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fevereiro 10, 2010

remix em pessoa

Sábado ao fim da tarde, chuva miudinha e Jô Soares a dizer Fernando Pessoa no Teatro Villaret. Sala cheia, bilhetes comprados com uma semana de antecedência para arranjar lugares bem à frente. Dezoito e quarenta, dez minutos atrasados, as luzes apagam-se e Jô Soares, qual poeta fingidor, encarna o menino de sua mãe ao volante do chevrolet pela estrada de Sintra. Delicio-me com as palavras ditas, tão bem ditas, com a tranquilidade e graça de quem conta um conto.

Estava a gostar tanto quando, no prazer imenso de não cumprir um dever, Jô Soares dá por finda a récita numa altura em que cri ser ainda cedo para intervalo. No meu espanto, o relógio marcava dezanove e vinte. Quarenta escassos minutos tinham passado.

A frustração foi superior ao prazer e saí da sala recordando uma frase do próprio Jô num programa qualquer do tempo em que eu via televisão sem ser por acaso e de raspão:

"Estão mexendo no meu bolso..."

maio 19, 2009

coisas que se podem fazer...

... enquanto se assiste a um espectáculo mesmo manhoso* no Jardim de Inverno do S. Luís:

1 - Tentar pensar noutra coisa para não se ficar demasiado deprimido;
2 - Havendo piano de cauda, o qual deverá ter, supostamente, a tampa aberta, procurar identificar os reflexos que se formam na face interior da dita tampa;
3 - Ignorar os suspiros de tédio do acompanhante, pela mesma razão expressa em 1, elevada ao quadrado;
4 - Contar os carros que passam na rua e ver o brilho dos carris do eléctrico, tudo isto reflectido no telhado de vidro da sala;
5 - Quando 1, 2, 3 e 4 já não chegarem, aceitar de pronto a sugestão do acompanhante e cavar rapidamente dali para fora, mesmo incomodando ligeiramente (paciência) os restantes espectadores.

* "Umas e outras" Pobre Vinícius... Às voltas no túmulo, pela certa.

maio 13, 2009

amor recente

Zé Miguel Wisnik. Amor recente e súbito, depois de uma conferência/show no Domingo passado no S. Luis. A conferência está no tubo e pode ser vista em episódios daqui em diante, com algumas variações como sempre estas coisas têm. A mais importante para mim, é mesmo o facto



de ZMW estar sentado nas gravações disponíveis e ter falado e actuado quase sempre em pé no S. Luís o que, parecendo que não, faz toda a diferença, se pensarmos que a vida o presenteou com uma linguagem corporal absolutamente fantástica, envolvente, cativante, expressiva. Vale a pena ouvir e ver os vários vídeos e ficar a saber pormenores sobre poemas e canções de Vinícius que todos conhecemos mas de cujas particularidades nem todos estaremos a par.

Bom e como nestes eventos há sempre uns discos à venda, adquiri este "pérolas aos poucos" (delícia de nome) e é o que tem passado nos últimos dias no meu carro.

Para espevitar apetites, deixo aqui o primeiro vídeo da série "Vinícius, palavra e música".

Enjoy!

outubro 05, 2008

valse avec bachir

De novo a Festa do Cinema Francês, desta vez em má altura para mim, com muito pouco tempo livre para diversões :-(. Mas lá vou arranjando uns buraquinhos de tempo para largar o teclado, meter-me no carro, ir até ao S.Jorge e sentar-me um pedaço na sala escura a receber as imagens que me entram pelos olhos.

Em geral escolho filmes que provavelmente não irão entrar nos circuitos comerciais portugueses, a maioria das vezes de realizadores de quem nunca ouvi falar mas cujas sinopses me despertam a curiosidade. Com este critério, já vi noutros festivais filmes espantosos e também já aguentei valentes estopadas. Ontem fui ver Valse avec Bachir, um documentário em animação de um realizador israelita - Ari Folman. Recomendo uma visita ao site oficial e atenção à programação das salas, pois este, tal como Persepolis no ano passado, vai com certeza aparecer.

