Pois agora dei com os outros, os que têm a mínima noção de marketing. A loja é velha e não tem grande aspecto. Mas quem resiste à "Colchoaria OÓ"? E à referência "camas para bebé" ou aos "preços de fábrica"? Irresistível. O "oó" remete-nos para o aconchego do colinho da mamã quando éramos pequeninos, as "camas para bebé" fazem pensar em quartos com nuvenzinhas brancas pintadas numa parede azul, no tlimtlimtlim das caixinhas de música e na luz velada por cortinas com ursinhos. E tudo isto a preços de revenda. Os colchões podem ser de suma-pau, mas a "Colchoaria OÓ" terá sempre a minha preferência.
junho 08, 2008
nomes outra vez
Pois agora dei com os outros, os que têm a mínima noção de marketing. A loja é velha e não tem grande aspecto. Mas quem resiste à "Colchoaria OÓ"? E à referência "camas para bebé" ou aos "preços de fábrica"? Irresistível. O "oó" remete-nos para o aconchego do colinho da mamã quando éramos pequeninos, as "camas para bebé" fazem pensar em quartos com nuvenzinhas brancas pintadas numa parede azul, no tlimtlimtlim das caixinhas de música e na luz velada por cortinas com ursinhos. E tudo isto a preços de revenda. Os colchões podem ser de suma-pau, mas a "Colchoaria OÓ" terá sempre a minha preferência.
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não patetas
de outro planeta?
A perna lusa dá tusa.
Achei graça e reencaminhei a rima para alguns contactos, entre eles o do meu filho.
Recebi de resposta:
?
Obviamente, a criatura não tinha percebido a piadola. Liguei-lhe:
- Ó mãe, não estás bem! O que é isto da perna lusa dar tusa?
- Ouve lá, tu não estás a ver o jogo?
- Jogo? Qual jogo?
- Qual jogo? Então, o Portugal-Turquia...
- E por que havia eu de estar a ver o jogo?
- Ora, porque começou o europeu, é o nosso primeiro jogo... Pensei que, mesmo não gostando muito de futebol, estes vias. Mas afinal que estás tu a fazer?
- Estou aqui em casa do pai com o A. Estamos a ver umas coisas dumas músicas da banda.
- Mas olha, falta um bom bocado para acabar. Ainda podes ver...
- E quem ganha?
- Nós, por um zero.
- Ah. Boa. Então adeuzinho.
- Vais ver o resto?
- Nahhh...
O meu filho é de outro planeta.
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filhote
bandeira

E bom, não começámos mal. Portugal 2 Turquia 0.
Confesso que, depois dos jogos que vi na fase de qualificação, não dava nadinha por esta selecção — atente-se que percebo muito pouco de futebol coisa a que apenas ligo nestas ocasiões em que a bandeira está envolvida — mas ontem gostei de os ver jogar. Também, a equipa adversária, para além de ter lá meia dúzia de latagões, não tinha mais nada, por isso seria mesmo uma vergonha não termos ganho.
E, não fora a trave e o poste insistirem em colocar-se à frente da bola, o resultado teria sido bem mais expressivo.
Tudo isto para dizer que pronto, lá vou pôr a bandeirinha na janela, que ficou guardada até ver que tal se portavam os meninos no primeiro jogo.
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diário
junho 06, 2008
capicuas #2
Ora vejam, é só ler da frente para trás e de trás para a frente:
--------------------------------------
Socorram-me subi no onibus em Marrocos
---------------------------------------
Seco de raiva, coloco no colo caviar e doces
--------------------------------------------
ÁVIDO?
AMÁ-LA NA TABA, NO TOCO DA CASA,
NO MURO NO PAÇO, NA POÇA,
NA MACA, NA LIVRE SALA,
SERVI-LA NA CAMA,
NA COPA, NO CAPÔ, NO RUMO,
NA SACA DO COTO, NA BATA, NA LAMA...
Ó DIVA!
-------------------------------------
Giro, não é? Como é que há gente com paciência para inventar estas coisas...
Agradeço ao anónimo. Nunca tinha encontrado capicuas tão grandes.
