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junho 30, 2009

dos dervixes em istambul


roda o dervixe
de saia rodada
roda a saia
redonda roda
brancas as voltas
da saia que roda
nas voltas do corpo
que roda (n)a saia
na dança redonda
de braços no ar
às voltas na dança
a rodopiar

junho 29, 2009

de uma janela em Istambul




A Mesquita Azul entrava-me pela janela do quarto adentro sem qualquer cerimónia, de manhã em contra-luz, à tarde iluminada pelo pôr-do-sol e à noite abraçada por dezenas de gaivotas brilhantes que não lhe largavam os minaretes em eternos volteios e gritos.

À hora das rezas a Mesquita Azul entrava em diálogo com outra mesquita mais pequena que fica mesmo ali ao lado, junto a Santa Sofia, num dueto mágico de cânticos em vozes que dos altifalantes dos minaretes conduziam a oração dos fieis. Sei que deste dueto saiam versos do Corão, mas permiti-me imaginar que a conversa era outra, como se as duas mesquitas falassem sobre os afazeres do dia ou as agruras da vida.

Difícil esquecer duas mesquitas que conversam em Istambul.

junho 19, 2009

mar de mármora


para ti
o mar
todo o mar
mar de mar
mar amar
mar de mármora
mar de mármore
mar de amar-me
em ti amar
sem tardar
o mar

junho 17, 2009

de bizâncio com amor #2

Já vim e trouxe tudo.

Até um monte de Bósforo. Era fácil afinal. Não me sai do olhar, não me sai de dentro. Um monte de Bósforo.

junho 11, 2009

de bizâncio com amor

Para trazer deste meu fim-de-semana prolongado que se avizinha, de entre amigos e familiares tive os seguintes pedidos:

- uma ou duas camisas de algodão do Egipto sem colarinho
- lokums de rosa
- um livro sobre cerâmica medieval do médio oriente
- um monte de Bósforo

Não sei como me vou arranjar para trazer um monte de Bósforo.

maio 08, 2009

pedalando em paris

Uma das coisas boas que Paris tem de há um ano e tal para cá são as velib, bicicletas de uso partilhado a um euro por dia, desde que não se utilizem durante mais do que meia hora de cada vez. Depois de dois dias de mais chuva do que sol, o céu amanheceu tão azul que decidi mandar o metro e o Louvre às urtigas (também, se não vou lá há uns 20 anos, bem que pode esperar mais um pedaço) e passear-me pedalando. Para pegar uma velib, nada mais fácil. Basta encontrar um parqueamento como este aqui,

escolher uma bicicleta com os pneus cheios, travões a funcionar e blablabla, colocar o cartãozinho que o nosso hospedeiro nos emprestou sobre o sensor que existe para o efeito, soltar a dita cuja e pôr as pernas a funcionar. Comecei por apanhar o metro para la Villette que achei ser um bom ponto de partida para o meu périplo.

É verdade que os parques de velib abundam mais e estão melhor fornecidos no centro da cidade do que na periferia e tive de caminhar um bom pedaço ao longo do canal até encontrar um que tivesse bicicletas utilizáveis (o primeiro pelo qual passei só tinha uma bloqueada e outra com os pneus furados, pois... nem tudo corre sobre rodas nisto das velib). Finalmente, a minha primeira, aqui:

Canal à minha esquerda, fui descendo tranquilamente até chegar à Bastilha. Aí, tendo passado a meia-hora contratual, parqueei a bicicleta, dei uma volta pelo mercado que por ali há de manhã a pensar que, se fosse cá, a ASAE já tinha dado cabo do juízo a quem vende e compra carne e peixe em bancas ao ar livre, pois isso mesmo, ao ar livre.


Depois de umas deambulações e uma sanduiche, peguei noutra bicicleta para ir até aos jardins do Luxemburgo, que o sol estava bastante convidativo para mais um passeio. Os parisienses não resistem a um dia ensolarado e o sítio estava pleno de gente a jiboiar, de modo que escolhi uma cadeirinha modelo costasreclinadascombraços para me sentar e outra modelo



costasdireitassembraços para apoior os pés e fiquei-me a olhar a torre de Montparnasse e a dar uso ao meu diário gráfico, enquanto o sono não me venceu, acabando por dormitar ao sol até ficar com um belo tom de vermelho no nariz. Duas ou três horas passadas nesta actividade esfusiante


e preparei-me para pegar outra velib, não sem antes registar em fotografia os canteiros e castanheiros floridos e umas folhas de gingko que me entusiasmaram bastante.




Antes de regressar a casa sentei-me na Pont des Arts a ver os pés de quem passava enquanto o sol desmaiava já nas minhas costas.

A outra velib foi para ir dali até casa, no 18ème. Contas feitas, cerca de 16 km em 4 bicicletas, Paris intra-portas até que é uma cidade pequena.


E bom, fiquei fã.

abril 29, 2009

all stars


E hoje foi Kandinsky no Beaubourg. Fantastico. Recomendo.


