner e então a gente assina e pelo sim pelo não tira umas fotocópias não vão os papeis rasgar-se de novo passadas mais três horas porque entretanto foi o almoço lá volta o Sr. Arlindo a dizer que desta vez conseguiu digitalizar os papeis e que pôs o ficheiro na partilha interna e vai-se a ver o servidor entupiu e tem de se esperar mais um pedacito para ver se a digitalização saíu bem mesmo que esteja um bocadinho torta paciência e lá se consegue enviar o fax pelo tal esquema virtual é um luxo para receber também não há que enganar é só chegar ao pé do Sr. Martins que é quem tem o fax virtual no computador pedir-lhe para ver se chegou algum fax da firma luzesecruzeslda mas como aquilo não tem o nome da firma só tem o número de onde vem e o Sr. Martins ainda não sabe de cor os números de fax de todos os clientes tem de abrir os faxes todos até encontrar o fax da luzesecreuzeslda depois como é preciso dar um registo de entrada é só imprimir o fax e pronto como se vê temos todos a vida facilitada poupamos imenso tempo e energia e papel pois para enviar um fax só são precisas 5 horas e duas fotocópias e para receber bastam 2 horas e uma fotocópia e enquanto não chegam os scanners aproveitámos os faxes para enfeitar com um vaso de begónias em cima e vamos-lhes passando um paninho húmido para não ganharem pó.

será que ouvi bem?

E, de cada vez que me disponho a ver o telejornal sem ser na horizontal, quando não, adormeço (e nem posso dizer que seja da irrelevância das notícias, é do sono mesmo que me dá àquela hora), pois quando me disponho a ver o telejornal, dizia, fico sempre a pensar que vivemos mesmo num país de malucos.

Então agora podem-se fazer obras públicas por ajuste directo até 5.000.000€ (cinco milhões de euros), ou seja até 1.002.410.000$00, ou seja até, contas redondas, um milhão de contos?

Isto uns meses depois de ter entrado em vigor no dia 1 de Julho de 2008 um novo diploma legal que tem entre os seus principais objectivos a obtenção de uma maior transparência na contratação pública e que impõe como limite para o ajuste directo os 150.000€, ou seja 33,(3) vezes menos?

E vem um senhor (desculpem lá, mas assim de repente, só conheço as fronhas do 1º ministro, do das finanças e da da educação), vem um senhor, dizia eu, afirmar de olhos muito abertos e arzinho inocente que, "nahhh, isto não tem nada que ver com estarmos em ano de eleições, isto são directivas comunitárias para desafogar a economia e vencer a crise".

Ah sim? Ah pois...

Vá, digam-me que afinal adormeci mesmo sentadinha e tudo e sonhei isto.

frio

é quando está frio
assim,
quando o abraço é
mais apertado
o beijo mais doce
e o chocolate
mais quente,
que.

janeiro 03, 2009

desejos confessos

madrid, nov 2008

para este ano
(confesso)
queria um amor
em frente e verso

pode ser controverso
conter versos
perversos
ter tempo e contratempo
capa e contracapa
ida e volta
sim e não
mas também
força
e entrega
e paixão

queria que o amor por ti
delícia
fosse um amor por mim
carícia
um amor assim
que (sem malícia)
confesso em verso
num regresso
de mim

janeiro 02, 2009

e a 31 de Dezembro de 2008...

...para que o ano não começasse tão mal para ele como estava a ser o final de 2008, pedi ao veterinário que o enviasse rapidamente para o paraíso dos gatos. Escreveu-me ontem para me dizer que lá no paraíso felino voltou a ter saúde e recuperou os tintins que eu, maldosa e egoistamente, lhe tinha mandado retirar aos 10 meses. Explicou-me que, apesar disso, não me tem rancor. Desde que lá chegou, ainda não parou de comer gatas a sério, pelo que agradece. Fiquei aliviada.