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junho 03, 2008
cenas de filmes que não esqueço #3
Quando Marco vai assistir a Mazurca Fogo de Pina Bausch e se vê este pedaço da coreografia, com música de Bau. Adoro a sensualidade dos pares nesta dança, o ressalto das ancas das mulheres que acompanha o pézinho naquele duplo passo fantástico. Ia-me dando uma coisa quando no festival de Pina Bausch aqui há um mês atrás assisti a este mesmo Mazurca Fogo e vi isto ao vivo (bem mais longo que estes escassos 39 segundos que encontrei no tubo).
Caetano Veloso a cantar Cucurrucucu Paloma. Sem palavras.
E as cenas de Benigno a tratar de Alícia em coma, falando com ela, acariciando-a. Estranho e enorme amor. Não encontrei nada no tubo, infelizmente.
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junho 02, 2008
nemo olé olé!
Pois com a greve das pescas os pescadores cá do burgo resolveram impedir os peixes espanhois de entrarem nos nossos mercados. Parece-me bem, que isto de fura-greves sempre foi coisa muito mal vista. Este facto já me ensinou hoje a diferença fundamental entre o pescado espanhol e o português.
Em primeiro lugar, o peixe português é muito melhor mesmo que tenha pior aspecto, dizia o jornal, e quanto a isso não tenho dúvidas - um besugo comido em Ayamonte não se compara nem de perto nem de longe com um besugo comido em Vila Real de Santo António. Do lado de cá pois a carne é mais rijinha e mais branca, pois as lascas têm aquela gordurinha no meio, pois o sabor é outra loiça. Atravessa-se o Guadiana e blhec, o besugo sabe a cachucho velho e tem a consistência de uma alforreca. Todos sabemos isto.
Ora o título da notícia dizia: "como distinguir o peixe português do peixe espanhol?". Obviamente que as características que atrás referi só se detectam no acto de deglutir o peixe e não no acto da compra por isso, não querendo de forma alguma ser enganada dispus-me a ler o corpo da notícia com toda a atenção.
Se pensam que basta chegar à banca do peixe com um rádio-gravador de cassetes, pôr Los Romeros de la Puebla a tocar bem alto e ver quais as fanecas que sacam das castanholas de dentro das guelras e desatam a dançar sevilhanas, estão redondamente enganados. Nada disso.
O que se passa é o seguinte: os espanhois lavam o peixe com água a que adicionaram um óleo qualquer que os mantém brilhantes e com um aspecto fresco durante 3 ou 4 dias, enquanto os NOSSOS peixes não levam esse tratamento pelo que entre o 2º e o 3º dias perdem o viço.
Como no 1º dia não se nota diferença, aquele peixe com aspecto fresquinho e brilhante NÃO se deve comprar já que a probabilidade de ser espanhol é grande.
Assim, os consumidores ao chegarem à banca devem olhar para o peixe e escolher o mais baço e de ar mais murcho. Pode ter 3 dias mas é, garantidamente, português.
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maio 30, 2008
uma pele de anjo e um balão
Esta semelhança de M com os anjos mexicanos encontra razões perdidas algures na sua árvore genealógica que duas bisavós índias, roubadas às selvas amazónicas por dois bisavôs de fartas bigodaças, ornamentam com os seus cocares de penas e colares de pedrinhas.
Até M me contar a história da sua ascendência, sempre me espantara como é que um homem louro e de olhos azuis tinha aquele tom de pele dourado, como se passasse o ano todo na praia. O que acontece afinal é que M tem avós caboclos o que só me vem comprovar esta ideia que eu tenho de que na mestiçagem é que está a verdadeira virtude.
Quando penso nesta história das bisavós índias de que não conheço nada, imagino duas mulheres já meio ocidentalizadas, com vestidos de anquinhas e sapatos de cetim a apertarem pés calejados, desembarcando no Porto com os olhos parados de espanto de quem nunca viu tanta ausência de verde. Duas mulheres a cheirarem a terra e a fumo, com gritos de araras misturados na cabeça com o repicar dos sinos das igrejas. Não faço ideia se tinham algum parentesco, se vieram juntas ou separadas. Romanceio que os homens eram amigos, que andaram pelos Brasis e acabaram trazendo estas mulheres no regresso à terra.
Com este enredo é possível que uma delas tenha consolado e amparado a outra no dia em que um dos bisavôs (não há dúvida que estes homens eram aventureiros natos), se meteu com mais dois amigos num balão que levantou voo da Torre dos Clérigos, subiu por ali acima entre salvas e gritos da multidão e nunca mais foi visto. Até hoje.
