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outubro 15, 2009

asas


depois do depois disso
isto apenas
o meu nome
na tua boca
sussurro
perto
tão perto
arrepio
sopro breve
abraço macio
asa leve
breve já

agosto 04, 2009

brilhos sorrisos

Ah... como gosto
de brilhos nos olhos
e nos sorrisos
aos molhos

os brilhos
em risos sorrisos
fazem sorrir
e brilhar meus olhos

inspirado aqui

junho 30, 2009

dos dervixes em istambul


roda o dervixe
de saia rodada
roda a saia
redonda roda
brancas as voltas
da saia que roda
nas voltas do corpo
que roda (n)a saia
na dança redonda
de braços no ar
às voltas na dança
a rodopiar

junho 11, 2009

de costas voltadas


O céu assim tão belamente aguado e tu de costas para mim, indiferente ao meu braço que já te foi esticado, indiferente às gaivotas que nos confundem com mastros de barcos, que verificam afinal a ausência de cheiro a peixe e se afastam de nós.

O céu assim tão fundamente sombra e luz e tu ignorando os meus volteios de bailarino tentando contrapesos e contrapontos de ti, numa dança maluca para cá e para lá na esperança que me sintas e me notes e me ouças os guinchos de metal sobre o piar das gaivotas.

O céu assim tão azulmente cinza e eu a mostrar-te o dorso, a desistir de encontros de braços esticados nos céus, a desistir de ti ostensivamente desatenta sem perceberes que se quisesses, eu podia rebentar uma nuvem só para ti.

maio 13, 2009

de um dia assim

de tão bonito
num grito
meu coração aflito
mas de prazer
ai...
ou de sofrer
por ser
um dia
mais um dia
só mais um dia
a doer
assim

nem mais um dia
sem te ter
juntinho a mim
sim
e um grito
bonito
de morrer

maio 08, 2009

how

can't you see
how is
just
to be
we

variações do que li aqui

janelas azuis

quando
tu aqui
suspensos os olhos
no voo dos barcos
na lava
que desce Monsanto
arrepiando corujas
lua
pendurada na varanda
luz
impedindo Vega
pega
da mão
na pele
no pelo
cabelo
cheiro
de noite e mar
janelas azuis
tu

maio 04, 2009

azul

O dia tão azul e no entanto pérolas nos olhos a turvarem o azul do dia enquanto não descem pela face e se unem no queixo em pérolas maiores que tombam no colo, contas desfiadas de um colar antigo.

O dia tão azul e no entanto eu aqui e tu sei lá bem onde, mesmo que te ouça como se estivesses mesmo ao meu lado e me arrepiasses o pescoço num sussurro e num toque de dedos pelas costas.

O dia tão azul e no entanto alguém a pintá-lo de branco, indiferente a pérolas nos olhos, indiferente a arrepios de dedos e sussuros em ouvidos, como se lhe pertencesse todo o azul do dia.

abril 27, 2009

dedos

poemas
por tocar
infinitos
os teus dedos
pontas
de segredos


variações do que li aqui.

abril 20, 2009

castanho

reflexos de mar
nuns olhos castanhos
(quase pretos)
fazem azul
o teu olhar

mistérios tamanhos
para eu amar

língua

guardo algumas feridas
abertas
para que mas lambas
e assim saibas meus segredos
meus medos
de feridas por sarar

azul

palavras
são silêncios
no branco azul
do teu olhar

pausas de
(a)mar

abril 09, 2009

breve

Até breve,
e o breve agora
pode ser quase.
Quase é o tempo
que uma vela
demora a arder

Muito breve
quase já

abril 07, 2009

paredes nuas

na tua casa
as paredes
brancas
tão nuas
que só
me foco
em ti

entra a noite
pelas janelas
em sombras
pedaços
palavras
silêncios
e toco
a tua pele

olhos fechados
nos lábios
um beijo

desejo
assim

março 25, 2009

tu

diz-me se
és tu
aí tão cru
a ir embora

que em mim
te senti
tão nu
no aqui
agora

março 13, 2009

guitarras

quando dedilham guitarras
em choros prantos lamentos
ao ritmo que cresce nos dedos
como em asas de cigarras

bate o coração que canta
no peito e mãos, no corpo todo
até se soltar o grito
abafado na garganta

março 04, 2009

dos lábios desejo

Ai lábios de beijo
de tanto desejo
carnudos morangos
de sumo a escorrer
macias cerejas
doces de mel

teus lábios de anjo
minha maldição
sonhos inquietos
de olhos abertos
ai perdição

nu


bifurcações
angulosidades
rectas
agudas
obtusas
por vezes rasas
nunca completas

rugoso de velho
forte é o tronco
quase aprumado
quase

fuste de embuste
que me diverges
em mil linhas
rendilhando céus

fevereiro 18, 2009

rima

gosto tanto
do mar do rio

que

gostava que águas
não rimasse com mágoas

palavras ao acaso

se assim fosse o que sou
sem o que tenho
e estivesse onde estou
sem estar aqui
se ousasse ouvir
o rasgar da manhã
no fechar da noite

quanto assim seria
tanto e quanto
como o que não via
ou sentia

(saem as palavras soltas do bico da caneta
dou-lhes forma sem lhes pensar o conteúdo
na mão o instrumento de algo que não sai de mim
mas através de mim passa
numa vontade lassa de sorrir o dia)