E "L'art des carnets de voyage" para quem se possa interessar por isso, como eu, no Musée de la Poste.

E depois os converse all stars para mim e para o miudo, espero que lhe sirvam, ingalinhos, que estavam com 30% de desconto. Yes.

abril 28, 2009

pequenos nadas


E o que me encanta em Paris säo pequenas coisas, assim como chegar à Gare du Nord depois do RER que vem de Roissy e apanhar um taxi cujo motorista, depois de passar toda a viagem a falar dos perigos para a saude que representam as antenas das companhias de telemoveis, me dar para as maos um grande mapa da cidade e uma lupa igualmente enorme para lhe mostrar onde é a rua para onde quero ir.

E de manha apanhar o metro, sair em Saint Michel e perder-me durante um par de horas nas duas maiores livrarias de bd que conheço, acabando por sair de la com peso a mais. E depois dar aos pes e ir à tal livraria de livros de cinema, tagarelar com a vendedora, dizer-lhe que sim, que tinha visto o filme de animaçao "uma historia triste com um final feliz", e que nao, nao conhecia o livro com a mesma historia e os mesmos fantasticos desenhos, que ela me mostrava enfatizando as origens lusas da autora, e bom finalmente sair de la com ainda mais peso que antes.

E depois fazer toda a Rue de Seine a espreitar as galerias de arte, para finalmente me sentar numa esplanada com o Louvre do outro lado do rio a folhear as minhas compras.

E meter o nariz nos antiquarios perto des Beux Arts, entrar naquela loja antiga de material de pintura, com moveis de gavetas estreitinhas, e em cada uma, uma camada de pasteis muito arrumadinhos, uma gaveta so de tons de azul, outra so de amarelos e cada cor uma gaveta, e aquele cheiro a tintas e a papeis, o balcao de madeira, os empregados velhotes e de colete a mostrarem-me as varias qualidades de pasta de modelar, consoante a dureza e sair de la ainda com mais peso.

E voltar a casa, largar livros e pastas de modelar, fazer uma sesta curta e ao fim da tarde trepar as centenas de degraus da Rue du Mont Cenis em que numa das placas alguem trasformou o C em P e a rua naquele troço passou a chamar-se du Mont Penis, chegar la acima debaixo de chuva e, sem me ralar nem um pouquinho com as calças e sapatos molhados, respirar toda a Paris a meus pés.

Voilà (porque nao temos nos uma palavra boa como "voilà" para dizer "voilà"?), sao estas pequenas coisas que me encantam em Paris.

O que nao me encanta de todo é este teclado onde algumas letras se lembraram de ocupar o lugar de outras e na volta a gente pensa que nao fixa estas coisas, mas ha a memoria dos dedos que é melhor do que a nossa e quero um "a" e sai-me um "q" e vice-versa, e nao sei onde para o til e o acento agudo et bon, ça m'énerve.

maio 20, 2008

ufa!

E pronto. Já pus umas quantas fotos de Goa aqui.

maio 16, 2008

gostava de voltar a goa


Há sítios onde fui e não me apetece voltar, há outros que quando lá estive pensei em regressar um dia mas já a saber que provavelmente não o faria, e outros onde sei que os meus pés vão pisar de novo.

Sei que, mais cedo ou mais tarde, vou voltar a Goa. Sei que um dia vou sair dum avião e sentir desde logo aquele cheiro quente verde e vermelho da terra e das plantas, aquela humidade que se pega à pele. Sei que vai estar um jipe do Panjin'in à minha espera e que, se o motorista não for o Bapa, vou fazer aqueles quê, 20 km(?) de estrada com um olho aberto e outro fechado, as costas enterradas no banco, um credo na boca a ver em que camião é que vamos bater de frente nas loucas ultrapassagens pela estrada estreita. Todos os goeses, excepto o Bapa, têm uma forma curiosa de conduzir: põem o velocímetro lá na velocidade de cruzeiro de que gostam e depois nunca travam. É sempre a andar e, se estiver um carro à frente mais lento, ultrapassa-se. Se vier alguém em sentido contrário, que se chegue para a berma pois havemos de caber os três. É assim em Goa.

Claro que não é o estilo de condução que me faz querer voltar a Goa. É o cheiro e o ar doce. São as famílias católicas com as meninas de vestidinhos brancos e rendados de primeira comunhão misturadas com as outras de coloridos saris nos mesmos mercados a abarrotar de vegetais e frutos e flores amarelos e vermelhos. São as Igrejas com nossas senhoras de fátima ao lado dos templos hindus, é beber um batido de manga num café chique em Margão, é o bairro das Fontaínhas em Panjin e os pequenos almoços na varanda do Panjin'in.

É vagabundear pelo mercado de Anjuna a mexer em tecidos de seda e joias de pechisbeque enquanto uma vaca passa ao lado, fazer conversa numa qualquer tenda (quase todas) onde haja um sorriso simpático numa cara morena e uma mão que pega na minha e me afaga o braço.