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maio 29, 2008
giving up
No entanto gosto de Peter Gabriel. E de Kate Bush. E ainda mais de Peter Gabriel com Kate Bush.
we were wanted all along
I was taught to fight, taught to win
I never thought I could fail
No fight left or so it seems
I am a man whose dreams have all deserted
I've changed my face, I've changed my name
but no one wants you when you lose
Don't give up
'cause you have friends
don't give up
you're not beaten yet
don't give up
I know you can make it good
Though I saw it all around
never thought I could be affected
thought that we'd be the last to go
it is so strange the way things turn
drove the night toward my home
the place that I was born, on the lakeside
as daylight broke, I saw the earth
the trees had burned down to the ground
Don't give up
you still have us
don't give up
we don't need much of anything
don't give up
'cause somewhere there's a place
where we belong
Rest your head
you worry too much
it's going to be alright
when times get rough
you can fall back on us
don't give up
please don't give up
'got to walk out of here
I can't take anymore
going to stand on that bridge
keep my eyes down below
whatever may come
and whatever may go
that river's flowing
that river's flowing
Moved on to another town
tried hard to settle down
for every job, so many men
so many men no-one needs
Don't give up
'cause you have friends
don't give up
you're not the only one
don't give up
no reason to be ashamed
don't give up
you still have us
don't give up now
we're proud of who you are
don't give up
you know it's never been easy
don't give up
'cause I believe there's a place
there's a place where we belong
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maio 28, 2008
capacidades escondidas
Ora experimentem:
O nosso cérebro é doido!!! De aorcdo com uma peqsiusa de uma uinrvesriddae ignlsea, não ipomtra em qaul odrem as lteras de uma plravaa etãso, a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e útmlia lteras etejasm no lgaur crteo. O rseto pdoe ser uma bçguana ttaol, que vcoê anida pdoe ler sem pobrlmea. Itso é poqrue nós não lmeos cdaa ltera isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo. Sohw de bloa.
O próximo é o tal dos números, já mais conhecido, pelo menos para mim. Fica para quem nunca experimentou:
Fixe os seus olhos no texto abaixo e deixe que a sua mente leia correctamente o que está escrito.
35T3 P3QU3N0 T3XTO 53RV3 4P3N45 P4R4 M05TR4R COMO NO554 C4B3Ç4 CONS3GU3 F4Z3R CO1545 1MPR3551ON4ANT35! R3P4R3 N155O! NO COM3ÇO 35T4V4 M310 COMPL1C4DO, M45 N3ST4 L1NH4 SU4 M3NT3 V41 D3C1FR4NDO O CÓD1GO QU453 4UTOM4T1C4M3NT3, S3M PR3C1S4R P3N54R MU1TO, C3RTO? POD3 F1C4R B3M ORGULHO5O D155O! SU4 C4P4C1D4D3 M3R3C3! P4R4BÉN5.
VC É DEMAIS!!!!!!!!!!!
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maio 26, 2008
o espanhol...
... é uma língua que sempre me surpreende.
Hoje, na minha caixa de correio uma mensagem de spam com o seguinte título:
"oportunidad de aumentar sus ganancias"
Fantástico.
Se algum dos meus leitores quiser aumentar as suas ganâncias, é só dizer que eu reencaminho.
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nomes
Hoje passei por aqui:
"O anão tareco"? "Para crescer feliz"? Para o anão tareco crescer feliz? Tarecos são os gatos e os desgraçados que tiveram o azar de nascer com uma alteração genética que os impede de crescer têm muito pouco que ver com crianças.
Enfim, falta de talento.
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maio 24, 2008
explosão de roxo
Gosto de pensar a minha cidade ao ritmo das árvores, saber que quando nos freixos começam a rebentar as primeiras folhas de um verde brilhante em breve todos os outros troncos despidos formarão as suas copas e que, quando finalmente caírem as últimas folhas dos choupos, o inverno estará a chegar.
Gosto de assim sentir a passagem do tempo modificando as cores e os cheiros de Lisboa, os contrastes de luz e sombra, doce brisa ou vento que embaraça cabelos e revira chapéus-de-chuva.
