Foi tão lindo o natal! Como até somos pessoas preocupadas com a natureza e assim, comprámos presentes na Natura. Para que a nossa menina se transforme numa mulher asseada, comprámos-lhe um aspirador de brinquedo. No dia seguinte, limpámos a casa toda. Não ficou um saquinho nem uma caixa para amostra. Os nossos filhos orgulham-se com certeza de nós e do nosso esmerado asseio no lar.
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dezembro 27, 2008
restos de natal
Foi tão lindo o natal! Como até somos pessoas preocupadas com a natureza e assim, comprámos presentes na Natura. Para que a nossa menina se transforme numa mulher asseada, comprámos-lhe um aspirador de brinquedo. No dia seguinte, limpámos a casa toda. Não ficou um saquinho nem uma caixa para amostra. Os nossos filhos orgulham-se com certeza de nós e do nosso esmerado asseio no lar.
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breves de um natal
24 - Últimas compras de manhã, almoço de pizza preguiçosa e lá vamos todos para o natal. Bacalhau com batatas, couves e ovo cozido, decorações a propósito da quadra a começar pelos convivas, vestidos de vermelho em obediência ao curioso pedido da anfitriã.
25 - Almoço nos outros avós. Não me pediram para ir de vermelho, de forma que vou de preto. Perú com um recheio à frente e outro atrás. Levo uma menina de dois anos e meio pela mão a ver as galinhas e a passear pelo pomar. Construímos um castelo com uma pedrinha a fazer de torre e uma folha seca a fazer de bandeira. Gosto das mãozinhas sujas de terra. À noite, jantar de roupa velha e canasta, abraços e beijos.
26 - Almoço tardio algures na linha de Sintra. Regresso a casa para duas horas de veterinário com o gato. Aproveito e levo o cão que tem as vacinas atrasadas. O médico torce o nariz com o mau hálito do cão e aconselha-me uma ida ao dentista para destartarização. Confirmo o mau hálito com uma careta e aceito a sugestão de bom grado, antecipando o sorriso pepsodente que o cão passará a ter. No frigorífico pouca coisa... janto um arroz de grelos e trabalho até às 4 da manhã.
Fim do natal.
25 - Almoço nos outros avós. Não me pediram para ir de vermelho, de forma que vou de preto. Perú com um recheio à frente e outro atrás. Levo uma menina de dois anos e meio pela mão a ver as galinhas e a passear pelo pomar. Construímos um castelo com uma pedrinha a fazer de torre e uma folha seca a fazer de bandeira. Gosto das mãozinhas sujas de terra. À noite, jantar de roupa velha e canasta, abraços e beijos.
26 - Almoço tardio algures na linha de Sintra. Regresso a casa para duas horas de veterinário com o gato. Aproveito e levo o cão que tem as vacinas atrasadas. O médico torce o nariz com o mau hálito do cão e aconselha-me uma ida ao dentista para destartarização. Confirmo o mau hálito com uma careta e aceito a sugestão de bom grado, antecipando o sorriso pepsodente que o cão passará a ter. No frigorífico pouca coisa... janto um arroz de grelos e trabalho até às 4 da manhã.
Fim do natal.
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dezembro 22, 2008
natal
Quando eu era pequena, passávamos o Natal em Vila Nova de Ourém que, como outras vilas foi promovida a cidade e passou a chamar-se só Ourém, perdendo o pouco interesse que tinha e passando a ter nenhum, salvo um belíssimo castelo lá no alto do morro em Ourém, então "velha" e agora terra da qual desconheço a adjectivação, mas onde perdura o castelo e as ruelas e casario que o rodeiam.
Em Vila Nova de Ourém viviam:
- quando eu era mesmo pequena, os meus avós, os meus tios com a minha prima, a minha tia solteira e a minha bisavó;
- depois, os meus avós, a minha tia viúva com a minha prima, o marido da minha prima mais o filho dos dois e a minha tia solteira;
- nos últimos anos da minha adolescência, o meu avô, a minha tia viúva com a minha prima, o marido da minha prima mais o filho dos dois e a minha tia solteira;
- O Natal deixou de se passar em Vila Nova de Ourém há uns anos largos quando já só havia o marido da minha prima mais o filho dos dois e a minha tia solteira.