Era lindo, não era? Mesmo, mesmo!

dezembro 31, 2008

juro que não tenho nenhum



Deu-me para isto. Tenho de parar. Sorry. Não resisti a esta. Veio de Beja. É de partir o coco a rir.

dezembro 29, 2008

quando os blogues dão frutos

O meu amigo Pedro é um rapaz dotado para a escrita e para a fotografia. O meu amigo Pedro terá com certeza outros dotes, não duvido, mas estes são os que eu conheço. O Pedro é um poeta de palavras e de imagens e isso pode muito facilmente ver-se num relance e apreciar-se devidamente se por lá nos demorarmos um pedaço mais após o primeiro relance.

A escrita e as imagens do Pedro sairam da blogosfera e foram publicadas, para já, em 3 (três) livrinhos e parece que virão mais a seguir. Ainda não os vi, está para breve, espero eu, mas não tenho qualquer pudor em recomendá-los assim mesmo, certa que estou do seu interesse. Não os vi na minha mão, mas conheço alguns dos textos e das fotografias e GOSTO!

Aqui vos deixo os links para que possam dar uma espreitadela em "Duets", imagens de mão dada duas a duas, "Marinheiro de si", contos contados para serem lidos e "Desenhar no espaço de palavras e tons", fotografias de paredes pintadas que inspiram pensamentos.

Parabéns Pedro! Quando eu for grande, gostava que as minhas palavras também frutificassem. Mas acho que ainda tenho que crescer muito.

a crise chega a todos


dezembro 27, 2008

restos de natal



Foi tão lindo o natal! Como até somos pessoas preocupadas com a natureza e assim, comprámos presentes na Natura. Para que a nossa menina se transforme numa mulher asseada, comprámos-lhe um aspirador de brinquedo. No dia seguinte, limpámos a casa toda. Não ficou um saquinho nem uma caixa para amostra. Os nossos filhos orgulham-se com certeza de nós e do nosso esmerado asseio no lar.



breves de um natal

24 - Últimas compras de manhã, almoço de pizza preguiçosa e lá vamos todos para o natal. Bacalhau com batatas, couves e ovo cozido, decorações a propósito da quadra a começar pelos convivas, vestidos de vermelho em obediência ao curioso pedido da anfitriã.

25 - Almoço nos outros avós. Não me pediram para ir de vermelho, de forma que vou de preto. Perú com um recheio à frente e outro atrás. Levo uma menina de dois anos e meio pela mão a ver as galinhas e a passear pelo pomar. Construímos um castelo com uma pedrinha a fazer de torre e uma folha seca a fazer de bandeira. Gosto das mãozinhas sujas de terra. À noite, jantar de roupa velha e canasta, abraços e beijos.

26 - Almoço tardio algures na linha de Sintra. Regresso a casa para duas horas de veterinário com o gato. Aproveito e levo o cão que tem as vacinas atrasadas. O médico torce o nariz com o mau hálito do cão e aconselha-me uma ida ao dentista para destartarização. Confirmo o mau hálito com uma careta e aceito a sugestão de bom grado, antecipando o sorriso pepsodente que o cão passará a ter. No frigorífico pouca coisa... janto um arroz de grelos e trabalho até às 4 da manhã.

Fim do natal.

poemas ao sábado #7

Ao longo da muralha

Ao longo da muralha que habitamos
Há palavras de vida há palavras de morte
Há palavras imensas, que esperam por nós
E outras frágeis, que deixaram de esperar
Há palavras acesas como barcos
E há palavras homens, palavras que guardam
O seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras, surdamente,
As mãos e as paredes de Elsenor

E há palavras e nocturnas palavras gemidos
Palavras que nos sobem ilegíveis à boca
Palavras diamantes palavras nunca escritas
Palavras impossíveis de escrever
Por não termos connosco cordas de violinos
Nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
E os braços dos amantes escrevem muito alto
Muito além da azul onde oxidados morrem
Palavras maternais só sombra só soluço
Só espasmos só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
E entre nós e as palavras, o nosso dever falar.