Nesta altura do ano são os jacarandás. A floração faz-se anunciar previamente por um cheiro acre e quente que me faz lembrar as estevas no verão e, passados uns dias, Lisboa rebenta de roxo e lilás numa beleza estonteante mas breve, primeiro nas copas, depois nos passeios da calçada que fica escorregadia e peganhenta de tanta flor.
O melhor ainda, é naqueles anos em que os jacarandás se esquecem que estão no hemisfério norte, baralham o calendário e desatam a florir em outubro como que num desesperado regresso às origens ditado por um relógio antigo que não lhes abandona os genes. Não sei porquê, não acontece todos os anos mas isso encanta-me pelo sabor especial que vem das coisas que não temos como certas. Terá de passar setembro para saber.
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auto-retrato
Por mais circense que possa parecer a habilidade que o video nos mostra, não deixa de ser espantosa a delicadeza com que a tromba pega no pincel e aviva um traço que ficou mais leve à primeira passagem. Como dizia o amigo que me enviou este link, fucking unbelievable!
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curiosidades
maio 20, 2008
maio 16, 2008
gostava de voltar a goa
Há sítios onde fui e não me apetece voltar, há outros que quando lá estive pensei em regressar um dia mas já a saber que provavelmente não o faria, e outros onde sei que os meus pés vão pisar de novo.
Sei que, mais cedo ou mais tarde, vou voltar a Goa. Sei que um dia vou sair dum avião e sentir desde logo aquele cheiro quente verde e vermelho da terra e das plantas, aquela humidade que se pega à pele. Sei que vai estar um jipe do Panjin'in à minha espera e que, se o motorista não for o Bapa, vou fazer aqueles quê, 20 km(?) de estrada com um olho aberto e outro fechado, as costas enterradas no banco, um credo na boca a ver em que camião é que vamos bater de frente nas loucas ultrapassagens pela estrada estreita. Todos os goeses, excepto o Bapa, têm uma forma curiosa de conduzir: põem o velocímetro lá na velocidade de cruzeiro de que gostam e depois nunca travam. É sempre a andar e, se estiver um carro à frente mais lento, ultrapassa-se. Se vier alguém em sentido contrário, que se chegue para a berma pois havemos de caber os três. É assim em Goa.
Claro que não é o estilo de condução que me faz querer voltar a Goa. É o cheiro e o ar doce. São as famílias católicas com as meninas de vestidinhos brancos e rendados de primeira comunhão misturadas com as outras de coloridos saris nos mesmos mercados a abarrotar de vegetais e frutos e flores amarelos e vermelhos. São as Igrejas com nossas senhoras de fátima ao lado dos templos hindus, é beber um batido de manga num café chique em Margão, é o bairro das Fontaínhas em Panjin e os pequenos almoços na varanda do Panjin'in.
É vagabundear pelo mercado de Anjuna a mexer em tecidos de seda e joias de pechisbeque enquanto uma vaca passa ao lado, fazer conversa numa qualquer tenda (quase todas) onde haja um sorriso simpático numa cara morena e uma mão que pega na minha e me afaga o braço.
É ficar uns dias na praia em Palolem, com sorte num quartinho de pedra e cal virado para o mar, com menos sorte num bangalow de canas por baixo das palmeiras por onde saltam macacos, ver os pescadores a escolher o peixe na areia ao fim da tarde e, de manhãzinha, a menina que trabalha no bar a varrer a areia da praia com inusitado esmero, na mão uma vassourinha curta que a obriga a curvar-se sempre.
São os hippies que ficaram dos anos setenta e usam as mesmas fitas nos cabelos compridos mas já brancos e as mesmas roupas com flores onde está escrito "make love not war" e se deitam pelos almofadões dos bares de praia a cheirar insenso e a fumar ganzas ao som de Cat Stevens.
São os táxis azuis turquesa, os tuctucs pretos e amarelos que são para dois mas onde podem ir quatro, são as motos com um casal e três filhos em cima, são os autocarros que têm um motorista, um pica-bilhetes e outro homem que se pendura da porta e grita a avisar as pessoas que vem aí.
E nem digo nada da comida, céus, que bem se come em Goa.
E é por tudo isto e muito mais que agora me escapa que gostava de voltar a Goa.
(E logo mais ponho as fotografias que já é tarde)
E cá vão elas uns dias mais tarde (20/5)
Foto JFD - Bapa, o melhor motorista de Goa
Foto TCL
Foto JFD - dentro do autocarro
Foto JFD e TCL - mercado de Calangute
Foto JFD - Descanso em Palolem
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maio 15, 2008
maio 14, 2008
é bom ter amigos...
