setembro 18, 2007

recado

halong bay, 2005

Diz-lhe por favor e com a voz mansa que é a tua que, quando aqui vier, estarei à sua espera.

Diz-lhe que venha com cuidado e devagarinho para não acordar os sonhos que são só nossos e não apagar as velas que deixei acesas. Que venha docemente, como docemente partiu, sem palavras nem gestos inúteis.

Diz-lhe que pus na cama os lençóis de linho e que perfumei as toalhas com alfazema, que a mesa está posta com o serviço da minha avó, os talheres de prata e os dois copos para o vinho.

Diz-lhe que a casa está limpa e arrumada, as janelas abertas e o ar que por elas entra fresco traz os mesmos cheiros de então.

Diz-lhe que guardo em mim todos os sabores do seu corpo, a suavidade das suas mãos, o sorriso e o canto, tal como nas gavetas guardo ainda a sua roupa e nas molduras o seu rosto.

Diz-lhe que li todos os livros que me ofereceu, que ouvi todas as músicas e que fiz tudo o que deveria ser feito.

Está tudo pronto. Quando vier, que traga os braços vazios para me abraçar e os lábios doces para me beijar. Desta vez, partirei também.

3 comentários:

Gonçalves disse...

Bonito, talvez profundo e sensível. Gosto especialmente do 3º parágrafo. Comum e curioso o uso da alfazema nas gavetas da roupa pelas casas, por este país fora...

Anónimo disse...

"Diz-lhe que li todos os livros que me ofereceu, que ouvi todas as músicas e que fiz tudo o que deveria ser feito."

Já eu não li... mas guardo-os como preciosidades pelas dedicatórias que são quase um livro dentro do livro.

Teresa, Teresinha, eu gosto da sua escrita mesmo quando você fala da aula de ginástica, compreende? Gosto do seu sentido de humor, do calão que às vezes utiliza... Por isso digo que faço parte das chusmas.

Beijos.
Ana Lúcia

tcl disse...

:-)