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junho 11, 2009

de costas voltadas


O céu assim tão belamente aguado e tu de costas para mim, indiferente ao meu braço que já te foi esticado, indiferente às gaivotas que nos confundem com mastros de barcos, que verificam afinal a ausência de cheiro a peixe e se afastam de nós.

O céu assim tão fundamente sombra e luz e tu ignorando os meus volteios de bailarino tentando contrapesos e contrapontos de ti, numa dança maluca para cá e para lá na esperança que me sintas e me notes e me ouças os guinchos de metal sobre o piar das gaivotas.

O céu assim tão azulmente cinza e eu a mostrar-te o dorso, a desistir de encontros de braços esticados nos céus, a desistir de ti ostensivamente desatenta sem perceberes que se quisesses, eu podia rebentar uma nuvem só para ti.

abril 27, 2009

prenúncio de maio

Hoje desci a rua para ver o progresso dos jacarandás. Pus-me debaixo das copas, espetei o nariz para cima e vi-as. As inflorescências em pequenos cachos já se distinguem bem e sente-se vagamente o cheiro que vai ser forte e quente não tarda.

Não lhes dou mais do que uma ou duas semanas para começarem a pintar os céus de Lisboa.