É ficar uns dias na praia em Palolem, com sorte num quartinho de pedra e cal virado para o mar, com menos sorte num bangalow de canas por baixo das palmeiras por onde saltam macacos, ver os pescadores a escolher o peixe na areia ao fim da tarde e, de manhãzinha, a menina que trabalha no bar a varrer a areia da praia com inusitado esmero, na mão uma vassourinha curta que a obriga a curvar-se sempre.

São os hippies que ficaram dos anos setenta e usam as mesmas fitas nos cabelos compridos mas já brancos e as mesmas roupas com flores onde está escrito "make love not war" e se deitam pelos almofadões dos bares de praia a cheirar insenso e a fumar ganzas ao som de Cat Stevens.

São os táxis azuis turquesa, os tuctucs pretos e amarelos que são para dois mas onde podem ir quatro, são as motos com um casal e três filhos em cima, são os autocarros que têm um motorista, um pica-bilhetes e outro homem que se pendura da porta e grita a avisar as pessoas que vem aí.

E nem digo nada da comida, céus, que bem se come em Goa.

E é por tudo isto e muito mais que agora me escapa que gostava de voltar a Goa.

(E logo mais ponho as fotografias que já é tarde)

E cá vão elas uns dias mais tarde (20/5)

Foto JFD - Bapa, o melhor motorista de Goa




Fotos JFD - Estradas de Goa

Foto TCL

Foto TCL - Mercado de Panjin


Foto JFD - tuctuc e meninas


Foto JFD - dentro do autocarro



Foto JFD e TCL - mercado de Calangute




Fotos JFD

Foto JFD - Descanso em Palolem



Fotos JFD - Palolem

Foto JFD - Quarto na praia em Palolem

fevereiro 12, 2008

coisas da natureza

foto de Lúcia de Sousa

Então cá vai a resposta à adivinha do outro dia.

As fotos foram tiradas na ilha de Porto Santo, para onde fui numa de spa no carnaval, num sítio chamado Pedreira de Ana Ferreira, também conhecido pelos locais por "piano".

Trata-se de uma formação geológica de origem vulcânica, relativamente rara, que é constituída por colunas prismáticas de formas irregulares, mas em que a maioria são hexagonais ou pentagonais. O sítio é património da Unesco e é realmente impressionante pela dimensão e pela forma ondulante que as colunas tomam.

A foto a seguir dá uma ideia da escala:


Já tinha tido a oportunidade de ver um outro exemplo na Islândia, este aqui,



mas um dos mais conhecidos mundialmente é o sítio chamado Calçada de Gigantes na Irlanda (que encabeça este post) e há outro também famoso na América de que não me recordo o nome. Haverá mais com certeza, mas não conheço.

Explicações dadas e analisadas as respostas, temos então:

1º prémio para a menina Sofia que tem um passarinho lá em casa que sabe muito! Boa, Sofia!

2º prémio para a Teresa que andou lá perto;

3º prémio para o Pitx que, pela sua observação, me dá ideia que sabia o que era ou então atirou no escuro com sorte.

Para os outros que enviaram palpites vai o prémio de "boas piadas"!

fevereiro 06, 2008

adivinha

Então vamos lá ver que tal vai essa cultura geral.

Quem sabe o que é isto? Hum?


janeiro 17, 2008

dei lave quets



Já chega de posts sobre este meu saltinho a Marraquexe.

Em especial para a menina da gota, que diz que de Marrocos só quer distância, deixo aqui, para finalizar, um bom motivo para uma remota mudança de opinião.

Eles não vão muito com cães, a menos que sejam para guardar os rebanhos, em contrapartida amam gatos. Não vi um único cão, mas gatos, são às centenas. E lindos.


janeiro 16, 2008

e se a asae fosse para...


...Marrocos?

A fotografia não se percebe muito bem, não é? Passo a explicar: trata-se de uma lojeca que vende frangos. O comprador tem duas hipóteses de escolha. Ou está com pressa e compra um dos bichos já devidamente depenados que se encontram em primeiro plano, ou tem uns 10 minutinhos para estar à conversa com os outros clientes e escolhe um dos galináceos das gaiolas em segundo plano. Pode assim apreciar-lhe o vermelho da crista, a vivacidade dos olhos e o timbre do cacarejo. Escolhido o animal, o vendedor agacha-se atrás do balcão e aplica facada rápida e certeira na branca goela, de tal forma que nem se ouve um pio.

Depois é só esperar que o bicho dê umas voltas dentro da maquineta tipo micro-ondas sem porta que se vê do lado direito atrás, donde sairá já depenadinho, pronto para a balança e para o saquinho de plástico.

Eu tenho para mim que em Marrocos é que a ASAE devia estar em vez de nos andar aqui a maçar com as colheres de pau, os croquetes e os pasteis de nata.

janeiro 15, 2008