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março 07, 2009

a quinta frase

E, num relance, o Pedro propõe-me o seguinte:

1 - Agarrar o livro mais próximo
2 - Abrir na pág. 161
3 - Procurar a quinta frase completa
4 - Colocar a frase no blog
5 - Indicar 5 pessoas para continuar a tarefa

Ora os livros que leio de momento estão lá na mesa de cabeceira. Não são os mais próximos. Esses estão aqui na estante atrás de mim. Pezinhos no chão e faço rodar a cadeira até chegar à estante. Estico o braço e tiro um às cegas.

Humm... "Diários de Viagem - desenhos do quotidiano" de Eduardo Salavisa. Com sorte, talvez a pág. 161 seja de texto. Pois,


não é.

Tentemos de novo: "Cem Poemas Portugueses do Adeus e da Saudade", selecção, organização e introdução de José Fanha e José Jorge Letria. Pág. 161, 5ª frase completa. Para mim, mulher de ciências, em poesia é bem mais complicado separar frases. Aliás, nem vejo o interesse. Mas foi o que saíu. Julgo que esta estrofe é apenas uma frase (serão duas?) e sendo uma, parece-me ser a 5ª (podia ter-me saído um romance, não era?). Então é assim:

"Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti."

Lindo. De Alexandre O'Neill "Um adeus português"

E os cinco a quem encomendo a mesma tarefa:

Ana
Maria V
Huck
Pedro
PKB

janeiro 26, 2009

quebrando regras

Eu não sou do clube dos prémios. Nem sou do clube dos desafios (salvo algumas excepções que achei que valiam a pena), nem das correntes, tirando as correntes de ouro que dão sempre jeito e também apago num click todos os e-mails que me mandam reencaminhá-los a 40.000 pessoas sob pena de cairem sobre mim todas as pragas do universo.

Mas como as regras por vezes são para quebrar quero agradecer à Ana ter-me referido no seu digníssimo blogue. Obrigada Ana! A sério.

Agora tenho de cumprir umas regrazitas. Ora bem, como é?

1 . Tenho de deixar um link para o blog que me deu o prémio. Já está no parágrafo de cima.

2 - Tenho de colar o selo do prémio. Pimba, colado.


3 - Tenho de dizer o que vale este prémio. Deixa-me cá ir ver à Ana... É uma coisa de mulheres, um reconhecimento de códigos, de ambientes e de sensibilidades. Bom, ok. Tudo bem.

4 - Tenho de nomear mais premiadas. Isso agora é que fia mais fino e perdoa-me lá ó Aninhas, mas a esta não obedeço. Deixo a malta sossegada, até porque a blogosfera é uma aldeia e os blogues das minhas amigas são todos de ouro.

Pronto. Já está. Afinal não custou assim tanto. Mas chega, ok?

maio 07, 2008

a minha pátria é a língua portuguesa

Por ser solidária com o movimento anti-acordo ortográfico e por ter sido divulgado este pedido na blogosfera, publico o texto que se segue que, a correr bem, será publicado por muitos outros bloggers por esta hora, mais minuto menos minuto.



MANIFESTO
EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA
CONTRA O ACORDO ORTOGRÁFICO
(Ao abrigo do disposto nos Artigos n.os 52.º da Constituição da República Portuguesa, 247.º a 249.º do Regimento da Assembleia da República, 1.º n.º. 1, 2.º n.º 1, 4.º, 5.º, 6.º e seguintes da Lei que regula o exercício do Direito de Petição)

Ex.mo Senhor Presidente da República Portuguesa
Ex.mo Senhor Presidente da Assembleia da República Portuguesa
Ex.mo Senhor Primeiro-Ministro

1 – O uso oral e escrito da língua portuguesa degradou-se a um ponto de aviltamento inaceitável, porque fere irremediavelmente a nossa identidade multissecular e o riquíssimo legado civilizacional e histórico que recebemos e nos cumpre transmitir aos vindouros. Por culpa dos que a falam e escrevem, em particular os meios de comunicação social; mas ao Estado incumbem as maiores responsabilidades porque desagregou o sistema educacional, hoje sem qualidade, nomeadamente impondo programas da disciplina de Português nos graus básico e secundário sem valor científico nem pedagógico e desprezando o valor da História.
Se queremos um Portugal condigno no difícil mundo de hoje, impõe-se que para o seu desenvolvimento sob todos os aspectos se ponha termo a esta situação com a maior urgência e lucidez.

