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fevereiro 16, 2007

Decompondo a luz - laranja


Claro que há o fruto que dá o nome à cor, e há o pêssego e a nêspera e a abóbora, há um imenso ramalhete de flores, um caranguejo na ria, a falésia a reflectir-se no mar do Algarve e tantas coisas mais.
Há imagens de pessoas com quem me cruzei em diversos lugares vestidas desta cor, meninas a dançar crump, tocadores de instrumentos musicais desconhecidos para mim, um monge que atravessa o meu campo visual ao longe, templos, uma mulher mal equilibrada nas sandálias tradicionais vivendo o sonho de ser gueixa por umas horas, vestida e penteada a rigor.





















Mas falo de uma outra dimensão, não de coisas pequeninas que nos cabem numa mão, não de pessoas nem de casas, mas sim de uma paisagem imensa que um dia me encheu os olhos, de dunas ondulantes de uma areia macia e dourada quando lhe bate o sol.

O ar limpo e seco do deserto deixa-se atravessar sem obstáculos pela luz, pintando a paisagem de fortes contrastes de luz e sombra, em formas que o vento moldou em curvas de corpo de mulher, deixando a superfície da duna lisa e virgem de pegadas.







Subo a duna e é como se fosse a primeira pessoa do mundo a pisá-la, a enterrar os pés nus naquela areia quente. Lá em cima descubro recantos planos no meio das dunas, como ilhas de sal, donde saem troncos de árvores tão secas como tudo o que me rodeia até perder de vista.









Não conheço nada mais laranja neste mundo que as dunas de Sossussvlei na Namíbia.


fevereiro 03, 2007

Decompondo a luz - Vermelho

Vermelho.
Lábios, rosas, morangos, cerejas, malaguetas, uma melancia cortada ao meio. Um campo de papoilas. Fogo, calor, vinho. Bandeiras, sinais de trânsito, uma ponte sobre um rio.











Cerveja kingfisher, anúncios em restaurantes de praia, especiarias nos mercados, pintas no meio da testa das mulheres, colares de flores, saris.











Barretinhos nas cabeças de pequenos budas de pedra, dança de leques em Hanoi, templos, estátuas e pinturas de deuses, uma praça em Moscovo.
Balões e estrelas de papel.













Lenços que pela sua forma identificam grupos, guardas fardados a relembrar passados de glória.










Danças modernas e danças antigas nos mesmos palcos da mesma vida.













Vermelho em tantas recordações de tantos lugares.
Céu vermelho quando o sol se põe e já não se vê.
Vermelho é também o sangue que me corre nas veias e me faz bater o coração.