Mário Cesariny

dezembro 22, 2008

natal

Quando eu era pequena, passávamos o Natal em Vila Nova de Ourém que, como outras vilas foi promovida a cidade e passou a chamar-se só Ourém, perdendo o pouco interesse que tinha e passando a ter nenhum, salvo um belíssimo castelo lá no alto do morro em Ourém, então "velha" e agora terra da qual desconheço a adjectivação, mas onde perdura o castelo e as ruelas e casario que o rodeiam.

Em Vila Nova de Ourém viviam:

- quando eu era mesmo pequena, os meus avós, os meus tios com a minha prima, a minha tia solteira e a minha bisavó;

- depois, os meus avós, a minha tia viúva com a minha prima, o marido da minha prima mais o filho dos dois e a minha tia solteira;

- nos últimos anos da minha adolescência, o meu avô, a minha tia viúva com a minha prima, o marido da minha prima mais o filho dos dois e a minha tia solteira;

- O Natal deixou de se passar em Vila Nova de Ourém há uns anos largos quando já só havia o marido da minha prima mais o filho dos dois e a minha tia solteira.

Desses Natais da minha infância e juventude recordo noites mal dormidas num gelo de lençois húmidos e cobertores de papa pesadíssimos, a casa dos meus tios com um corredor que não acabava, quartos de um lado e de outro virados a norte e a nascente e para poente e sul só paredes sem janelas e tudo aquilo sem mais aquecimento que uma lareira na sala de estar que, quando o vento não estava de feição, ou seja sempre, atirava com rolos de fumo para dentro de casa, pondo todo o clã a tossir e a entrever-se desfocado com os olhos a picar.

O meu tio tinha um armazém de atoalhados e afins de maneira que a minha tia depositava a tarefa de escolher os presentes de Natal num dos empregados do armazém (cheirava a fazenda, pano turco e naftalina, o armazém) e presentava toda a família com embrulhos enormes de papel pardo atados com fitas vermelhas de dentro dos quais saiam panos de cozinha, toalhas turcas, renda a metro, jogos de cama de casal (dois lençois e duas fronhas) e outras utilidades domésticas que eu e os meus primos tínhamos de agradecer fingindo que apreciávamos muito mais ver aumentado o nosso enxoval aos oito anos de idade do que uma porcaria de um action man ou de uma caixa de lego.

O meu avô, que no fim da vida devia ter alzheimer e falava com a minha mãe como se ela fosse o Sr. Abrantes, tardes inteiras a conversar com a minha mãe, Sr. Abrantes, e como vai a família? e a minha mãe, pois vai-se andando menos mal, Sr. Lopes e logo depois o meu avô levantava-se e ia destapar o tacho do bacalhau que estava ao lume à procura da bengala enquanto me perguntava pela enésima vez se eu já tinha acabado o 7º ano e eu já a meio da faculdade. Depois chamava-me de lado, levava-me ao dito corredor sem fim e oh filha, olha para este hotel... olha que tens de dizer à tua mãe que eu não tenho dinheiro para pagar isto tudo...

Eram assim esses Natais.


dezembro 21, 2008

gaston



O Gaston é o meu gato. De entre o que se pode esperar de um gato, é um bom gato. Independente, altivo, talvez um pouco arrogante, curioso, um nadinha burro e bastante egocêntrico. Digamos que é... um gato.

O Gaston está doente. Não está doentinho. Está mesmo doente. Ontem tive a confirmação daquilo que já esperava, pelo resultado das biópsias: tumor maligno, altamente invasivo e criador de metástases. Apareceu há um mês sob a forma de um inchaço numa pata traseira. Amanhã vai fazer ecografias e radiografias para saber se há tumores em mais algum orgão. A veterinária disse-me que, se não houvesse, se podia amputar a pata. "Os gatos adaptam-se muito bem só com 3 patas, fazem uma vida normal." Vou chateá-lo só mais esta vez com os exames por descargo de consciência. Não tenho ilusões. Também havia um quisto no pescoço que se conseguiu tirar, mas tinha a mesma origem. Sei que não vou amputar pata nenhuma ao meu gato. Sei que o "tumor maligno, altamente invasivo e criador de metástases" está irremediavelmente espalhado. Se chegar lá, o Gaston fará 10 anos em Abril. É o gato mais bonito do mundo.



