depois do depois disso
isto apenas
o meu nome
na tua boca
sussurro
perto
tão perto
arrepio
sopro breve
abraço macio
asa leve
breve já
outubro 15, 2009
asas
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julho 11, 2009
palavras ouvidas na praia
a qualquer momento pode explodir.
Alice, 6 anos, a propósito de uma pequena colina nas dunas, que está menor que no ano passado.
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julho 10, 2009
o regresso aos mutantes
E sempre que volto é doce, mas tão forte como se uma primeira vez fora, este reencontro com o areal que se estende vazio e impoluto nos passeios solitários de fins de tarde e manhãs de sol rasante, em que mais não ouço do que o vento nas dunas, o rebentar macio das ondas, os pios das gaivotas e andorinhas do mar.
O mesmo areal que desliza suave sob os meus passos, as mesmas conchas e algas e peixes e pedrinhas, os mesmos golpes fininhos nos pés que, entre caranguejos pretos e caranguejos laranja, se afundam no lodo negro da ria quando teimo em ir descalça pela maré vaza ver os progressos das ostras da Clara, as mesmas bebidas ao pôr-do-sol generosamente servidas no bar da Vera, os amigos que são os amigos daqui e que estranho se o acaso nos cruza depois em roupas de Lisboa, os avanços das crianças que orgulhosamente exibem dentes novos e mais 10 cm que no ano anterior, a lua cheia que se reflecte num caminho dourado sobre o mar chão, as conversas à noite num qualquer terraço de uma qualquer casa sobre a praia à luz das velas e dos candeeiros a gás.
É assim regressar à ilha. Reencontrar o que parece que não muda mas muda, pois que as conchas e pedras e algas são no todo as mesmas, mas são outras enquanto unas, tal como as gaivotas, os peixes e as andorinhas do mar, ou a escultura que reune todos os lixos que o mar traz e que vai crescendo ao sabor de quem passa e lhe acrescenta mais uma garrafa, mais uma bota, mais uma troço de rede de pesca, mais uma cana.
E é isto que faz com que o repetido retorno tenha o sabor da tranquilidade de uma rotina, mas também o espanto da descoberta das coisas mutantes.
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junho 30, 2009
dos dervixes em istambul
roda o dervixe
de saia rodada
roda a saia
redonda roda
brancas as voltas
da saia que roda
nas voltas do corpo
que roda (n)a saia
na dança redonda
de braços no ar
às voltas na dança
a rodopiar
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junho 29, 2009
de uma janela em Istambul
A Mesquita Azul entrava-me pela janela do quarto adentro sem qualquer cerimónia, de manhã em contra-luz, à tarde iluminada pelo pôr-do-sol e à noite abraçada por dezenas de gaivotas brilhantes que não lhe largavam os minaretes em eternos volteios e gritos.
À hora das rezas a Mesquita Azul entrava em diálogo com outra mesquita mais pequena que fica mesmo ali ao lado, junto a Santa Sofia, num dueto mágico de cânticos em vozes que dos altifalantes dos minaretes conduziam a oração dos fieis. Sei que deste dueto saiam versos do Corão, mas permiti-me imaginar que a conversa era outra, como se as duas mesquitas falassem sobre os afazeres do dia ou as agruras da vida.
Difícil esquecer duas mesquitas que conversam em Istambul.
junho 19, 2009
mar de mármora
para ti
o mar
todo o mar
mar de mar
mar amar
mar de mármora
mar de mármore
mar de amar-me
em ti amar
sem tardar
o mar
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junho 11, 2009
de costas voltadas

O céu assim tão belamente aguado e tu de costas para mim, indiferente ao meu braço que já te foi esticado, indiferente às gaivotas que nos confundem com mastros de barcos, que verificam afinal a ausência de cheiro a peixe e se afastam de nós.
O céu assim tão fundamente sombra e luz e tu ignorando os meus volteios de bailarino tentando contrapesos e contrapontos de ti, numa dança maluca para cá e para lá na esperança que me sintas e me notes e me ouças os guinchos de metal sobre o piar das gaivotas.