2 – A agravar esta situação, sob o falso pretexto pedagógico de que a simplificação e uniformização linguística favoreceriam o combate ao analfabetismo (o que é historicamente errado) e estreitariam os laços culturais (nada o demonstra), lançou-se o chamado Acordo Ortográfico, pretendendo impor uma reforma da maneira de escrever mal concebida, desconchavada, sem critério de rigor, e nas suas prescrições atentatória da essência da língua e do nosso modelo de cultura. Reforma não só desnecessária mas perniciosa e de custos financeiros não calculados. Quando o que se impunha era recompor essa herança e enriquecê-la, atendendo ao princípio da diversidade, um dos vectores da União Europeia.
Lamenta-se que as entidades que assim se arrogam autoridade para manipular a língua (sem que para tal gozem de legitimidade ou tenham competência) não tenham ponderado cuidadosamente os pareceres científicos e técnicos, como, por exemplo, o do Prof. Doutor Óscar Lopes, e avancem atabalhoadamente sem consultar escritores, cientistas, historiadores e organizações de criação cultural e investigação científica. Não há uma instituição única que possa substituir-se a toda esta comunidade, e só ampla discussão pública poderia justificar a aprovação de orientações a sugerir aos povos de língua portuguesa.

3 – O Ministério da Educação, porque organiza os diferentes graus de ensino, adopta programas das matérias, forma os professores, não pode limitar-se a aceitar injunções sem legitimidade, baseadas em "acordos" mais do que contestáveis. Tem de assumir uma posição clara de respeito pelas correntes de pensamento que representam a continuidade de um património de tanto valor e para ele contribuam com o progresso da língua dentro dos padrões da lógica, da instrumentalidade e do bom gosto. Sem delongas deve repor o estudo da literatura portuguesa na sua dignidade formativa.
O Ministério da Cultura pode facilitar os encontros de escritores, linguistas, historiadores e outros criadores de cultura, e o trabalho de reflexão crítica e construtiva no sentido da maior eficácia instrumental e do aperfeiçoamento formal.

4 – O texto do chamado Acordo sofre de inúmeras imprecisões, erros e ambiguidades – não tem condições para servir de base a qualquer proposta normativa.
É inaceitável a supressão da acentuação, bem como das impropriamente chamadas consoantes "mudas" – muitas das quais se lêem ou têm valor etimológico indispensável à boa compreensão das palavras.
Não faz sentido o carácter facultativo que no texto do Acordo se prevê em numerosos casos, gerando-se a confusão.
Convém que se estudem regras claras para a integração das palavras de outras línguas dos PALOP, de Timor e de outras zonas do mundo onde se fala o Português, na grafia da língua portuguesa.
A transcrição de palavras de outras línguas e a sua eventual adaptação ao português devem fazer-se segundo as normas científicas internacionais (caso do árabe, por exemplo).
Recusamos deixar-nos enredar em jogos de interesses, que nada leva a crer de proveito para a língua portuguesa. Para o desenvolvimento civilizacional por que os nossos povos anseiam é imperativa a formação de ampla base cultural (e não apenas a erradicação do analfabetismo), solidamente assente na herança que nos coube e construída segundo as linhas mestras do pensamento científico e dos valores da cidadania.
Os signatários,
Ana Isabel Buescu
António Emiliano
António Lobo Xavier
Eduardo Lourenço
Helena Buescu
Jorge Morais Barbosa
José Pacheco Pereira
José da Silva Peneda
Laura Bulger
Luís Fagundes Duarte
Maria Alzira Seixo
Mário Cláudio
Miguel Veiga
Paulo Teixeira Pinto
Raul Miguel Rosado Fernandes
Vasco Graça Moura
Vítor Manuel Aguiar e Silva
Vitorino Barbosa de Magalhães Godinho
Zita Seabra



E, quem quiser juntar-se aos demais, é só ir aqui Manifesto em Defesa da Língua Portuguesa contra o Acordo Ortográfico e assinar. Neste momento, já somos 11.440!

março 06, 2008

meia dúzia...

... de músicas que tenham sido importantes no meu passado é o que me pede a Mad. Meia dúzia é muito pouco, então para mim que consigo gostar de músicos tão diferentes como Mozart e Eminem, é pouquíssimo.