Desses Natais da minha infância e juventude recordo noites mal dormidas num gelo de lençois húmidos e cobertores de papa pesadíssimos, a casa dos meus tios com um corredor que não acabava, quartos de um lado e de outro virados a norte e a nascente e para poente e sul só paredes sem janelas e tudo aquilo sem mais aquecimento que uma lareira na sala de estar que, quando o vento não estava de feição, ou seja sempre, atirava com rolos de fumo para dentro de casa, pondo todo o clã a tossir e a entrever-se desfocado com os olhos a picar.
O meu tio tinha um armazém de atoalhados e afins de maneira que a minha tia depositava a tarefa de escolher os presentes de Natal num dos empregados do armazém (cheirava a fazenda, pano turco e naftalina, o armazém) e presentava toda a família com embrulhos enormes de papel pardo atados com fitas vermelhas de dentro dos quais saiam panos de cozinha, toalhas turcas, renda a metro, jogos de cama de casal (dois lençois e duas fronhas) e outras utilidades domésticas que eu e os meus primos tínhamos de agradecer fingindo que apreciávamos muito mais ver aumentado o nosso enxoval aos oito anos de idade do que uma porcaria de um action man ou de uma caixa de lego.
O meu avô, que no fim da vida devia ter alzheimer e falava com a minha mãe como se ela fosse o Sr. Abrantes, tardes inteiras a conversar com a minha mãe, Sr. Abrantes, e como vai a família? e a minha mãe, pois vai-se andando menos mal, Sr. Lopes e logo depois o meu avô levantava-se e ia destapar o tacho do bacalhau que estava ao lume à procura da bengala enquanto me perguntava pela enésima vez se eu já tinha acabado o 7º ano e eu já a meio da faculdade. Depois chamava-me de lado, levava-me ao dito corredor sem fim e oh filha, olha para este hotel... olha que tens de dizer à tua mãe que eu não tenho dinheiro para pagar isto tudo...
Eram assim esses Natais.
Em Vila Nova de Ourém viviam:
- quando eu era mesmo pequena, os meus avós, os meus tios com a minha prima, a minha tia solteira e a minha bisavó;
- depois, os meus avós, a minha tia viúva com a minha prima, o marido da minha prima mais o filho dos dois e a minha tia solteira;
- nos últimos anos da minha adolescência, o meu avô, a minha tia viúva com a minha prima, o marido da minha prima mais o filho dos dois e a minha tia solteira;
- O Natal deixou de se passar em Vila Nova de Ourém há uns anos largos quando já só havia o marido da minha prima mais o filho dos dois e a minha tia solteira.
Desses Natais da minha infância e juventude recordo noites mal dormidas num gelo de lençois húmidos e cobertores de papa pesadíssimos, a casa dos meus tios com um corredor que não acabava, quartos de um lado e de outro virados a norte e a nascente e para poente e sul só paredes sem janelas e tudo aquilo sem mais aquecimento que uma lareira na sala de estar que, quando o vento não estava de feição, ou seja sempre, atirava com rolos de fumo para dentro de casa, pondo todo o clã a tossir e a entrever-se desfocado com os olhos a picar.
O meu tio tinha um armazém de atoalhados e afins de maneira que a minha tia depositava a tarefa de escolher os presentes de Natal num dos empregados do armazém (cheirava a fazenda, pano turco e naftalina, o armazém) e presentava toda a família com embrulhos enormes de papel pardo atados com fitas vermelhas de dentro dos quais saiam panos de cozinha, toalhas turcas, renda a metro, jogos de cama de casal (dois lençois e duas fronhas) e outras utilidades domésticas que eu e os meus primos tínhamos de agradecer fingindo que apreciávamos muito mais ver aumentado o nosso enxoval aos oito anos de idade do que uma porcaria de um action man ou de uma caixa de lego.