O céu assim tão azulmente cinza e eu a mostrar-te o dorso, a desistir de encontros de braços esticados nos céus, a desistir de ti ostensivamente desatenta sem perceberes que se quisesses, eu podia rebentar uma nuvem só para ti.
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maio 08, 2009
pedalando em paris
Canal à minha esquerda, fui descendo tranquilamente até chegar à Bastilha. Aí, tendo passado a meia-hora contratual, parqueei a bicicleta, dei uma volta pelo mercado que por ali há de manhã a pensar que, se fosse cá, a ASAE já tinha dado cabo do juízo a quem vende e compra carne e peixe em bancas ao ar livre, pois isso mesmo, ao ar livre.
Depois de umas deambulações e uma sanduiche, peguei noutra bicicleta para ir até aos jardins do Luxemburgo, que o sol estava bastante convidativo para mais um passeio. Os parisienses não resistem a um dia ensolarado e o sítio estava pleno de gente a jiboiar, de modo que escolhi uma cadeirinha modelo costasreclinadascombraços para me sentar e outra modelo
costasdireitassembraços para apoior os pés e fiquei-me a olhar a torre de Montparnasse e a dar uso ao meu diário gráfico, enquanto o sono não me venceu, acabando por dormitar ao sol até ficar com um belo tom de vermelho no nariz. Duas ou três horas passadas nesta actividade esfusiante
e preparei-me para pegar outra velib, não sem antes registar em fotografia os canteiros e castanheiros floridos e umas folhas de gingko que me entusiasmaram bastante.
A outra velib foi para ir dali até casa, no 18ème. Contas feitas, cerca de 16 km em 4 bicicletas, Paris intra-portas até que é uma cidade pequena.
abril 29, 2009
all stars
abril 28, 2009
pequenos nadas
E de manha apanhar o metro, sair em Saint Michel e perder-me durante um par de horas nas duas maiores livrarias de bd que conheço, acabando por sair de la com peso a mais. E depois dar aos pes e ir à tal livraria de livros de cinema, tagarelar com a vendedora, dizer-lhe que sim, que tinha visto o filme de animaçao "uma historia triste com um final feliz", e que nao, nao conhecia o livro com a mesma historia e os mesmos fantasticos desenhos, que ela me mostrava enfatizando as origens lusas da autora, e bom finalmente sair de la com ainda mais peso que antes.
E depois fazer toda a Rue de Seine a espreitar as galerias de arte, para finalmente me sentar numa esplanada com o Louvre do outro lado do rio a folhear as minhas compras.
E meter o nariz nos antiquarios perto des Beux Arts, entrar naquela loja antiga de material de pintura, com moveis de gavetas estreitinhas, e em cada uma, uma camada de pasteis muito arrumadinhos, uma gaveta so de tons de azul, outra so de amarelos e cada cor uma gaveta, e aquele cheiro a tintas e a papeis, o balcao de madeira, os empregados velhotes e de colete a mostrarem-me as varias qualidades de pasta de modelar, consoante a dureza e sair de la ainda com mais peso.
E voltar a casa, largar livros e pastas de modelar, fazer uma sesta curta e ao fim da tarde trepar as centenas de degraus da Rue du Mont Cenis em que numa das placas alguem trasformou o C em P e a rua naquele troço passou a chamar-se du Mont Penis, chegar la acima debaixo de chuva e, sem me ralar nem um pouquinho com as calças e sapatos molhados, respirar toda a Paris a meus pés.
Voilà (porque nao temos nos uma palavra boa como "voilà" para dizer "voilà"?), sao estas pequenas coisas que me encantam em Paris.
O que nao me encanta de todo é este teclado onde algumas letras se lembraram de ocupar o lugar de outras e na volta a gente pensa que nao fixa estas coisas, mas ha a memoria dos dedos que é melhor do que a nossa e quero um "a" e sai-me um "q" e vice-versa, e nao sei onde para o til e o acento agudo et bon, ça m'énerve.