Vou mantê-lo enquanto tiver a vivacidade para fazer o que fez hoje: caçar passarinhos num 6º andar e depositá-los no chão da cozinha, como uma oferta.

dezembro 16, 2008

sósias


Ontem no elevador:

- mãe, já reparaste que o vizinho de baixo é igual ao Ned Flanders?
- quem é o Ned Flanders?
(o nome não me soava estranho, mas... raio de memória)
- é o vizinho dos Simpsons, a única diferença é que o nosso não usa bigode
- eh pá... não é que tens razão? é ingualinho!
- e não é só fisicamente... é no resto também.
- isso já não sei... bom, tem ar de quem vai à missa todos os domingos mas não estou a ver o Ned Flanders a bater com o cabo da vassoura no tecto quando tu tocas baixo até mais tarde ou a ir lá acima em roupão às onze e meia de uma das duas noites por ano em que dou festas lá em casa para se queixar do barulho...
- pois.

dezembro 15, 2008

beijo

do calor
o beijo
o sopro
quentes as mãos
no pescoço
a curva
curva dos dedos
nós
nós dos dedos
medos no olhar
a desvendar raízes
dos cabelos
nos dedos
curva
curva do pescoço
nas mãos

beijo quente
o teu amor

vento


em voltas revoltas
à volta das copas
(altas)
bandos de pássaros
cor-de-laranja
em voos malucos
sem tino
sem nexo
incertos
sem rumo
morcegos
traças
tontos de luz
chovem nos meus cabelos


jazem os pássaros
mortos no chão
asas quebradas de cansaço

dezembro 14, 2008

poemas ao sábado #6

Povoamento

No teu amor por mim há uma rua que começa
nem árvores nem casas existiam
antes que tu tivesses palavras
e todo eu fosse um coração para elas
Invento-te e o céu azula-se sobre esta
triste condição de ter de receber
dos choupos onde cantam
os impossíveis pássaros
a nova primavera
Tocam sinos e levantam voo
todos os cuidados
Ó meu amor nem minha mãe
tinha assim um regaço
como este dia tem
E eu chego e sento-me ao lado
da primavera


Ruy Belo

dezembro 08, 2008

piropos filiais via messenger

João - just woke up from the daydream diz (00:05):
tao tao gira nessa foto mamã
Teresa diz (00:05):
achas?
João - just woke up from the daydream diz (00:05):
acho
Teresa diz (00:05):
a mãe é gira?
João - just woke up from the daydream diz (00:06):
é a mae mais gira
Teresa diz (00:06):
YEAHHHH!

dezembro 06, 2008

poemas ao sábado #5

Barco

Margens inertes
abrem os seus braços
Um grande barco no silêncio parte.
Altas gaivotas nos ângulos a pique,
Recém-nascidas à luz, perfeita a morte.
Um grande
barco parte abandonando
As colunas de um cais ausente e branco.
E o seu rosto busca-se emergindo
Do corpo sem cabeça da cidade.
Um grande
barco desligado parte
Esculpindo de frente o vento norte.
Perfeito azul do mar, perfeita a morte
Formas claras e nítidas de espanto.


Sophia de Mello Breyner Andresen

dezembro 02, 2008

dos teus olhos junto ao rio

asas brancas
em volteios redondos
sobre as águas do rio
asas pretas
num voo rasante
em contraluz
mergulhos a pique
no verde azul cinzento
castanhos os teus olhos
profundos nos meus
debicando minha alma
peixe desatento
levado para os céus