Ouço na RFI a reportagem da tomada de posse de Barak Obama e da despedida de Bush com canções de byebye e penso que já não vou a tempo das notícias da 1, mas que poderei ver as da 2. O noticiário da RFI passa para outro tema e pergunto-me porque só os franceses francesam todos os anglicismos e dizem profil bas quando toda a gente em todo o lado diz low profile. Lembro-me de outra reportagen que ouvi há meses e nos minutos que demorei a perceber que Pitarregábrièle era Peter Gabriel.
E assim entre pensamentos sem interesse que se vão interligando e vindo e indo e passando acabo por chegar ao parque de estacionamento, sair do carro, sentir no corpo os 5ºC que o termómetro do carro marcava e encaminhar-me lentamente para a porta do meu prédio, mesmo com chuva gelada na cabeça não me apetece apressar o passo, vá-se lá saber porquê.
Pego o elevador e saio no patamar, ansiosa pelo meu sofá e por um prato de sopa igual à que comi ontem. A casa não está às escuras nem fechada à chave, na sala uma câmara de video montada num tripé, o meu filho e outro miúdo a olhar para os apontamentos das cenas e à mesa um casal desconhecido de arroz e salsichas no prato, frios de tanta espera e tanto take. Era suposto ter sido ontem e por isso fui ao cinema. Ontem. E agora não tenho sala, nem quartos, tudo transformado em cenário. Resta-me ficar por aqui. Nem leituras, nem pinturas. Não se pode confiar em adolescentes.







