dezembro 21, 2008

gaston



O Gaston é o meu gato. De entre o que se pode esperar de um gato, é um bom gato. Independente, altivo, talvez um pouco arrogante, curioso, um nadinha burro e bastante egocêntrico. Digamos que é... um gato.

O Gaston está doente. Não está doentinho. Está mesmo doente. Ontem tive a confirmação daquilo que já esperava, pelo resultado das biópsias: tumor maligno, altamente invasivo e criador de metástases. Apareceu há um mês sob a forma de um inchaço numa pata traseira. Amanhã vai fazer ecografias e radiografias para saber se há tumores em mais algum orgão. A veterinária disse-me que, se não houvesse, se podia amputar a pata. "Os gatos adaptam-se muito bem só com 3 patas, fazem uma vida normal." Vou chateá-lo só mais esta vez com os exames por descargo de consciência. Não tenho ilusões. Também havia um quisto no pescoço que se conseguiu tirar, mas tinha a mesma origem. Sei que não vou amputar pata nenhuma ao meu gato. Sei que o "tumor maligno, altamente invasivo e criador de metástases" está irremediavelmente espalhado. Se chegar lá, o Gaston fará 10 anos em Abril. É o gato mais bonito do mundo.



Vou mantê-lo enquanto tiver a vivacidade para fazer o que fez hoje: caçar passarinhos num 6º andar e depositá-los no chão da cozinha, como uma oferta.

8 comentários:

Teresa disse...

T.,
não sei dizer nada. Nada, nada, nada. A não ser esta coisa parva: tenho tanta pena...
Li este post cheia de angústia. Os nossos bichos deviam viver até à véspera da nossa morte, nem um dia menos.
Isto nao é justo, pronto!

Di Napoli disse...

Gaston, mando aqui um beijinho de força à tua dona e, para ti, muita força e coragem, pá! Tu luta-me contra isso, mano! E sem medos, ok?
É que, sabes, havemos de nos reencontrar todos mais tarde, e, aí, trataremos de acabar com as saudades todas que certamente iremos ter!

PS: Já imaginaste que, daqui ainda a uns bons tempos, vais ter montes de pardalecos (e outros pássaros parecidos) completamente à tua disposição, só para te ires entretendo nas tuas caças matinais? Haja é espaço para os ires guardando! :)

(Beijinho grande para ti, Teresa.)

tcl disse...

T, é a vida, morrem os bichos e, pior que isso, morrem as pessoas. Não há nada mais certo. O importante é que vivam bem e felizes, enquanto viverem.

Pedro, gostei da tua visão do "paraíso".

Boas festas para vocês!

Livro de Autor disse...

Sim, senhora, um belo gato o Gaston de olhos verdes e atentos, com coleirinha azul!

Também gostei muito do chão da cozinha - apesar do passarinho ali esborrachado.

Mad disse...

É, sem sombra de dúvida, o gato mais bonito do mundo, atesto. E com tanta beleza, para que precisa ele de ser esperto?

Olha... beijos grandes, sabes que sei o que isso é - acho que ainda nem fez 15 dias.

Bom Natal, T2.

ana v. disse...

É bonito sim senhora, o Gaston. Também atesto. E tem um ar snob, que lhe dá ainda mais graça (a fotografia de cima mostra bem isso, está fantástica!). Olha, só posso dizer-te que o gozes enquanto é possível e ele não sofre muito. Depois, deixa-o ir... assim tão simples fossem as decisões que temos de tomar às vezes, com as nossas pessoas queridas.
Um beijo e Bom Natal.

SC disse...

Lindo, sem dúvida.

Por mais anos que passem, vou sempre lembrar-me da minha gata, o quão especial foi para mim, e recordar-me do dia em que tive de a mandar abater, tinha ela 9 anos. Chega uma altura em que o sofrimento deles é tal que esta decisão é um acto de amor. (...)

Força!

Pedro disse...

É lindo sim! Abraço!