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agosto 17, 2009

hot hot hot

Não gosto deste calor a não ser que me materialize à beira d'água e me embeba na sua doçura fresca. Corpo a deslizar na água ou água que desliza no corpo, tão transparente e macia como a camisola do dia na canção.

Não gosto deste calor de ananases (vá-se lá saber por que se diz calor de ananases e não de bananas que são bem mais quentes, digo eu) que me faz a pele pegajosa, humidades e suores misturados com pós e coisas que andam pelo ar, a menos que possa estar como vim ao mundo espojada num lençol branco, lavado e bem esticado, com um pano molhado pendurado no vão da janela aberta e que a brisa liberte de frescura.

Não gosto deste calor a não ser à noite, se me passeio à beira-rio, escapando-me de todos os outros que se passeiam de noite à beira-rio porque não gostam deste calor e por ali sempre têm a ilusão de vagas brisas, mais largas ainda assim que as dos aparelhos de ar condicionado que se regulam para 18ºC e não fazem o termómetro baixar dos 24.

Não gosto deste calor que aquece como uma estufa o meu apartamento de último andar, apesar das vistas da varanda e das larguezas que lhe gabo.

Não gosto deste calor, a menos que o tenha num qualquer destino onde a vontade me leve e ele avive os cheiros a terra ventre parindo naturezas e cores e sabores que até aí me eram estranhos.

Não gosto deste calor, ainda que a minha alma me leve sempre para Sul os passos.

Não gosto deste calor aqui.

março 09, 2009

tempos in úteis

É verdade, como te disse, que me canso de mim assim como sou. Canso-me de mim a querer fazer tanta coisa e no final a não fazer nada. Como se tivesse um caderno em que fosse preenchendo as folhas com listas, cronogramas, diagramas com bolas, losangos, quadrados e muitas setas. E uma vez esse caderno acabado, preencheria outro e mais outro, até ter uma prateleira inteira cheia de cadernos bem alinhados, e mais nada, sempre muito pouco mais que nada.

Canso-me de mim assim como sou. De gastar o tempo com inutilidades como sentar-me ali fora na varanda, pés apoiados no varandim a medir a cidade a palmo. Dois palmos da torre da basílica até ao topo do pilar da ponte, meio palmo daí até ao Cristo-Rei e, de lá a Cacilhas, três palmos bem medidos. E quando já não há nada que me interesse medir a palmo, conto quantos barcos passam no meu pedaço de rio em meia-hora, quantos aviões no meu pedaço de céu ou, se calha o tempo trazer as gaivotas até cá acima, tento contá-las sem repetir nenhuma.

No fim do dia, conto quantas coisas não fiz das que queria ter feito.

Lá no fundo, gosto dos tempos inúteis, fazem-me sentir dona de todo o tempo do mundo. Mesmo assim, canso-me de mim assim como sou.

novembro 04, 2008

tcl #2

Já sabia que era uma mulher popular na China.

Desconhecia no entanto que era possuidora de uma empresa de aluguer de automóveis no Porto. Foi preciso o meu vizinho ir à Invicta para eu ficar ciente desse facto.

Agradou-me, mas mesmo assim gostei mais da réplica do pão-de-ló de Margaride que ele me trouxe da Padaria Ribeiro. Parece que a Margaride fechou...

dezembro 26, 2007

máscara

nesta festa cada paradoxal teve direito a uma pintura facial que nos permitiu ser facilmente identificados entre os restantes mortais que tiveram a gentileza de responder à nossa proposta de uma noite diferente (e que foram mais de 500, boa!).

todas diferentes, mas todas em tons de azul, preto e prateado.

deveria ter guardado a minha até hoje para melhor passar despercebida na quadra natalícia.


como sou pouco prevista, tirei-a na mesma noite.