Também não sei muito bem a que passado me devo referir. Ao tempo intra-uterino em que a minha gestante mãe enjoou para sempre uma música brasileira da moda que o meu irmão ouvia 500 vezes por dia (banho de lua - de Celly Campello) e que foi importante na minha meninice quando me queria vingar duma sopa de couves que ela me tinha obrigado a engolir e punha o single de 78 rpm em altos berros ou, a um passado mais recente, ontem por exemplo, em que o mais importante em termos musicais foi conseguir cantar o "my love is like a red, red rose" sem desafinar? Ou aos primeiros anos pós 25 de abril em que o importante era cantar "grândola vila morena" a plenos pulmões e de punho erguido?

Pois não sei bem que faça... Bom, vamos a isto, sabendo que se este post fosse feito amanhã, a escolha seria decerto outra.

1 - Smoke on the water dos Deep Purple - isto corresponde ao tempo das primeiras festas de garagem, luzes de várias cores a piscarem na penumbra e um molho de miúdos que de repente passam do balão do João e das pombinhas da catrina para o rock da pesada.

2 - A walk on the wild side do Lou Reed - idem, idem em versão mais soft e com a cena travesti a apimentar a coisa. Uma música que ainda hoje me faz vibrar.



3 - Drama 3º acto de Maria Bethânia - daqui não dá para escolher uma música pois o disco é um todo completo com a sua sequência de palavras ditas e cantadas. Um disco que amei e amo, de que nunca tive o original de vinil mas apenas uma cassete que gravei apontando o microfone do gravador a pilhas para a saída de som do pick-up e que ouvi à exaustão nos meus 13, 14 anos. Talvez o meu primeiro encontro com a mpb e que já posso reviver quando quero em mp3.

4 - Portrait of a romantic de John Surman - um must do saxofone numa época menos feliz da minha vida. Ainda hoje choro se ouço isto de olhos fechados.

5 - More fool me dos Genesis - porque gosto, pronto.



6 - You and your sister de This Mortal Coil - Uma das músicas que me fazem lembrar os tempos de atelier, directas a trabalhar pela noite fora. Quando trabalhar era mesmo giro. E adoro esta música.



Passo esta tarefa apenas à Teresa, pois sei que lhe agradará sem dúvida fazer um post com este tema. Quanto aos outros, sintam-se à vontade para fazer o mesmo ou para deixarem a vossa selecção na caixinha de comenários.

fevereiro 10, 2008

última ceia

Pedem-me que escolha doze palavras de que goste. Quem me costuma ler sabe que sou uma quebra-correntes convicta simplesmente porque não gosto de escrever por encomenda. Mas até já tinha passado por este exercício noutro blog e dei comigo a pensar que desta vez não me importaria de dar resposta se o convite aqui aparecesse. E apareceu.

Doze palavras é um número de palavras. Poderia ser uma e seria um grito, cem e já poderia com elas fazer um poema e com mil escreveria um conto. Será que ao escolher palavras soltas simplesmente pela sua sonoridade, as consigo dissociar do seu significado? Gosto de "sopapo" por exemplo. No entanto não gosto de levar um. Gosto de "troglodita", mas não me parece que goste de algum. Gosto de "supimpa" mas raramente a uso.

Comecei por tentar palavras soltas de que os meus ouvidos gostam. Sem pensar muito, peguei no lápis e no papel e rabisquei duma assentada:

madrugada
brisa
travessia
infinito
púrpura
ondulante
abraço
mar
líquido
suavidade
seara
duna

Reli a lista de palavras. São palavras soltas, talvez bonitas, mas inevitavelmente ligadas ao que dizem e com um fio condutor que as une. No meu íntimo percebo por que, inconscientemente, as juntei. Enquanto olho para esta lista, pego de novo no lápis e sai-me outra:

tu
eu
nós
nus
desejo
breve
abraço
beijo
boca
pele
suor
colo

Definitivamente, as palavras ganham vida própria e teimam em unir-se formando qualquer coisa que faça sentido como um todo. Poderia continuar a juntar doze e mais doze e mais doze, mas fico-me por aqui.

Deixo o convite para quem por aqui passe e lhe apeteça fazer o mesmo. Mas sugiro ao Alf, à Nani, ao Pedro Gonçalves, ao Pitx, à SC, ao Ervi, ao JG, ao Huckleberry Friend , ao Gonçalo e à Mad que o façam, se estiverem para aí virados. Tem a sua graça.