É um filme fantástico sobre a guerra entre Israel e o Líbano e o tristemente célebre massacre de palestinianos civis, revisitados através das memórias de alguns que à altura não eram mais do que simples soldados imberbes e assustados, entre eles o próprio Ari Folman que tenta, através de entrevistas a antigos camaradas, recordar o que a memória lhe nega, de tão dura que fora a vivência daqueles tempos.

E essas memórias que pouco a pouco se desvendam são terríveis. Mesmo que a opção pela animação consiga, de certa forma, afastar emocionalmente o espectador da realidade nua e crua não se fica imune ao peso do filme. Percebemos que por detrás dos bonecos estão pessoas, que as vozes são reais nas entrevistas, que os cenários são verdadeiros, talvez pela técnica usada de desenhar sobre imagens em vídeo.

Um documentário impressionante e comovente, um filme de animação tecnicamente espantoso, a música perfeita. Deixo o trailer, para espevitar vontades.

dezembro 26, 2007

máscara

nesta festa cada paradoxal teve direito a uma pintura facial que nos permitiu ser facilmente identificados entre os restantes mortais que tiveram a gentileza de responder à nossa proposta de uma noite diferente (e que foram mais de 500, boa!).

todas diferentes, mas todas em tons de azul, preto e prateado.

deveria ter guardado a minha até hoje para melhor passar despercebida na quadra natalícia.


como sou pouco prevista, tirei-a na mesma noite.

dezembro 20, 2007

e a melhor festa da christmas season vai ser...

...TUDO MENOS UMA FESTA DE NATAL!

Promovida pelo Coral Paradoxal onde orgulhosamente desafino, patrocinada por estes senhores de Braço de Prata (no site do coro pode ser consultado o programa detalhado), onde o meu filho e a sua banda vão fazer a sua primeira apresentação em público, abrindo o concerto duns rapazes já mais batidos nestas andanças será, sem dúvida, o evento do ano, graças ao maravilhoso elenco, artistas residentes e convidados e aos DJ's que vão animar a noite num fantástico baile (adoro esta palavra - baile) pós-espectáculos.


A não faltar, até porque a malta quer ir ao Europa Cantat 2009 na Holanda e as receitas da festa são para ajudar a financiar tão nobre causa.

Não me falhem, queridíssimos leitores, sabem que vos amo a todos, certo?

E pode ser que haja brindes, prémios e assim (esta se calhar não pega...) . Mas há comes e bebes, isso há.

novembro 30, 2007

cirque du soleil...

...quase às escuras.



Ontem, Pavilhão Atlântico, grande excitação, grande expectativa. Nunca tinha assistido a nenhum espectáculo desta companhia de que toda a gente me tinha dito o melhor possível. Lembrei-me do Cirque Plume que vi há alguns anos na mesma sala e que adorei e estava à espera de algo semelhante.

Pronto, eu sabia que o Cirque du Soleil tem vários espectáculos em cena simultaneamente pelos quatro cantos do mundo e que este em particular, "Delirium" de seu nome, era diferente do habitual, mais musical, mais multimédia, mais côr, mais dança e movimento e menos acrobacia. Até aqui tudo bem e parece que até corresponde àquilo a que se propõe com bastante qualidade.

E digo "parece" porque, e é com este "parece" que estou absolutamente LIXADA, devo ter visto aí 1/3 do que era suposto ver, já que os outros dois terços do meu campo de visão estavam ocupados por ombros e cabeças. Vai uma pessoa para a plateia convencida de que paga mais um tiquinho mas vê melhor e mais confortavelmente e, na volta, fica sentada em cadeiras duras numa plateia plana virada para um palco com altura incompatível com a dita plateia.

Ao princípio ainda me estiquei, dobrei uma perna debaixo do rabo, espreitei para a direita, para a esquerda, até me doer o pescoço e o vizinho de trás me dizer: "a senhora estabilize, que eu assim não sei por qual lado hei-de espreitar"; "espreitar, queria eu", respondi-lhe. Tentei pois estabilizar, até porque os meus esforços se traduziam em pouca ou nenhuma melhoria. Às tantas desisti e quase adormeci no escuro rodeada de cabeças.