O meu avô, que no fim da vida devia ter alzheimer e falava com a minha mãe como se ela fosse o Sr. Abrantes, tardes inteiras a conversar com a minha mãe, Sr. Abrantes, e como vai a família? e a minha mãe, pois vai-se andando menos mal, Sr. Lopes e logo depois o meu avô levantava-se e ia destapar o tacho do bacalhau que estava ao lume à procura da bengala enquanto me perguntava pela enésima vez se eu já tinha acabado o 7º ano e eu já a meio da faculdade. Depois chamava-me de lado, levava-me ao dito corredor sem fim e oh filha, olha para este hotel... olha que tens de dizer à tua mãe que eu não tenho dinheiro para pagar isto tudo...
Eram assim esses Natais.
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dezembro 31, 2007
O presépio...
...ocupava todo um canto da sala. Por finais de Novembro, o meu pai afastava móveis e estantes do seu poiso habitual, fazia altura com mesas, cadeiras, arcas e caixotes que depois cobria com mantas e papel de cenário forrado com barro e gesso e assim criava o esqueleto daquela paisagem inventada todos os Natais da minha infância.
Construir o presépio demorava pelo menos umas duas semanas, em que a minha mãe e a criada reviravam os olhos e suspiravam sem entenderem muito bem que gozo nos dava produzir tanto lixo e ter aquela trabalheira toda para uma coisa que se ia desmanchar dali a um mês. O canto da sala aos poucos ia ganhando formas de montanhas escarpadas e vales verdejantes por onde serpenteavam riachos graças a dois alguidares estrategicamente escondidos, um na parte de cima de onde saía a água e outro por baixo dos caixotes, que a recolhia. As montanhas eram pintadas imitando rochedos, os vales cobertos de musgo fresco que íamos apanhar no fim-de-semana e musgo seco do ano anterior que tinha sido guardado dentro de caixas de sapatos embrulhado em folhas de jornal. Quando o musgo não chegava e para aumentar a paleta de cores do presépio, tingíamos serradura com anilinas castanhas e verdes que espalhávamos por colinas e vales. Ainda hoje guardo na memória aquele cheiro de musgo e serradura húmida que perdurava pela casa durante todo o mês de Dezembro.
Quando toda a paisagem estava pronta havia que povoá-la. As figuras básicas do presépio eram as mesmas desde sempre, uma Nossa Senhora ajoelhada vestida de azul, um S. José de barbas negras e cajado na mão, o menino todo nu em cima duma minúscula almofadinha de veludo vermelho, a vaca, o burro e os três reis magos com os seus camelos. A esta gente juntava-se uma imensa população dos tradicionais pastores e ovelhas, que todos os anos se via acrescida de mais alguém que por vezes não tinha nada que ver com esta história, bonecos e figurinhas que se compravam ou que se reciclavam de outras brincadeiras.
Foi assim que o presépio se viu povoado pela Branca de Neve e os sete anões, por uma porca e os seus porquinhos, por gatos, cães, mulheres a lavarem roupa numa poça junto ao ribeiro (um espelhinho com as bordas disfarçadas por baixo do musgo), um D. Quixote e um Sancho Pança, um frade barrigudo, pintos e galinhas, soldadinhos de chumbo, carrinhos, um menino de triciclo, Tom, Jerry, o lobo mau e o Capuchinho Vermelho.
Uma igreja de torre e cruz construída em cartão encimava uma colina e casinhas de cartolina da colecção “arquitectura tradicional portuguesa” que eu comprava na papelaria do Sr. José e ia montando ao longo do ano com paciência, uma tesoura e cola uhu espalhavam-se pela paisagem. Na terra do menino Jesus havia assim um monte alentejano, um moinho do oeste, uma cubata de Angola, uma casa de granito de Trás-os-Montes, uma habitação típica de Timor e tantas outras relembrando-nos a vastidão do império.