O Alf deu-me os parabéns lá no sítio dele.
À conta destes dois (só pode), tive ontem o maior número de visitas de sempre aqui no falabarata.
Outros bloggers enviaram-me mensagens, deixaram-me comentários ou telefonaram-me.
Quando já saímos há um tempo dos "...intas" e vamos por aí fora nos "...entas" já não nos apetece por aí além festejar o aniversário mas, com amigos assim, a coisa passa-se melhor.
Obrigada a todos!
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maio 12, 2008
12 de maio
Chamava-se Virgínia Laura, a minha avó. Acho que era um nome bonito. Quando eu era pequena ia passar o mês de Setembro a casa da minha avó numa vila sem interesse entre Leiria e Tomar. A casa era numa rua tranquila de moradias em banda com dois pisos e um pequeno quintalinho atrás.
No quintal havia galinhas, coelhos, couves e uma ameixeira.
Nunca ouvi a minha avó gritar, ralhar ou queixar-se do que quer que fosse, por isso, quando de repente adoeceu a meio das férias de verão aos setenta e poucos anos e morreu passados quinze dias deixou-nos a todos mudos de espanto e a mim, que tinha uns 12 ou 13 anos, com um peso de remorso que ainda hoje carrego comigo por não ter querido acompanhar os meus pais a meio de Agosto quando a foram ver ao hospital e eu preferi ficar na praia. Morreu sem avisar passados poucos dias.
O meu avô, que era o doente oficial daquela casa e sempre foi apaparicado por mulher e filhas, morreu a dormir passados uns quinze anos, quando já andava a procurar bengalas na panela da sopa e a conversar tardes inteiras com a minha mãe convencido de que ela era o Sr. Andrade. Numa dessas tardes, quando uma das minhas tias o tratou por pai, respondeu: Pai? a senhora desculpe, mas se diz que é minha filha, eu não a conheço como tal. Pelo menos como filha da minha mulher. Só se for de alguma criada.
Pois. A minha avó nunca se queixou de nada, mas foi nessa altura que percebemos por que motivo volta não volta ela despedia criadas (coitadas) sem razão aparente. O meu avô chamava-lhe pombinha branca. Lá tinha as suas razões.
Desses fins de verão em casa da minha avó ficaram-me para sempre:
- O meu avô a comer bacalhau com batatas a nadar em azeite com um grande avental para não pingar a roupa.
- a minha tia solteira e já nessa altura meio maluca, com quem eu dormia e que punha bigodis no cabelo e creme nas mãos com umas meias por cima, a dizer-me: ouviste? passos lá em cima... e eu borrada de medo, pois lá em cima não era suposto estar alguém à noite.
- uma galinha a saltar o muro do quintal a esguichar sangue do pescoço depois de lhe cortarem a cabeça.
- o cheiro das couves com farinha que a minha tia picava para as galinhas.
- a minha avó a rezar o terço das sete em sintonia com a telefonia.
- umas imagens da igreja que andavam de casa em casa, ficando alguns dias em cada uma, e que tinham de estar sempre alumiadas com uma lamparina de azeite.
- o tchctchctchc da máquina de costura no andar de cima quando a costureira lá ia voltar colarinhos e pregar rendas nos lençois enquanto conversava coma a minha tia que queria saber o que se passava nas outras casas onde ela trabalhava.
- uma velha muito velha que cheirava a naftalina e ia lá a casa lanchar às quintas-feiras, viúva de um homem rico, mas tão forreta que já só tinha a dentadura de cima, sendo explicação lá em casa que os ratos lhe tinham roído a de baixo.
- a minha avó a descascar maçãs pequeninas e perfumadas para mim e para os meus primos, todos sentados nos degrauzinhos da entrada a apanhar os raios de sol que passavam pelos postigos da porta.
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maio 11, 2008
dia da mãe
A última edição foi no domingo passado, dia da mãe, e este foi o melhor presente que eu poderia ter recebido. Até me vieram as lágrimas aos olhos.

"I love my mom". Não é uma delícia? I love you to, my darling.
Mais tarde, no calor da exibição, o J e o A elevados ao máximo, sem pararem de tocar.Um must!
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