Inadmissível que se vendam bilhetes para um espectáculo destes nestas condições.

agosto 10, 2007

da gíria tauromáquica



Não gosto do conceito de tourada. Tenho pena dos bichos, racionalmente acho o espectáculo bárbaro e essas coisas.

Mas lá no fundo deve haver um gene qualquer aqui bem enraízado que me puxa para a frente da TV quando há uma transmissão de tourada e que me faz vibrar com a beleza do espectáculo dos cavalos a fintar os touros, com a coragem dos forcados nas pegas, com aquele medo básico da investida do animal. Ao toureio a pé já não acho graça nenhuma.

Isto deve ser mesmo uma coisa que nos está no sangue. Quando era estudante e ia às garraiadas de agronomia no Campo Pequeno, havia sempre uma pega que era feita por raparigas (excepto a primeira ajuda que era um rapaz, em geral bem coladinho à menina que ia à frente). Uma dessas malucas era a minha colega Carminho, magrita, de ar frágil e pele de maçã. Quando uma vez lhe perguntei o que a fazia pôr-se assim à frente de uma vaca brava, ela respondeu-me: "olha T, o medo é tanto, mas tanto, que me dá um frisson quase orgásmico." Ok. Há gostos para tudo.

Assisto a estas transmissões e delicio-me sempre com a pateta e marialva gíria que faz parte da coisa, ou seja da festa.

- Um verdadeiro aficcionado diz toiros e não touros.

- Aos pauzinhos com fitinhas às cores que os cavaleiros espetam no cachaço dos touros chama-se ferros. Há os curtos e os compridos.

- Uma reunião, não é uma série de pessoas à volta de uma mesa a discutir um assunto, mas sim o momento em que o cavalo e o touro de encontram para o cavaleiro espetar o ferro.

- Um forcado fechado na córnea não tem qualquer problema de visão, apenas ficou bem encaixado nos cornos do bicho.

- Receber a alternativa, não significa que nos anos o cavaleiro recebeu umas calças de bombazine beije em vez dos jeans que tinha pedido, mas sim que adquiriu o estatuto de profissional.

E há mais, mas agora não me lembro.

E claro, forcado que é macho mesmo, apresenta-se até ao fim do espectáculo com a cara cheia de sangue do touro, sem pensar que lhe podia passar com a manga da camisa e sempre ficava com um ar mais composto.

março 20, 2007

Cette femme n'est pas française, quoi!



Eu até já conhecia o disco e Agnés Jaoui enquanto actriz e realizadora de cinema (para quem não conhece, recomendo vivamente Le gout des autres e também Comme une image, nos quais desempenha os dois papeis).

Sabia portanto que a pequena é dona de vários talentos, daí a curiosidade em a ir ver hoje ao vivo no Instituto Franco-Português.

E bom, valeu a pena. Não é que Agnés além de comunicadora com graça, dança com um gingar de ancas e um salero que fazem duvidar da sua ascendência francesa? Esta mulher só pode, repito, só pode ter naquelas veias sangue que lhe tenha sido dado por alguém que tenha vindo dos Pirinéus para a esquerda e para baixo.

março 04, 2007

Dido & Aeneas

Foi ontem no CCB.
E foi lindo de morrer.
Dos melhores espectáculos que vi ultimamente.
Obrigada a ti, que me levaste contigo.

outubro 12, 2006

Caetano

Fui ouvir o Caetano ao CCB, o vento enrodilhado nos cabelos da plateia, ombros de damas arrepiados, maridos solícitos a despir casacos, a pôr o braço por cima, a ursa maior num rectângulo de céu a adivinhar gaivotas melómanas, as vozes em coro a obedecer ao ritmo que vem do palco, e todos cucurucucu paloma, e todos terra terra por mais distante o errante navegante quem jamais te esqueceria, e a voz, de contratenor para baixo num ai, as palavras que pensava esquecidas e afinal me saem da boca como se não viesse dizendo outra coisa, tenho outra vez 15 anos, tenho outra vez 20 e 30 e menino do rio calor que provoca arrepio, e todos gostamos muito de você, leãozinho e que querem, continuo a gostar do Caetano, dos caracóis negros agora mais curtos e brancos e da voz sempre tão doce.