O meu pai era agnóstico e anti-fascista mas no presépio nada disso contava. O importante era que fosse grande, um pouco kitsch e nos desse duas semanas de imenso prazer a fazê-lo, outras tantas a contemplá-lo e dois dias a desmontá-lo.
Quando cresci o meu pai deixou-se de presépios e passou a fazer uma árvore de Natal. O cheiro da resina substituiu o do musgo fresco, as luzinhas e bolas coloridas no canto da sala procuravam apagar a lembrança de antigos montes e vales com água a correr. Quando saí de casa dos meus pais nunca mais fiz nenhum presépio. Talvez por descrença, talvez por ter em mim a certeza de que mais valia guardar a memória dos dias de Inverno de então e da infinita ternura do meu pai. Não sei.
Construir o presépio demorava pelo menos umas duas semanas, em que a minha mãe e a criada reviravam os olhos e suspiravam sem entenderem muito bem que gozo nos dava produzir tanto lixo e ter aquela trabalheira toda para uma coisa que se ia desmanchar dali a um mês. O canto da sala aos poucos ia ganhando formas de montanhas escarpadas e vales verdejantes por onde serpenteavam riachos graças a dois alguidares estrategicamente escondidos, um na parte de cima de onde saía a água e outro por baixo dos caixotes, que a recolhia. As montanhas eram pintadas imitando rochedos, os vales cobertos de musgo fresco que íamos apanhar no fim-de-semana e musgo seco do ano anterior que tinha sido guardado dentro de caixas de sapatos embrulhado em folhas de jornal. Quando o musgo não chegava e para aumentar a paleta de cores do presépio, tingíamos serradura com anilinas castanhas e verdes que espalhávamos por colinas e vales. Ainda hoje guardo na memória aquele cheiro de musgo e serradura húmida que perdurava pela casa durante todo o mês de Dezembro.
Quando toda a paisagem estava pronta havia que povoá-la. As figuras básicas do presépio eram as mesmas desde sempre, uma Nossa Senhora ajoelhada vestida de azul, um S. José de barbas negras e cajado na mão, o menino todo nu em cima duma minúscula almofadinha de veludo vermelho, a vaca, o burro e os três reis magos com os seus camelos. A esta gente juntava-se uma imensa população dos tradicionais pastores e ovelhas, que todos os anos se via acrescida de mais alguém que por vezes não tinha nada que ver com esta história, bonecos e figurinhas que se compravam ou que se reciclavam de outras brincadeiras.
Foi assim que o presépio se viu povoado pela Branca de Neve e os sete anões, por uma porca e os seus porquinhos, por gatos, cães, mulheres a lavarem roupa numa poça junto ao ribeiro (um espelhinho com as bordas disfarçadas por baixo do musgo), um D. Quixote e um Sancho Pança, um frade barrigudo, pintos e galinhas, soldadinhos de chumbo, carrinhos, um menino de triciclo, Tom, Jerry, o lobo mau e o Capuchinho Vermelho.
Uma igreja de torre e cruz construída em cartão encimava uma colina e casinhas de cartolina da colecção “arquitectura tradicional portuguesa” que eu comprava na papelaria do Sr. José e ia montando ao longo do ano com paciência, uma tesoura e cola uhu espalhavam-se pela paisagem. Na terra do menino Jesus havia assim um monte alentejano, um moinho do oeste, uma cubata de Angola, uma casa de granito de Trás-os-Montes, uma habitação típica de Timor e tantas outras relembrando-nos a vastidão do império.
O meu pai era agnóstico e anti-fascista mas no presépio nada disso contava. O importante era que fosse grande, um pouco kitsch e nos desse duas semanas de imenso prazer a fazê-lo, outras tantas a contemplá-lo e dois dias a desmontá-lo.
Quando cresci o meu pai deixou-se de presépios e passou a fazer uma árvore de Natal. O cheiro da resina substituiu o do musgo fresco, as luzinhas e bolas coloridas no canto da sala procuravam apagar a lembrança de antigos montes e vales com água a correr. Quando saí de casa dos meus pais nunca mais fiz nenhum presépio. Talvez por descrença, talvez por ter em mim a certeza de que mais valia guardar a memória dos dias de Inverno de então e da infinita ternura do meu pai. Não sei.