março 04, 2009
nu
bifurcações
angulosidades
rectas
agudas
obtusas
por vezes rasas
nunca completas
rugoso de velho
forte é o tronco
quase aprumado
quase
fuste de embuste
que me diverges
em mil linhas
rendilhando céus
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fevereiro 18, 2009
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janeiro 03, 2009
desejos confessos
madrid, nov 2008
para este ano
(confesso)
queria um amor
em frente e verso
pode ser controverso
conter versos
perversos
ter tempo e contratempo
capa e contracapa
ida e volta
sim e não
mas também
força
e entrega
e paixão
queria que o amor por ti
delícia
fosse um amor por mim
carícia
um amor assim
que (sem malícia)
confesso em verso
num regresso
de mim
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dezembro 21, 2008
gaston
O Gaston é o meu gato. De entre o que se pode esperar de um gato, é um bom gato. Independente, altivo, talvez um pouco arrogante, curioso, um nadinha burro e bastante egocêntrico. Digamos que é... um gato.
O Gaston está doente. Não está doentinho. Está mesmo doente. Ontem tive a confirmação daquilo que já esperava, pelo resultado das biópsias: tumor maligno, altamente invasivo e criador de metástases. Apareceu há um mês sob a forma de um inchaço numa pata traseira. Amanhã vai fazer ecografias e radiografias para saber se há tumores em mais algum orgão. A veterinária disse-me que, se não houvesse, se podia amputar a pata. "Os gatos adaptam-se muito bem só com 3 patas, fazem uma vida normal." Vou chateá-lo só mais esta vez com os exames por descargo de consciência. Não tenho ilusões. Também havia um quisto no pescoço que se conseguiu tirar, mas tinha a mesma origem. Sei que não vou amputar pata nenhuma ao meu gato. Sei que o "tumor maligno, altamente invasivo e criador de metástases" está irremediavelmente espalhado. Se chegar lá, o Gaston fará 10 anos em Abril. É o gato mais bonito do mundo.
Vou mantê-lo enquanto tiver a vivacidade para fazer o que fez hoje: caçar passarinhos num 6º andar e depositá-los no chão da cozinha, como uma oferta.
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os meus bichos
dezembro 15, 2008
vento
em voltas revoltas
à volta das copas
(altas)
bandos de pássaros
cor-de-laranja
em voos malucos
sem tino
sem nexo
incertos
sem rumo
morcegos
traças
tontos de luz
chovem nos meus cabelos
jazem os pássaros
mortos no chão
asas quebradas de cansaço
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visto na rua
novembro 04, 2008
sem porquês
Às vezes (muitas?) penso que a vida me seria bem mais fácil se me preocupasse menos em encontrar o porquê das coisas, em vez de as aceitar simplesmente como são. Sem porquês.
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outubro 23, 2008
feeling dizzy
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outubro 08, 2008
ameaço de onda
tenho dias
em que tenho
uma saudade imensa
do que não tive nem dei
da pele
do beijo
do cheiro
(não aroma
não perfume)
do meu no teu
olhar todo
ameaço de onda
que não me liquefez
em espuma
e me deixou perdida
na bruma
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outubro 06, 2008
e agora...
... a apetecer-me fingir que não tenho nada para fazer e ir ali para a minha varanda, sentar-me numa das cadeiras de plástico já baças de tanto sol, apoiar os pés na guarda e pôr-me a ver o tempo a passar.
Assim, só isto. Enfiar-me no tempo de forma a sentir quanto tempo demora o tempo a passar. Eventualmente fumar um cigarro e beber um copo de vodca tirada directamente do congelador a que juntasse duas pedras de gelo.
Assim, só isto. Ver as luzes do outro lado do estuário, os picos da ponte, o cristo-rei, os telhados do primeiro plano no contra-luz da noite e esperar o tempo. Senti-lo a passar, esperar que os segundos saiam a seu tempo do relógio, em fila indiana, cada segundo segurando no bibe do segundo que vai à sua frente sem atropelos nem pressas.
Quanto tempo demora o teu tempo? Quanto tempo demora o meu? Por vezes encontramo-nos no espaço. Espero com tempo, que o tempo passe e nos encontremos no tempo.
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setembro 28, 2008
das cores do silêncio e do cheiro
fotografo o silêncio
depois o cheiro
para saber a cor
do silêncio
e do cheiro
comprimento de onda
(onda do mar?)
que não se revela
nem se deixa apanhar
branco o silêncio
vermelho o teu cheiro
imaginar
sonhar
um dia
inteiro
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