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dezembro 27, 2007
há coisas fantásticas não há?
Do consultório da minha dentista* veio o mais lindo cartão de boas festas que jamais recebi:
Por mais que me esforce não consigo imaginar imagem mais primorosa...
Adoro a subtileza da mensagem implícita: "podes comer bolo rei mas lava os dentes a seguir". Será que pagaram a alguém para inventar isto ou foi uma coisa home-made?
* consultório onde gosto de toda a gente, atenção!
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dezembro 26, 2007
o espírito do natal...
... anda perdido em parte incerta.
Quando eu era pequena o natal servia para irmos à terra dos meus pais e passarmos uns dias com os meus avós e os meus tios e primos.
Trocavam-se presentes, que nunca eram grande coisa pois a família não era muito abonada, mas sobretudo trocavam-se afectos. Fazia frio, mas havia calor naqueles natais. As crianças não recebiam a orgia de brinquedos que recebem hoje e talvez por isso, cada boneca, cada carrinho, cada cachecol tricotado pela avó tinha um sabor especial.
Todos os anos tento escapar ao Natal mas acabo sempre por ser apanhada pela coisa. Ontem lá passei a noite entre bacalhau e rabanadas, tentando não adormecer no sofá enquanto se procedia à lenta distribuição de embrulhos, que têm de ser abertos, visionados e devidamente apreciados por todo o clã, para todos ficarem a saber quem deu o quê a quem. Cada um dos presentes tinha um saquinho junto a si para ir guardando o seu espólio. No final, ganha quem tiver o saco mais cheio.
Não recebi os livros que queria e que não comprei ainda na secreta esperança de que me viessem parar às mãos. Deus afinal não é grande.
A minha mãe, que não costuma ser pessoa de grande imaginação no que toca a prendas de natal, este ano foi iluminada pelos céus. Ofereceu-me um album onde pôs todas as fotografias minhas que encontrou lá em casa de quando eu era catraia. Foi o que me aguentou nas dolorosas duas horas que demorou a troca de presentes, em que me fui vendo em várias versões e tamanhos a preto e branco e a cores e relembrando as ocasiões em que tinham sido tiradas aquelas fotografias.
Quando eu era pequena o natal servia para irmos à terra dos meus pais e passarmos uns dias com os meus avós e os meus tios e primos.
Trocavam-se presentes, que nunca eram grande coisa pois a família não era muito abonada, mas sobretudo trocavam-se afectos. Fazia frio, mas havia calor naqueles natais. As crianças não recebiam a orgia de brinquedos que recebem hoje e talvez por isso, cada boneca, cada carrinho, cada cachecol tricotado pela avó tinha um sabor especial.
Todos os anos tento escapar ao Natal mas acabo sempre por ser apanhada pela coisa. Ontem lá passei a noite entre bacalhau e rabanadas, tentando não adormecer no sofá enquanto se procedia à lenta distribuição de embrulhos, que têm de ser abertos, visionados e devidamente apreciados por todo o clã, para todos ficarem a saber quem deu o quê a quem. Cada um dos presentes tinha um saquinho junto a si para ir guardando o seu espólio. No final, ganha quem tiver o saco mais cheio.
Não recebi os livros que queria e que não comprei ainda na secreta esperança de que me viessem parar às mãos. Deus afinal não é grande.
A minha mãe, que não costuma ser pessoa de grande imaginação no que toca a prendas de natal, este ano foi iluminada pelos céus. Ofereceu-me um album onde pôs todas as fotografias minhas que encontrou lá em casa de quando eu era catraia. Foi o que me aguentou nas dolorosas duas horas que demorou a troca de presentes, em que me fui vendo em várias versões e tamanhos a preto e branco e a cores e relembrando as ocasiões em que tinham sido tiradas aquelas fotografias.
Obrigada mãe.
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